COLUNA ICL
Nenê Romano: a mulher que São Paulo matou duas vezes
Viver e morrer na São Paulo dos anos 1920 era, para uma mulher dona de seu próprio corpo e destino, um ato de transgressão punível com a morte e o apagamento histórico
Os cemitérios parecem ser o espelho invertido das cidades que os abrigam. No Cemitério da Consolação, reduto final de boa parte da aristocracia paulistana, as alamedas ladeadas por mausoléus suntuosos narram a história oficial de uma metrópole que enriqueceu à sombra dos cafezais. Ali, na Quadra 83, repousa uma das esculturas mais emblemáticas da arte tumular brasileira: “Interrogação”, obra em granito assinada pelo mestre Francisco Leopoldo e Silva. A peça retrata uma “mulher nua, semi-reclinada, sentada com as pernas sobrepostas e parcialmente estendidas, com o rosto abaixado demonstrando pesar, formando um ponto de interrogação para demonstrar a incompreensão sobre a morte de Moacir Toledo Piza.” A narrativa oficial, perpetuada por guias e enciclopédias, afirma que a estátua expressa a dor e a absoluta incompreensão diante do suicídio do homem ali sepultado: Moacyr de Toledo Piza, um jovem, brilhante e aristocrático advogado, jornalista e escritor. Contudo, a pedra fria de Leopoldo e Silva narra apenas a metade de uma história. (...)
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