O Oriente Médio continua no epicentro das tensões globais. Um drone atingiu um armazém próximo à usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos. Autoridades em Abu Dhabi responsabilizaram o Irã ou seus grupos de apoio pelo ataque e anunciaram que o incidente não causou vazamento radioativo. O episódio é mais um exemplo da fragilidade do cessar-fogo em vigor na guerra Estados Unidos-Irã. Donald Trump publicou nas redes sociais que o "relógio está correndo" para Teerã chegar a um acordo de paz e ameaçou que "nada restará" se o país não ceder. Trump convocou conselheiros de segurança e agendou reuniões adicionais para discutir a crise. Resposta iraniana e frentes diplomáticas O Ministério das Relações Exteriores do Irã enviou por meio do Paquistão uma resposta ao mais recente plano de paz dos EUA; o conteúdo não foi divulgado. Israel bombardeou a região de Nabatieh, no sul do Líbano, o que reforçou o temor de uma escalada regional. Em outra frente da crise, o Paquistão, que atua como mediador das negociações, enviou cerca de 8 mil soldados, caças JF-17 e sistemas antiaéreos HQ-9 para a Arábia Saudita, segundo reportagem da Reuters. O deslocamento expõe a posição delicada de Islamabad: ao mesmo tempo em que tenta negociar uma saída para a guerra, aprofunda sua cooperação militar com Riad. O tratado secreto de defesa entre os dois países pode permitir a presença de até 80 mil militares paquistaneses no reino. Em paralelo, uma flotilha internacional com cerca de 20 embarcações que se dirigia a Gaza foi interceptada em águas internacionais por forças navais israelenses. Cerca de 100 ativistas foram detidos e levados para Ashdod. A organização Global Sumud, responsável pelo comboio, afirmou que a ação era humanitária e não violenta, enquanto a mídia israelense descreveu a operação como uma das maiores interceptações navais já realizadas. Hormuz, seguro em criptomoedas e resistência do setor petrolífero Com o estreito de Hormuz virtualmente fechado por forças iranianas, Teerã anunciou a criação de uma Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para administrar a navegação. A proposta envolve cobrar uma espécie de "seguro" dos navios para transitar pelo estreito, com pagamentos em criptomoedas (bitcoin) e potencial arrecadação anual superior a US$ 10 bilhões. Armadores criticam a medida por considerá-la um pedágio disfarçado, e EUA e China se opõem à cobrança unilateral. Embora o bloqueio do Estreito de Hormuz tenha asfixiado as exportações, o Irã vem suportando a pressão graças à sua elevada capacidade de refino e armazenamento, relata o El País. Antes da guerra, cerca de 2,6 milhões de barris por dia eram processados nas refinarias iranianas, reduzindo a dependência das vendas externas. Especialistas apontam que a paralisação completa de campos petrolíferos poderia danificar poços, mas relatórios da Universidade de Columbia rejeitam a ideia de que o setor entre em colapso; seriam necessários pelo menos dois a seis meses de bloqueio para provocar danos severos. O problema mais imediato é fiscal: a queda nas receitas de exportação agrava a inflação e o déficit público. Vida sem internet no Irã Em 28 de fevereiro, logo após os primeiros bombardeios de Israel e EUA, o governo iraniano cortou o acesso à internet em todo o país. Mais de 90 milhões de pessoas tiveram de improvisar para se comunicar, estudar e trabalhar. Reportagem do El País mostra que empresários como a estilista Mehrnoosh Shahhosseini reinstalaram antenas parabólicas e utilizam VPNs clandestinas, mas ainda assim perderam clientes e viram a renda despencar. A falta de conexão provocou uma onda de despedimentos em pequenos negócios, já que o marketing digital desapareceu. As escolas recorrem a redes internas, prejudicando a qualidade das aulas. Autoridades divergem sobre quando restabelecer o serviço: enquanto conselheiros do presidente Masoud Pezeshkian prometem a volta da internet assim que "o país retornar à normalidade", parlamentares conservadores defendem a continuação do bloqueio para evitar protestos. Petróleo dispara e mercados oscilam Os preços do petróleo subiram fortemente após o ataque nos Emirados e as ameaças de Trump. O Brent ultrapassou US$ 111 por barril, acentuando temores inflacionários. Rendimentos de títulos soberanos oscilaram: nos EUA, o yield do T-Note de 10 anos superou 4,63%, enquanto os títulos britânicos (gilts) ficaram acima de 5%. A instabilidade reflete incertezas sobre o rumo da guerra e pressões inflacionárias. Putin visita Xi após ataque a navio chinêsUm drone russo atingiu dois navios civis no mar Negro, entre eles o cargueiro KSL Deyang, de bandeira chinesa, próximo a Odessa. Nenhum tripulante ficou ferido e o navio continuou a viagem, mas o ataque ocorreu poucos dias antes da visita de Vladimir Putin a Pequim. Kiev afirmou que a Rússia tem atacado deliberadamente embarcações que se aproximam de portos ucranianos, enquanto Pequim exigiu explicações. Tribunal indiano entrega mesquita a hindusO Tribunal Superior de Madhya Pradesh, na ìndia, decidiu que o complexo da mesquita Kamal Maula, em Dhar, é um templo dedicado a Vagdevi, a "deusa da fala". A reportagem da Al Jazeera afirma que o tribunal permitiu o culto hindu no local e rejeitou a reivindicação da comunidade muçulmana. Fiéis muçulmanos foram impedidos de entrar no local, e nacionalistas hindus comemoraram erguendo bandeiras laranja. A decisão se soma a outras ações de grupos hindutva que reivindicam mesquitas como templos, o que críticos consideram parte de uma campanha de apagamento histórico. Nova York: impostos sobre ricos e congelamento de aluguéisEm Nova York, o prefeito Zohran Mamdani está comprando brigas com bilionários ao aumentar impostos sobre imóveis de luxo e propor congelamento dos aluguéis para cerca de dois milhões de moradores em apartamentos estabilizados. A taxação inclui uma tarifa anual para propriedades acima de US$ 5 milhões, iniciativa que desagradou magnatas como Ken Griffin e Bill Ackman. Mamdani argumenta que a medida financia políticas sociais e é uma forma de enfrentar a crise habitacional, porém corre o risco de desestimular investimentos e construção de novas moradias. O prefeito também propôs o programa Speed para acelerar projetos de habitação popular. Campanha colombiana e a invasão dos vídeos de IAA Colômbia vive a sua primeira eleição presidencial dominada por vídeos gerados por inteligência artificial, conta reportagem do El País. Candidatos conservadores como Abelardo de la Espriella (apelidado de "El Tigre") e a senadora Paloma Valencia inundaram redes sociais com clipes caricatos: tigres gigantes, novelas de frutas e paródias de filmes animados. Os vídeos custam menos que propagandas tradicionais e são usados para provocar emoções, não para enganar; muitos apresentam estética abertamente artificial. O candidato de centro Sergio Fajardo lançou um vídeo imitando personagens de Harry Potter, enquanto o ex-ministro Mauricio Lizcano apareceu transformado em gato. O senador de esquerda Iván Cepeda, líder nas pesquisas, prefere a campanha tradicional nas ruas. Especialistas consultados pelo El País afirmam que os "deepfakes" ainda não se converteram em máquina de desinformação, mas alertam que áudios falsos podem ser mais perigosos. Surto de ebola e hantavirose preocupa OMSA Organização Mundial da Saúde declarou o surto de ebola na República Democrática do Congo emergência de saúde pública de interesse internacional. A doença, causada pelo vírus bundibugyo, já soma mais de 390 casos suspeitos e ao menos 100 mortes; não há tratamentos ou vacinas aprovadas. No mesmo boletim, a OMS trataria do surto de hantavirose em um navio de cruzeiro, que ainda está sendo investigado. A comunidade internacional monitora os episódios, que representam risco de propagação para outros países. |