Naquele dia, a pandemia deixou de parecer distante para os brasileiros. Dois dias antes, a Organização Mundial da Saúde havia declarado oficialmente a pandemia de COVID-19. Em São Paulo, começaram as primeiras suspensões de aulas e eventos. A rotina do país começava a mudar. O que veio depois marcou profundamente o Brasil. Enquanto cientistas corriam para desenvolver vacinas, espalharam-se discursos negacionistas e medicamentos sem eficácia comprovada passaram a ser receitados como solução milagrosa. No meio da emergência sanitária, a desinformação também se tornou parte da tragédia.
Os números são conhecidos, mas a dimensão humana é maior: mais de 700 mil mortos. Famílias que não puderam se despedir. Velórios vazios. Hospitais colapsados. Em Manaus, pacientes morreram por falta de oxigênio. Em muitas cidades, a crise econômica levou pessoas a filas para comprar ossos para cozinhar.
Seis anos depois, lembrar aquele março é lembrar da dor de um país inteiro, da responsabilidade de não esquecer o que aconteceu.
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