Alô, David! Alô, Huguito. Até quando congressistas vão agredir mulheres sem nenhuma punição efetiva? Sei lá, mas talvez alguém esteja precisando de mais do que um puxão de orelha. Hoje, a ministra Marina Silva foi chamada de “adestrada” e comparada ao Hamas, ao Hezbollah e às Farc na Comissão de Agricultura da Câmara. Socorro, BRASEW.
Este foi o mais novo episódio do Congresso atacando mulheres. Outro dia, um parlamentar disse que queria enforcar Marina. Alcolumbre, o Davi, disse que o fato era gravíssimo. Mas nada efetivamente aconteceu. Tanto que, tempos depois, o mesmo senador, seu Plínio, voltou a atacar, dizendo que respeitava a ministra, mas não a mulher, ops, foi o contrário, ops, é tudo a mesma coisa.
Agora o deputado Evair não sei das quantas (sim, sabemos o sobrenome, Vieira de Melo), do PP lá do Espírito Santo, saiu latindo (de novo). Ele já tinha dito que Marina era adestrada, no ano passado, e se sentiu tão especialista em ser adestrado que repetiu a dose. Garantiu que não era ofensa pessoal. E, desta vez, Evair acrescentou:
“Esse modus operandi da ministra não é algo isolado. A estratégia dela é a mesma que as Farc colombianas usam, que o Hamas, que o Hezbollah usam.”
Marina disse que fez uma loooooonga oração antes de ir até o Congresso (só Deus na causa, porque Jesus não dá mais conta, não). Lá pelas tantas, ela usou uns nomes chiques da análise do discurso e fez uma virada retórica: “Vossa Excelência se revelou”, dizendo que as palavras do deputado mostram mais sobre ele do que sobre ela. Não sabemos se o deputado entendeu porque, né? Às vezes é difícil mesmo entender.
Pensamento nada aleatório: se continuar assim, com a cúpula do Congresso fingindo que nada acontece em suas casas, fica a dica para o governo Lula, que poderá começar a dizer que, além de não gostar dos pobres, o Congresso também não gosta de mulheres. Vocês estão ligados que as mulheres somam mais de 50% do número de eleitores, né? Just saying.
Não faça intrigas
Mas, divertidamente, foi a parte em que o nobre deputado disse que Marina tem dificuldades com o agronegócio porque nunca trabalhou, nunca produziu, não sabe o que é prosperidade construída pelo trabalho. Um desavisado que estava passando pela TV perguntou: ele está falando do Bolsonaro? Ai, gente, pra que fazer intriga? O deputado Evair é bolsonarista, defensor do agro.
Mudemos de assunto, mas não muito.
O Lula segue na estratégia do discurso dos ricos contra os pobres. Ergueu até uma plaquinha, na sua passagem pela Bahia, dizendo que é a favor da taxação dos super-ricos. Em entrevista para a TV local, no entanto, garantiu que vai buscar reaproximação com o Huguito Motta, que manda na Câmara frigorífica, e com Davi Alcolumbre, que é a estrela mais alta do Senado. E também respondeu por que decidiu ir para o Supremo contra o decreto legislativo que derrubou o seu decreto do IOF.
“O presidente tem que governar o país, e decreto é coisa do presidente. Você pode ter um decreto legislativo quando há inconstitucionalidade. O governo tem o direito de propor ajustes no IOF, sim. Estamos propondo um reajuste tributário para beneficiar os mais pobres. O dado concreto é que os interesses de poucos prevaleceram na Câmara e no Senado, o que é um absurdo.”
Lula também disse que tinha um acordo com Hugo Motta que eles fecharam num domingo à noite. Adivinha o que fez o Huguito? Diretamente do podcast do João Camargo, disse que a harmonia não obriga que um Poder concorde com tudo que o outro faça.
Tá fácil, tá difícil, vou ali comprar um pão português.
O fato é que a esquerda está num ataque ferrenho a Hugo Motta, só faltando chamar de riquinho rico. A Gleisi Narizinho chegou a pedir que parem de atacar o Hugo Motta (disse, obviamente, publicamente; lá no escurinho do cinema, a gente não sabe).
Os lobbies
Praticamente só a Marina estava hoje em Brasília. O povo está lá no Gilmarpalooza nas Europa (que hoje alguém chamou de piquenique do Gilmar).
E não disse que seria no Gilmarpalooza o momento dos lobbies do caso do IOF que está no Supremo?
O Messias (não aqueeeele Messias, um certo ex), me refiro ao advogado-geral da União, que está em Lisboa, defendeu que o Supremo faça uma conciliação entre o governo e o Congresso.
“Isso é uma opção política, a opção política pela conciliação. Eu quero destacar essa palavra. A conciliação também é a chave que o Judiciário encontra para as soluções dos grandes conflitos.”
Então tá, então.
Oi, Mercosul
E o Lula foi para a Bahia e seguiu para a Argentina para tomar posse como presidente do Mercosul (sim, o Mercosul ainda existe). E Lula vai visitar a Cristina Kirchner na prisão domiciliar. E por que ela está presa? Foi condenada por corrupção. Lula se deu ao trabalho, inclusive, de pedir autorização para a Justiça argentina. Aff. Isso é que é favorecer o discurso bolsonarista. Pelo menos até agora, nosso atual não fez comentários sobre a decisão da Justiça de condenar a ex-presidente argentina.
Para os perdidos: mercadão, mercadinho, Mercosul. Clique para saber mais.
E é isso, vou ali fazer um piquenique também, BRASEW.

