A guerra liderada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã entra em sua terceira semana, reconfigurando alianças e o mercado global de energia. O fechamento prático do Estreito de Hormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — disparou os preços do gás e do petróleo, forçando a Europa a pagar bilhões a mais por combustíveis fósseis. Ironicamente, a principal beneficiada pela crise energética tem sido a Rússia, que aproveita a alta dos preços para financiar sua guerra na Ucrânia. O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou frustração pública e cobrou que países europeus e asiáticos enviem navios de guerra para escoltar petroleiros e reabrir o estreito, chegando a ameaçar o futuro da Otan caso os aliados não colaborem. A resposta, contudo, tem sido uma recusa quase generalizada: líderes de Alemanha, Reino Unido, Espanha, Austrália e Japão indicaram que não pretendem se envolver militarmente em uma guerra para a qual não foram consultados e cujos objetivos estratégicos não estão claros. O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, foi categórico: "Esta não é a nossa guerra, não fomos nós que a começamos." O tiro pela culatra: Internamente, a inteligência americana avalia que a tática de "mudança de regime" falhou no curto prazo, diz reportagem do Washington Post. Apesar dos severos bombardeios que vitimaram civis e assassinaram o aiatolá Ali Khamenei no primeiro dia do conflito, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) consolidou ainda mais o seu poder. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei (filho de Ali), atua agora em parceria estreita com uma cúpula militar radicalizada e fortalecida pelo sentimento antiocidental. Blecaute em Cuba e exigências da Casa BrancaA ilha caribenha vive um momento dramático, sofrendo o seu sexto apagão nacional em apenas um ano e meio. A crise crônica de infraestrutura foi agravada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos EUA, que deixou o país sem receber navios de combustível por três meses. O colapso do Sistema Elétrico Nacional paralisou a economia e a rotina dos cubanos, afetando de aulas a cirurgias infantis. No tabuleiro diplomático, as negociações secretas entre Washington e Havana vieram à tona com um tom hostil. Donald Trump declarou no Salão Oval que seria "um grande honra tomar Cuba". Ao mesmo tempo, negociadores americanos teriam colocado a saída do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, como pré-requisito para qualquer alívio econômico. Enquanto os EUA testam um modelo de pressão máxima, autoridades cubanas tentam contornar a asfixia acelerando o uso de energia solar e incentivando a participação de cubanos no exterior na economia privada local. Escândalo cripto bate à porta de MileiNa Argentina, o cerco político aumenta em torno do presidente Javier Milei e de sua irmã, Karina Milei, devido ao suposto envolvimento de ambos na promoção da $LIBRA, uma criptomoeda que colapsou horas após seu lançamento. Registros telefônicos revelados pela Justiça mostram comunicações entre os irmãos Milei e o criador da moeda virtual, Mauricio Novelli, antes e depois do lançamento do ativo. A comissão investigadora da oposição no Congresso acusou o presidente de ser um "cúmplice necessário". Em defesa do governo, o ministro da Justiça, Juan Bautista Mahiques, classificou as acusações como uma "imprudência" e questionou a cadeia de custódia dos dados vazados do celular de Novelli, pedindo que o poder judiciário faça o seu trabalho sem a interferência "leviana" dos deputados. Saúde como moeda de troca na Zâmbia Uma negociação diplomática entre os EUA e a Zâmbia revela o uso da ajuda humanitária como instrumento de coerção geopolítica, revela reportagem do New York Times. A administração Trump está condicionando a continuidade de um acordo de US$ 1 bilhão em ajuda à saúde (voltado principalmente para medicamentos contra o HIV através do programa Pepfar) à exigência de que a Zâmbia reduza a influência da China e abra suas vastas reservas de cobre, lítio e cobalto para empresas americanas. Documentos diplomáticos vazados mostram que os EUA ameaçaram cortar as verbas se o governo zambiano não ceder acesso preferencial às suas minas, colocando em risco o tratamento vital de pacientes com HIV no país africano. Ativistas também tentam barrar uma cláusula do acordo que exige o compartilhamento de dados de saúde e amostras biológicas de cidadãos zambianos com os EUA por 25 anos. Pelo mundo |