Na primeira vez que tive contato com Dario Durigan, ele era executivo do WhatsApp. As fake news tinham contaminado a campanha eleitoral presidencial de 2018, disputada entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Na ocasião, Lula estava preso em Curitiba, mas acompanhava de perto, curioso, o nascente poder das redes na propagação de narrativas capazes de implodir candidaturas, à esquerda e à direita. Não que o PT assistisse da arquibancada ao jogo de desinformação. Integrantes do partido também dispuseram, naquela eleição, de um arsenal de disparo de mensagens em massa e afirmações falsas. Lula saiu da prisão em novembro de 2019 e, com a intenção de derrotar Bolsonaro em 2022, conheceu Durigan, ainda executivo do WhatsApp.
O novo ministro da Fazenda colaborava com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em um projeto de combate à disseminação de informações falsas, mirando a campanha de 2022. Acostumado aos palanques, ao contato direto e à propagação clássica de mensagens pelas mídias tradicionais, Lula encontrou no interlocutor uma enciclopédia sobre a nova comunicação política, catapultada por grupos de família, memes e bolhas. Naquele momento, em 2019, não passava pela cabeça de Durigan que Lula seria eleito e que, três anos depois, ele mesmo se tornaria ministro da Fazenda, substituindo Haddad, de quem se tornou não só braço direito, mas um amigo. A afinidade entre Durigan e Lula aumentou e o novo ministro ainda se surpreende por ter se tornado um frequentador do Palácio da Alvorada, para rodadas moderadas de uísque com o presidente da República. Para reconstruir a trajetória de executivo do WhatsApp ao posto de ministro mais importante da Esplanada (a Fazenda empresta esse título a seu ocupante), entrevistei amigos, familiares, políticos, colegas de trabalho e Haddad, que deve disputar o governo de São Paulo —mais uma vez, como em 2018, a pedido de Lula e para enfrentar um oponente bolsonarista. Na busca por marcas de sua personalidade, encontrei ajuda até na árvore genealógica dos Durigan. Parentes foram localizados e, assim, histórias de sua infância e formação no interior de São Paulo permitiram entender por que, afinal, esse advogado de apenas 41 anos reuniu credenciais para chegar ao primeiro escalão da República. LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NO UOL PRIME |