|  | passivo-agressivo, homem desconfiado, desconfiança | Getty Images |
| Brasileiro confia menos em tudo - até na família, revela Ipsos-Ipec |
| José Roberto de Toledo e Thais Bilenky |
| O tecido social do Brasil está se esgarçando - e rapidamente. A imagem é tão gasta quanto as erodidas relações interpessoais e institucionais entre os brasileiros. Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em primeira mão no podcast A Hora mostra que todas as 20 instituições avaliadas perderam algum grau de confiança da população de 2024 para 2025. Dos bombeiros aos partidos políticos, sem exceção. Mas não foram só as instituições. No último ano, os brasileiros perderam também parte da confiança que depositavam em seus compatriotas, em seus vizinhos, em seus amigos e até em familiares. Os resultados da pesquisa são alarmantes. Além de não se restringir à política, a desconfiança cresceu ampla e intensamente. Ela se espalhou por todo tipo de relação social, da delegacia ao banco, da escola ao hospital. Da rua à casa. O Ipsos-Ipec transforma a pesquisa em três índices: 1) confiança nas instituições, 2) confiança em pessoas e grupos sociais e 3) a média dos dois anteriores, chamada de Índice de Confiança Social (ICS). O ICS caiu 4 pontos de 2024 para 2025. As últimas vezes em que houve uma queda desse tamanho foram em 2018 (ano da eleição de Bolsonaro) e em 2015 (ano dos protestos contra Dilma, que levaram ao impeachment no ano seguinte). Queda maior do que 4 pontos só houve uma vez, em 2013 (ano dos protestos em massa, quando caiu 7). Também caiu 4 pontos o indicador de confiança restrito às 20 instituições avaliadas: de 60 para 56 pontos numa escala de 0 a 100, em que zero equivale a total desconfiança, e 100, a confiança absoluta. O indicador de confiança interpessoal avalia a confiança em pessoas da própria família do entrevistado, em seus amigos, em seus vizinhos e nos brasileiros em geral. Na média, confiança interpessoal caiu 3 pontos. As únicas quedas equivalentes aconteceram em 2020 na pandemia (de 67 para 64 pontos) e nas jornadas de 2013 (de 70 para 67 pontos). A queda da confiança foi de 3 pontos em pessoas da família, de quatro pontos (65 para 61) nos amigos, de 2 pontos nos vizinhos (de 57 para 55) e de 3 pontos (54 para 51) nos brasileiros em geral. |
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|  | Eduardo Bolsonaro fala durante conferência conservadora nos Estados Unidos | Saul Loeb - 20.fev.2025/AFP |
| Como Eduardo Bolsonaro convenceu a Casa Branca a agir contra o Brasil |
| José Roberto de Toledo e Thais Bilenky |
| O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez aproximações sucessivas da Casa Branca ao ponto de ter recebido uma proposta de autoridades americanas de asilo e proteção a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A oferta foi recusada, segundo relato de Eduardo num programa ao vivo na quarta-feira. Mas a operação da Polícia Federal nesta quinta-feira indica que Bolsonaro planejava sair do país em meio ao julgamento pela trama golpista. Foi impedido pela Justiça de se aproximar de embaixadas e pôs tornozeleira eletrônica. A articulação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, com colaboração estreita de Paulo Figueiredo - neto do general João Baptista Figueiredo, um dos presidentes da ditadura militar - começou meses atrás. "Os dois fizeram uma dupla e estão rodando os Estados Unidos para fazer as articulações pela anistia do pai (de Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro) nos Estados Unidos", revela Thais Bilenky no podcast. A estratégia inicial visava acessar o secretário de Estado, Marco Rubio, chefe das relações exteriores dos EUA. De origem cubana, ele é atento a questões latinoamericanas e poderia ajudar a sensibilizar o presidente Donald Trump à causa bolsonarista. Segundo apuração de Bilenky com aliados da dupla no movimento MAGA (Make America Great Again), eles pretendiam atingir o ministro Alexandre de Moraes, familiares e colegas do Supremo Tribunal Federal, buscando sanções que os demovessem de prosseguir com o julgamento e eventual condenação de Bolsonaro. |
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|  | Plenário da Câmara durante sessão que votou licenciamento ambiental | Kayo Magalhães - 16.jul.2025/Câmara dos Deputados |
| Congresso e governo fazem preliminar de luta marcada para o 2º semestre |
| José Roberto de Toledo e Thais Bilenky |
| Uma semana que começou com o governo Lula comemorando vitórias importantes terminou com uma reviravolta completa na madrugada de quinta-feira, quando a Câmara dos Deputados aprovou uma série de projetos que contrariam frontalmente os interesses do Palácio do Planalto. O episódio é visto como um prenúncio do que será o segundo semestre de 2025 no Brasil. Tudo começou quando o presidente Lula decidiu vetar o aumento do número de deputados de 513 para 531, projeto já aprovado pela Câmara e pelo Senado. A medida desagradou o Congresso, que se preparava para uma resposta. Paralelamente, o ministro Alexandre de Moraes tomou uma decisão favorável ao governo sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), concordando que é competência do Executivo fazer mudanças nas alíquotas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a cumprimentar o Congresso em entrevista coletiva, celebrando também a aprovação de um projeto que autorizou a venda de poços de petróleo no pré-sal. Porém, na madrugada de quinta-feira, os deputados aprovaram o direcionamento de 30 bilhões de reais da venda desses poços de petróleo para refinanciar dívidas do agronegócio. A medida pegou o governo de surpresa e transformou o que seria uma semana de comemorações em mais um período de tensão. "O Haddad estava feliz da vida, porque ressuscitou o IOF e ainda ia ganhar uma graninha extra com os poços. O que ele não previu é que o Congresso estava preparando a sua vingança para comê-la fria", observa José Roberto de Toledo no podcast A Hora desta sexta-feira (18). "O que era uma semana só de comemorações, virou uma semana de novo de fazer conta lá no Ministério da Fazenda para ver se a conta fecha", completa. A votação foi esmagadora: 346 votos a favor e apenas 93 contra, deixando o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), indignado. Ele subiu à tribuna para reclamar da bancada ruralista e dar indiretas à presidência da Casa, que decidiu colocar o projeto em votação mesmo com tentativas de acordo em andamento. O episódio mais dramático da noite veio às 3 da manhã, quando foi aprovado o polêmico PL da licença ambiental, também conhecido como "PL da devastação" ou "a mãe de todas as boiadas". O projeto flexibiliza o licenciamento ambiental e permite o auto-licenciamento para empreendimentos de "baixo e médio risco". "90% da mineração feita no Brasil é empreendimento classificado como médio risco", alertou o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, citado por Bilenky. "Isso significa que todos esses empreendimentos de mineração vão migrar para o sistema de auto-licenciamento, que prescinde de avaliação técnica do risco ambiental", completa a colunista do UOL. O projeto passou com 267 votos a favor e 116 contra. A ministra Marina Silva tentou articular com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para evitar a votação, mas não conseguiu. Apesar da pasta chefiada por Marina ter se posicionado contra o projeto, o texto teve apoio da Casa Civil de Lula. Para Toledo, o episódio ilustra o que será o segundo semestre de 2025: "Uma disputa. A metáfora mais simplista e menos dramática que eu posso usar é a do cobertor curto. O governo puxando o cobertor, tirando dos ricos para cobrir os pobres, ou seja, transferindo dinheiro do orçamento federal dos ricos para os pobres, e os empresários pressionando os congressistas a fazerem exatamente o oposto." |
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|  | Donald Trump, Melania, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell | Davidoff Studios/Getty Images |
| Trump enfrenta primeira revolta do MAGA |
| A relação de Donald Trump com sua base eleitoral mais fiel - os apoiadores do movimento Make America Great Again (MAGA) - enfrenta sua maior crise. O motivo? A polêmica em torno da divulgação de uma suposta lista de clientes do empresário Jeffrey Epstein, condenado por exploração de prostituição e aliciamento de menores e morto na cadeia em 2019. Ontem, o presidente americano ordenou à procuradora-geral, Pam Bondi, que divulgasse a transcrição de todos os depoimentos do processo de Epstein. Mas ele anotou que a ação está "sujeita a autorização judicial". A ordem de Trump, via rede Truth Social, foi postada depois que o jornal Wall Street Journal afirmou que, entre os papeis de Epstein, há uma carta de Trump com o desenho de uma mulher nua e a frase: "Feliz aniversário - e que todo dia seja outro segredo maravilhoso". Trump negou: "Eu nunca desenhei na minha vida, Eu não desenho mulheres. Não é minha linguagem. Não são minhas palavras". Por que o caso abalou a relação de Trump com sua base? Durante anos, os principais influenciadores e porta-vozes do MAGA transformaram a divulgação da suposta lista de clientes de Epstein em bandeira da base trumpista. O argumento era que ela revelaria a ligação de vários nomes da cúpula democrata com o magnata. A revolta teve início na semana passada, quando Pam Bondi disse que a lista não existe. Detalhe: em fevereiro, a mesma Bondi havia dito que a lista estava "em cima da sua mesa". |
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|  | Palestinos cristãos velam corpos de mortos em ataque a igreja católica em Gaza | Omar AL-QATTAA / AFP |
| Israel diz lamentar ataque à única igreja católica da Faixa de Gaza |
| O governo de Israel disse ontem que "lamenta profundamente" o ataque à única igreja católica da Faixa de Gaza, a Sagrada Família, que deixou três mortos e vários feridos, incluindo o padre Gabriel Romanelli. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu alega que o templo foi atingido por um "disparo fora do alvo". "Israel está investigando o incidente e continua comprometido com a proteção de civis e locais sagrados", acrescentou o gabinete em comunicado. É a mesma explicação que Israel usou para o ataque que matou sete crianças e outras quatro pessoas palestinas em um ponto de coleta de água no domingo. Em comunicado, o Vaticano afirmou que a "Diocese de Roma está profundamente entristecida: a estratégia israelense não poupou nem mesmo a Paróquia Latina da Sagrada Família". |
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|  | Stephen Colbert dança com aias da série "The Handmaid's Tale" na abertura do Emmy 2017 | AFP PHOTO / Frederic J. Brown |
| CBS anuncia fim do Late Show em meio a aproximação com Trump |
| O apresentador Stephen Colbert anunciou ontem que o programa Late Show, da rede CBS, será encerrado em maio, depois de 33 anos no ar. Em nota, a empresa afirmou que a decisão foi tomada por motivos "puramente financeiros" e "não tem relação com a qualidade ou conteúdo" do programa. Nem todo mundo acreditou na explicação. Na rede social X, a senadora democrata Elizabeth Warren escreveu que a "América merece saber se o show foi cancelado por motivos políticos". Colbert, que assumiu o lugar de David Letterman em 2015, é um dos principais críticos de Donald Trump na TV americana. Recentemente, a CBS fechou um acordo com Donald Trump e pagou US$ 16 milhões ao presidente para encerrar um processo judicial movido por ele. Na ação, Trump questionava a edição da entrevista de sua adversária, Kamala Harris, ao programa 60 Minutes durante a campanha eleitoral. A empresa dona da CBS, a Paramount, também depende da aprovação do governo Trump para a fusão em negociação com a Skydance Media. Por outro lado, os programas noturnos da TV aberta americana sofrem com a concorrência dos serviços de streaming. Segundo o New York Times, a receita publicitária do segmento caiu 50% nos últimos sete anos. |
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|  | As intimidações dos Estados Unidos são de um estilo mafioso | | Francesca Albanese | relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos, que recebeu sanções dos EUA por criticar Israel, em entrevista ao jornal El País |
| | UMA IMAGEM | |  | As chinesas Yanhan Lin e Yanjun Lin se apresentam durante o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, em Singapura | Hollie Adams/Reuters |
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| |  | Bolsonaro a caminho da PF | Gabriela Biló/Folhapress |
| Bolsonaro é alvo de operação da PF e terá de usar tornozeleira |
| A Policia Federal cumpriu nesta sexta (18) mandados de busca e apreensão na casa de Jair Bolsonaro e no escritório do PL. O ex-presidente terá que a partir de agora usar tornozeleira eletrônica e será monitorado 24 horas por dia por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem judicial proíbe Bolsonaro de acessar redes sociais e de falar com seu filho Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do mandato e está nos EUA atuando para que o país aplique sanções a Moraes. Bolsonaro terá que cumprir recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 7h, e também nos fins de semana; não poderá se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros nem se aproximar de embaixadas. Veja a cobertura completa no UOL.
|  | Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump | Ricardo Stuckert/PR e Truth Social |
| Lula endurece tom contra Trump, Senado vai negociar tarifas; os destaques desta sexta |
| | Bom dia, investidor, Confira os destaques desta sexta (18): - Lula diz que Trump faz "chantagem inaceitável" com o Brasil
- Senado articula missão aos EUA para tentar barrar tarifas
- Confiança do consumidor nos EUA: indicador pode influenciar apostas no Fed
Lula diz que Trump faz "chantagem inaceitável" com o Brasil- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi à TV na noite de quinta-feira para fazer um pronunciamento contra a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida, prevista para entrar em vigor em agosto, é parte de uma ofensiva comercial americana que inclui críticas ao sistema do Pix, à atuação do Brasil em acordos de leniência e até à rua 25 de Março, acusada de ser centro de pirataria.
- Lula classificou a atitude como uma "chantagem inaceitável" e acusou Trump de tentar interferir nas instituições brasileiras, incluindo o sistema judiciário. Sem citar nomes, o presidente também atacou opositores que, segundo ele, estariam apoiando a medida americana por conveniência política, chamando-os de "traidores da Pátria".
- Em entrevistas, Lula também afirmou que o Brasil reagirá de forma diplomática e legal, acionando a Organização Mundial do Comércio (OMC) e recorrendo à Lei de Reciprocidade para taxar empresas americanas que atuam no país, com destaque para as gigantes digitais. Ele ainda reforçou que não aceitará pressões externas em temas como combate à corrupção ou decisões do Judiciário nacional.
- A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, respondeu às críticas de Lula defendendo Trump como "líder do mundo livre" e justificou a ação comercial com base em práticas ambientais e digitais adotadas pelo Brasil. O governo brasileiro, por sua vez, negou todas as acusações e classificou o relatório americano como "repleto de desinformação".
Senado articula missão aos EUA para tentar barrar tarifas- Foi aprovada uma missão parlamentar para negociar diretamente com autoridades americanas o adiamento ou cancelamento da tarifa de 50% sobre exportações brasileiras. A comitiva, liderada pelo senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores, viajará aos EUA entre os dias 29 e 31 de julho.
- A iniciativa gerou atrito com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que alertou sobre o risco de mensagens desencontradas. Haddad defende uma frente única de negociação, liderada pelo governo, e vê com preocupação ações paralelas de parlamentares ou governadores. Segundo ele, o momento exige "coesão institucional" para garantir um resultado positivo.
- Caso as tarifas sejam mantidas, produtos agrícolas, manufaturados e eletrônicos brasileiros podem ser duramente afetados, com impacto direto nas exportações e no desempenho do PIB.
Confiança do consumidor nos EUA: indicador pode influenciar apostas no Fed- Às 11h, a Universidade de Michigan divulgará a prévia do Índice de Confiança do Consumidor referente a julho. A expectativa do mercado é de uma leve alta para 61,5 pontos, após o índice ter registrado 60,7 em junho, a maior variação mensal em mais de 30 anos.
- Apesar da recuperação, o índice segue abaixo do patamar de 68,2 registrado um ano atrás. Essa diferença mostra que o consumidor americano ainda sente os efeitos do aperto monetário e da inflação persistente, mesmo com sinais recentes de resiliência econômica.
- O dado é acompanhado de perto porque influencia decisões de consumo, política monetária e o sentimento geral dos mercados. Um resultado acima do esperado pode esfriar as apostas em cortes agressivos de juros pelo Federal Reserve nas próximas reuniões.
Veja o fechamento de dólar e Bolsa na quinta (17): - Dólar: -0,46%, a R$ 5,561.
- B3 (Ibovespa): 0,06%, aos 135.510,98 pontos.
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| Lula sobe o tom, chama tarifaço de chantagem e critica 'traidores da pátria' |
| | Em um pronunciamento em rede nacional na noite de ontem, o presidente Lula disse que as taxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros é uma "chantagem inaceitável" e criticou políticos "traidores da pátria" que apoiaram a decisão. Lula classificou a taxação como uma ameaça ao país e criticou apoiadores: "Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo", disse. O presidente disse ainda que a tentativa de interferir na Justiça brasileira é um 'atentado à soberania nacional" e criticou a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil. Por fim, o presidente disse que usará todos os instrumentos legais para defender a economia. E isso inclui, segundo ele, recursos à Organização Mundial do Comércio e a Lei da Reciprocidade. Assista. Lula diz que governo vai taxar as big techs. Durante o 60º Congresso União Nacional dos Estudantes, realizado em Goiânia ontem, o presidente subiu o tom ao reclamar mais uma vez do governo norte-americano. Ele disse que a Casa Branca não respondeu às propostas do Brasil sobre as taxas, e anunciou que o Brasil irá cobrar imposto de "empresas digitais norte-americanas". No discurso, o presidente também defendeu controles sobre as redes sociais. "Não aceitamos que, em nome da liberdade de expressão, [as redes sociais] sejam usadas para fazer agressão". Lula também concedeu entrevista à CNN Internacional, que foi veiculada nesta quinta, e disse que Trump foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos, "e não imperador do mundo". Disse ainda que o governo quer negociar, mas não aceitará nenhuma imposição. Leia mais. Governo dos EUA rebate Lula: Trump 'é o líder do mundo livre'. A secretária de Comunicação da Casa Branca, Karoline Leavitt, respondeu às críticas que o presidente Lula fez a Donald Trump em entrevista à CNN. Em coletiva de imprensa na Casa Branca, Leavitt foi questionada sobre os comentários. Ela sorriu de forma irônica ao ouvir a frase do brasileiro, e disse que Trump é um "presidente forte" e que mudanças já foram notadas em todo o mundo por conta dessa sua suposta característica. "O presidente certamente não está tentando ser o imperador do mundo", mas é "o líder do mundo livre", disse. A porta-voz ainda confirmou que a decisão de Washington de abrir investigações contra o Brasil é resultado de uma constatação de que, "por anos", o país estaria abalando os interesses dos EUA em diversas áreas comerciais. Congresso sai de férias em pé de guerra com o governo. Começa hoje e vai até o fim do mês o recesso parlamentar no Congresso Nacional. Na volta dos trabalhos, deputados e senadores terão de enfrentar um clima ruim com o governo, que azedou ainda mais na véspera das férias, com derrotas para ambos os lados. Do lado do governo, Lula vetou o aumento de vagas de deputados de 513 para 531, que passaria a valer a partir das eleições de 2026. No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, validou o decreto do governo que aumenta a alíquota do IOF depois de o Congresso ter derrubado. Em resposta à sequência de derrotas, os deputados aprovaram o projeto que dá até R$ 30 bilhões em crédito para o agronegócio, com verba do petróleo e do pré-sal, e passaram a flexibilização das regras para o licenciamento ambiental. A mudança na legislação ambiental pode ser vetada pelo presidente, mas o Congresso também pode derrubar os vetos se receberem 257 votos de deputados e 41 de senadores em sessão conjunta. Saiba mais. Casa Branca diz que Trump sofre de doença venosa crônica. A secretaria de imprensa do governo dos Estados Unidos informou ontem que o presidente foi diagnosticado com uma doença venosa crônica, mas benigna. A porta-voz do governo explicou que Trump procurou um médico porque tinha as pernas inchadas, mas que não há evidência de trombose venosa profunda. Segundo a porta-voz, ele não modificou sua agenda de trabalho e os problemas supostamente não estariam afetando sua rotina à frente do governo. As especulações sobre o estado de saúde de Trump aumentaram nos últimos dias diante de fotos que mostraram hematomas em sua mão. A Casa Branca sustenta que os sinais são de "uma pequena irritação dos tecidos moles causada por apertos de mão frequentes e pelo uso de aspirina, que é tomada como parte de um regime padrão de prevenção cardiovascular". Saiba mais. ONU e UE reagem à aprovação da lei que enfraquece as regras para licenciamento ambiental. O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos declarou ontem que o órgão "compartilha as profundas preocupações com a aprovação dessa legislação, que representa um grande retrocesso para o meio ambiente e os direitos humanos no Brasil". Segundo o chefe do escritório na América do Sul, Jan Jarab, a proposta aprovada "distorce em completo o sistema de proteção ambiental brasileiro que já apresentava sérias imperfeições". Ele disse ainda que espera que o governo vete a proposta. Uma das principais lideranças parlamentares da Europa, a deputada Anna Cavazzini, também criticou a aprovação da nova lei e disse que "isso prejudicará o papel de liderança do Brasil na luta contra as mudanças climáticas, pouco antes de o país sediar a conferência internacional sobre o clima em Belém". A lei aprovada pela Câmara dos Deputados na madrugada de ontem flexibiliza as regras para a obtenção de licenciamento ambiental, e autoriza a mineração em novas áreas de licenciamento, entre outras mudanças. |
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