COLUNA ICL
As cidades
Essas que herdamos e legaremos como o rescaldo da completa submissão da vida ao desencanto do capital
Em tempos relativamente recentes, ninguém representou mais o projeto do Rio de Janeiro como uma cidade para negócios, o balneário de megaeventos, que Eike “sempre ele” Batista. Bajulado por boa parte da imprensa e políticos poderosos, citado como o empreendedor do futuro, laureado como homem do ano, ícone da ideia de que podemos ser bilionários sem culpa e o escambau, Eike foi elevado ao posto de carioca maior. Vi gente comparando o homem ao Barão de Mauá – até o dia em que o herói civilizador entrou em cana. Não é sobre o Eike, todavia, que quero escrever. Nem mesmo sobre o Rio de Janeiro especificamente; mas sobre o que está ocorrendo com nossas cidades. Exemplifico. Cresci frequentando certo comercio de rua que hoje virou uma espécie de ararinha-azul, em vias de extinção. Velhas barbearias, açougues, livrarias, quitandas, botequins, floristas, lojas de macumba, aviários, marcenarias, etc., estão indo para o beleléu.A tendência é que esse comércio pequeno e mais afetivo seja engolido pelo gigantismo dos hortifrútis, salões de shopping, ‘megastores’, franquias de bares de grife, butique de carnes, lojas virtuais de departamentos e similares. (...)
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