Laerte completa 74 anos neste 10 de junho. Cartunista, chargista e cronista do Brasil real, ela atravessou décadas desenhando o que muita gente não teve coragem de dizer — e fez isso com humor, inteligência e um olhar político afiado.
Criadora dos Piratas do Tietê, de Muriel, Overman e tantos outros personagens, Laerte não desenha para agradar. Desenha para incomodar. E para revelar contradições que atravessam a vida, o gênero, a cidade e a história.
Foi também com esse compromisso que se tornou uma das primeiras figuras públicas a se afirmar como mulher trans no Brasil.
Seu processo de transição não foi só íntimo. Foi um ato político, público e generoso, que ampliou o debate sobre identidade de gênero e pavimentou caminhos para outras pessoas trans.
Celebrar a vida de Laerte é lembrar que o desenho também é ferramenta de crítica e de escuta. Que quadrinhos podem ser política. E que é possível transformar o mundo começando pelo traço — mesmo que ele pareça pequeno à primeira vista. |