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Fritz Müller: o naturalista que antecipou Darwin
Fritz Müller foi um naturalista alemão que encontrou no Brasil sua morada definitiva e tornou-se um dos mais sólidos defensores da teoria da evolução de Charles Darwin. Durante mais de quatro décadas em Santa Catarina, dedicou-se a investigações pioneiras que abriram novos caminhos para a Biologia. ![]() Fritz Müller: o naturalista que antecipou Darwin30/7/2025 :: por Marco Pozzana, biólogo Entre os nomes que marcaram a história da biologia, poucos merecem tanto reconhecimento quanto Fritz Müller. Natural de Windischholzhausen, na Alemanha, Müller nasceu em 1822. No entanto, foi em terras brasileiras que ele deixaria sua maior contribuição à ciência. Médico de formação, naturalista por vocação, estabeleceu-se em Santa Catarina, no sul do Brasil, onde encontrou um ambiente propício à observação direta da natureza. Nesse contexto, desenvolveu pesquisas que, embora discretas à época, se tornaram fundamentais para a consolidação da teoria da evolução. Desde muito cedo, Fritz Müller demonstrava uma postura científica ousada. Em plena efervescência das discussões sobre a origem das espécies, ele foi um dos primeiros a aceitar, defender e, sobretudo, testar as ideias de Charles Darwin. Em 1864, publicou "Für Darwin", obra escrita em alemão, em que apresenta evidências empíricas a favor da seleção natural. O livro, amplamente elogiado pelo próprio Darwin, representou a primeira defesa sistemática da teoria evolutiva escrita fora da Inglaterra.
A importância de Müller transcende o mero apoio intelectual; além disso, ele apresentou ideias originais, cuidadosamente elaboradas a partir de suas observações detalhadas da fauna brasileira. Entre suas contribuições mais duradouras, destaca-se o conceito de mimetismo mülleriano, ou seja, um tipo especial de semelhança evolutiva que ocorre entre espécies tóxicas, as quais compartilham padrões de coloração com o objetivo de reforçar, de forma eficiente, a mensagem de perigo aos predadores. Em contraste com o mimetismo batesiano — no qual uma espécie inofensiva imita outra que é perigosa —, o mimetismo descrito por Müller envolve, por sua vez, uma colaboração mútua, na qual todas as espécies participantes se beneficiam simultaneamente. Embriologia comparada, crustáceos e pioneirismoAlém disso, Fritz Müller destacou-se como pioneiro na utilização da embriologia comparada para reconstruir relações filogenéticas. Estudando crustáceos, mostrou que as larvas de diferentes espécies apresentavam traços comuns que refletiam ancestrais compartilhados. Suas análises anteciparam, de forma notável, métodos que se tornariam centrais na biologia evolutiva moderna. Com isso, contribuiu para a compreensão de que o desenvolvimento embrionário é um registro das transformações evolutivas ao longo do tempo. Outro ponto de destaque na trajetória de Müller foi sua vida como cientista autodidata e isolado geograficamente. Embora vivesse distante dos grandes centros acadêmicos, trocava cartas regularmente com Charles Darwin, que reconhecia nele um verdadeiro aliado científico. Essas correspondências revelam o alto nível de sua argumentação, bem como sua habilidade de registrar com precisão dados obtidos em campo. Seu trabalho é, portanto, uma rara combinação de rigor teórico e observação direta. ![]() Cartas: Os amigos Darwin e Fritz Müller Müller também se destacou como educador e divulgador. Escrevia artigos para revistas científicas brasileiras e alemãs, sempre com clareza e compromisso com a verdade. Interessava-se tanto por borboletas e crustáceos quanto por fungos, moluscos e plantas. Em suas caminhadas pela Mata Atlântica catarinense, descobriu novas espécies, documentou comportamentos inéditos e estabeleceu conexões ecológicas até então desconhecidas. Em muitos aspectos, antecipou a biologia de campo moderna. O PRIMEIRO BIÓLOGO EVOLUCIONISTA DAS AMÉRICASEmbora tenha vivido com poucos recursos, jamais abandonou a ciência. Mesmo sem apoio institucional, manteve por décadas uma rotina de coletas, descrições e análises. Por isso, é considerado o primeiro biólogo evolucionista das Américas. Seu nome está ligado à consolidação do darwinismo, à sistemática biológica e à ecologia. Em reconhecimento a seu trabalho, diversas espécies animais e vegetais foram batizadas em sua homenagem, incluindo o peixe Astyanax muelleri e a borboleta Heliconius mullerii. A atuação de Müller foi tão influente que a própria teoria darwinista encontrou no Brasil um campo fértil para se expandir. Suas ideias inspiraram gerações de naturalistas brasileiros, como José Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha e Emílio Goeldi. Ao transformar a natureza tropical em um laboratório vivo da evolução, Müller mostrou que o Brasil não era apenas um cenário exótico para os cientistas europeus, mas um território produtivo para a ciência de ponta. ![]() Acervo do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro LEGADODecerto, hoje, sua contribuição é valorizada em instituições como o Museu Fritz Müller, em Blumenau, e em diversas publicações acadêmicas que resgatam sua obra. Sua abordagem integradora — que combinava ecologia, evolução, embriologia e taxonomia — permanece atual. De certa forma, Müller foi um precursor da biologia sistêmica. Antecipou debates contemporâneos sobre biodiversidade, conservação e evolução. Mesmo tendo falecido em 1897, seu legado continua vivo. Seu nome representa a persistência, o rigor científico e a paixão pela natureza. Fritz Müller ensinou, com seu exemplo, que a ciência pode florescer mesmo em ambientes adversos, desde que sustentada por curiosidade, dedicação e um olhar atento ao mundo natural. Portanto, estudar a obra de Müller é resgatar uma tradição científica comprometida com o entendimento profundo da vida. É também reconhecer a importância do pensamento evolutivo em todas as suas formas — da coloração das asas de uma borboleta ao desenvolvimento embrionário de um crustáceo. Em cada um desses detalhes, Müller via pistas da história da vida. Fontes e referências:
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| ZÉducando |
A história da livraria mais antiga do mundo ainda em operação
Com o principal “mote” deste espaço é EDUCAÇÃO, divulgo esse interessante artigo. A história da livraria mais antiga do mundo ainda em operação A Rua Garrett, em Lisboa, parece resistir ao tempo com a precisão silenciosa de quem já viu impérios subirem e ruírem, séculos escorrerem pelas janelas de seus prédios estreitos. No coração desse percurso irregular está a Livraria Bertrand, com suas salas que se estendem como corredores de uma memória que jamais dorme. Lá dentro, o tempo não passa. Ou melhor: passa devagar, hesitante, como quem respeita o que permanece. Não há espetáculo. Não há efígie. Apenas a presença. E, como toda presença verdadeira, ela é silenciosa, grave, absolutamente viva. Fundada em 1732, a Bertrand não é apenas a livraria mais antiga do mundo ainda em funcionamento, reconhecida como tal pelo Guinness World Records desde 2011. É também uma das mais discretas e, paradoxalmente, uma das mais significativas expressões da persistência da palavra impressa. A sua longevidade não depende da ostentação de feitos passados, mas da íntima relação com o presente — uma relação delicada, quase invisível, sustentada por leitores anônimos e por uma arquitetura da continuidade. A Bertrand sobreviveu a catástrofes naturais, a regimes autoritários, à massificação cultural, à aceleração digital. Foi destruída pelo terremoto de 1755, relocada temporariamente, reinstalada em 1773 no endereço que ocupa até hoje. Viu a cidade mudar ao seu redor, viu a língua portuguesa se expandir e se retrair, viu as estantes se encherem de modismos passageiros e obras definitivas. E nunca cedeu à obsolescência. Há uma autoridade serena em sua permanência. Não a autoridade gritante dos marcos turísticos, mas aquela que nasce do tempo bem vivido, da experiência acumulada em silêncio. Cada sala, cada prateleira, parece saber mais do que mostra. Há um pacto de contenção em tudo ali, como se os livros conversassem entre si em um idioma mais antigo que o português. E é justamente essa contenção que confere à Bertrand sua grandeza. A livraria oferece, mais do que produtos, um espaço de experiência estética, cultural e ética. Estar ali é estar diante da prova de que nem tudo se curva à velocidade. O espaço obriga à desaceleração. O corpo do visitante sente a diferença antes mesmo de compreendê-la. A luz é macia. O piso obriga o caminhar cuidadoso. As salas se sucedem como parágrafos longos, cheios de vírgulas, com pausas e respirações internas. Fundada em 1732, a Bertrand é a livraria mais antiga do mundo ainda em funcionamento — reconhecida pelo Guinness World Records Ao mesmo tempo, há ali uma convivência de contrários que não anula a coerência do espaço. O novo e o velho compartilham estantes. O best-seller laminado repousa ao lado de volumes antigos e pouco manuseados. Essa justaposição não é uma concessão comercial. É uma afirmação da amplitude de uma livraria que entende o livro como organismo social e histórico, e não como relíquia. A Bertrand, mais do que qualquer outro espaço literário em Portugal, oferece essa complexidade sem mediação. Não é um museu do passado. É uma casa onde o passado e o presente dividem a mesma mesa. É um lugar que oferece confiança não apenas por sua idade, mas por sua integridade. Ao longo de quase três séculos, a Bertrand se manteve fiel à ideia fundamental de uma livraria como lugar de encontro — entre leitores e autores, entre palavras e silêncios, entre gerações. Para compreender sua autoridade, é preciso ir além da biografia histórica. A Bertrand foi lugar de passagem e permanência de figuras centrais da literatura portuguesa. Eça de Queirós, Alexandre Herculano, Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa. Mas essa herança não é explorada com autocomplacência. Ao contrário: ela se dissolve no cotidiano, como um perfume antigo. O visitante atento pode sentir, nas dobras do silêncio, as vozes que ainda ecoam. Existe um tipo de confiança que não se ensina, mas se constrói com o tempo. Bertrand oferece exatamente isso. Você não precisa explicar a um leitor por que ele confia no espaço. Ele apenas sente. Talvez porque ali as escolhas editoriais não se impõem, mas sugerem. Talvez porque os funcionários não vendem livros — eles indicam caminhos. Talvez porque as prateleiras, ainda que alinhadas, pareçam mais depositárias de histórias do que organizadoras de produtos. Escrever sobre a Bertrand exige, portanto, um certo cuidado. Não cabe ao texto tentar esgotar o lugar. Nem reduzi-lo a uma curiosidade de almanaque. A Bertrand não é um fetiche de tradição. É um organismo vivo, com suas contradições e suas resistências. O que se escreve sobre ela é, necessariamente, incompleto. Mas isso também é parte da experiência. É possível que nos tempos que correm — esses tempos de algoritmos, de feeds ininterruptos, de consumo imediato — a Bertrand pareça um anacronismo. Mas é exatamente essa sua força. Ela não tenta competir com o presente. Ela permanece como quem sabe algo que o presente ainda ignora. Uma forma de saber que não se grita. Que se sussurra entre livros. Que se aprende com o corpo inteiro. No final, sair da Bertrand é como sair de uma conversa importante. Fica a sensação de que se ouviu mais do que se falou. E que, talvez, ainda haja algo a ser dito. Ou lido. Ou apenas intuído, como um verso que escapa da lembrança mas insiste em retornar. Num mundo onde a permanência tornou-se exceção, a Bertrand continua. E isso não é apenas admirável. É necessário. FONTE: https://www.revistabula.com/108982-a-historia-da-livraria-mais-antiga-do-mundo-ainda-em-operacao/
Julho/2025 Poupatempo arrecada mais de 4,6 mil peças para a Campanha do Agasalho 2025 Doações podem ser feitas nos mais de 240 postos do programa e vão ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade social neste inverno
Desde junho deste ano, o Poupatempo já recebeu 4.680 peças em mais de 240 unidades espalhadas pelo estado de São Paulo. A Campanha do Agasalho é uma iniciativa solidária promovida pelo Governo do Estado e coordenada pelo Fundo Social de São Paulo (FUSSP) para arrecadar e distribuir roupas, cobertores e outros itens de inverno. O foco da campanha é proteger e acolher pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente nos dias mais frios. Leia mais: https://www.agenciasp.sp.gov.br/6atr Acesse agenciasp.sp.gov.br para ficar por dentro das notícias do Governo de SP Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo |
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| 05:10 - 31 DE JULHO DE 2025 |
| Imprensa mundial repercute sanções de Trump ao Brasil e a Moraes |
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| 14:15 - 31 DE JULHO DE 2025 |
| Partido de Bolsonaro expulsa deputado de SP por criticar Trump |
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| Folha de S.Paulo - 31/07/2025 | |||||
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| Estado de Minas - 31/07/2025 | |||||
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| Jornal O Tempo - 31/07/2025 | |||||
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