Quase cinquentona, a Mormaii reforça seu posicionamento como "marca poliesportiva" para unir antigas e novas gerações em torno da prática esportiva. Ligada ao universo do surfe (e da contracultura), a marca catarinense construiu sua identidade associada a um estilo de vida alternativo, distante do ambiente corporativo tradicional. Agora, a empresa ampliou sua atuação para diferentes modalidades esportivas e aposta em tecnologia, novos produtos e atletas para seguir relevante entre consumidores mais jovens. Com cerca de seis mil SKUs (tipos de produtos), que inclui até uma linha de smartwatches, a Mormaii passou a competir em diferentes categorias com gigantes globais do esporte, enquanto tenta equilibrar expansão, inovação e conexão com suas origens no surfe. A reportagem de UOL Mídia e Marketing conversou com Eduardo Nedeff, diretor comercial da Mormaii, que é patrocinadora do Comitê Olímpico do Brasil e da Confederação Brasileira de Surfe. Confira: A Mormaii nasceu muito ligada ao surfe e à contracultura. Como a marca se atualiza para conversar com uma geração mais nova? Precisamos sempre renovar a comunicação, renovar nossas linhas de produto. Se ficássemos apenas com as roupas de surfe, não conseguiríamos ampliar nosso alcance ao consumidor mais novo. Temos também nossos embaixadores, os atletas. Estamos sempre atualizando essa lista, trazendo atletas novos, esportes novos, em busca de "novos heróis". O consumidor mudou muito. Antes, o surfista era só surfista. Hoje, ele faz corrida, joga beach tennis, pratica outros esportes. O consumidor virou um multiesportista. A marca acompanha esse movimento de forma muito natural. A marca começou no surfe e no mergulho. Como foi expandir para outras categorias e esportes? A nossa alma continua sendo o surfe e o mergulho, porque começamos fazendo roupa de borracha. Mas hoje temos produto para fitness, por exemplo, algo inimaginável naquela época. Sempre tentamos ligar os produtos ao esporte, à uma vida natural. Isso é fundamental porque a marca entra no mercado como verdade, não como fake. Também fomos entrando em outros mercados, ampliando nossa atuação no varejo. Hoje, temos cerca de 50 mil clientes cadastrados no Brasil, entre magazines, lojas de surfe, lojas de bairro, óticas, sapatarias, relojoarias e supermercados, por exemplo. Como equilibrar a busca por novos consumidores sem afastar quem acompanha a marca há décadas? O estilo de vida não muda. A raiz é a mesma. O que a gente faz é mostrar para essa nova geração que aquilo que praticávamos há 40 anos hoje é muito atual. Naquela época, os surfistas eram marginalizados. O pessoal estranhava a gente de bermuda, sem horário convencional, saindo para surfar. Hoje, isso virou realidade em várias empresas. Então entendemos que lá atrás já existia uma leitura muito atual do negócio, mesmo que tudo tenha acontecido de forma natural. Essa raiz nunca pode ser cortada. Ela precisa ser alimentada. Por isso, são importantes movimentos como os patrocínios ligados ao surfe e ao esporte olímpico. A Mormaii disputa espaço com gigantes globais do esporte. Como competir nesse cenário? A gente não pode ficar olhando para o gigante ao lado e medindo forças com ele o tempo inteiro. Seguimos o nosso caminho e está dando certo. Hoje, sabemos que a Mormaii já ocupa posições relevantes em rankings de importação e produção em várias categorias. O importante é fazer bem-feito aquilo que estamos fazendo e continuar conectado à nossa raiz. |