Na semana que vem, a cidade de Ribeirão Preto (SP) recebe a 31ª edição da Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina. O evento, que deve receber cerca de 200 mil visitantes, tem mais de 800 expositores. Um deles é a Jacto, fabricante brasileira de máquinas agrícolas. Concorrente de gigantes multinacionais como a norte-americana John Deere, a indiana Mahindra e a italiana New Holland, a empresa foi fundada em 1948, no interior de São Paulo, pelo imigrante japonês Shunji Nishimura. Atualmente, a fabricante possui duas plantas fabris na pequena cidade de Pompeia (SP), que possui cerca de 20 mil habitantes —o que aumenta ainda mais o charme da sua disputa no mercado de equipamentos de pulverização, colheita e serviços voltados à inovação no setor com outras gigantes globais. 'Concorrer com multinacionais exige mais do que escala: pede estratégia. Aqui, o caminho passa por proximidade com o produtor, marketing técnico e presença regional. Participamos de mais de 145 eventos por ano', diz Wanderson Tosta, diretor de marketing da empresa. A Jacto ainda possui fábricas na Argentina, Alemanha, EUA e Tailândia, uma linha de montagem na China e centros de distribuição no México, Chile e Nova Zelândia. O UOL Mídia e Marketing conversou com Tosta, que ainda fala sobre o papel dos influenciadores no agro e sobre como a origem no interior paulista molda sua cultura e comunicação. Confira: Como enfrentar o poderio das multinacionais em relação à tecnologia e preço? E como a comunicação pode ajudar nessa missão? A Jacto está com 78 anos e atua em mais de 100 países. Estamos nesse jogo com muitos grandes fabricantes do mundo inteiro. Assim, é necessário olhar essa competição de forma regionalizada. Por aqui, não tentamos competir por escala, porque seria muito difícil. Eles também têm competência, presença global e um nível de investimento bastante alto. Por isso, nosso diferencial está na proximidade, de fato, com o produtor. Na proximidade de entender a demanda do produtor, de entender o que ele precisa, de estar junto com ele. Tanto é que nossa comunicação fala em estar "ao seu lado sempre". Esse é o diferencial: estarmos próximos, termos um entendimento profundo do agronegócio brasileiro -que, aliás, é um dos mais complexos do mundo, principalmente por tirar até três safras dentro de uma área só. E como isso se traduz no marketing? Os produtos são muito técnicos. A jornada do produtor rural é bem diferente do varejo de outros segmentos: ela é muito longa, a compra é decidida com um nível de racionalidade gigante. A escolha desses equipamentos impacta muito no resultado da safra. Até por isso, o marketing precisa ser muito mais técnico, do seu ponto de vista argumentativo, de mostrar para o produtor qual o benefício de comprar aquela máquina. O marketing precisa fazer as mensagens certas chegarem no produtor de uma maneira muito efetiva, de uma maneira simples, fácil, e de como isso impacta na sua operação. Grandes eventos, como a Agrishow, seguem sendo cada vez mais relevantes. Como alcançar quem não acessa esse tipo de encontro? Os eventos como a Agrishow seguem extremamente relevantes porque têm participação de muitos clientes e de fornecedores de todos os lugares do mundo. Mas houve uma grande descentralização desses eventos. Ao longo do tempo, outros menores, mas também relevantes, foram criados, exatamente para conseguirmos levar todas as tecnologias e os produtos para outras regiões do Brasil. Hoje, para você ter uma ideia, a Jacto participa de 145 eventos no ano, sendo cerca de 120 deles no Brasil. Se olharmos para a média, quase todo dia a gente está em um evento diferente. E o papel das redes sociais e influenciadores tem crescido no marketing do agro? O marketing tem passado por muitas mudanças. Há essa digitalização, mas a gente também fala de mudança geracional. O pai está fazendo a sucessão do filho, muita gente nova já está assumindo o comando das empresas. A gente tem usado o marketing de influência em situações pontuais, mais regionais. O primeiro ponto é que esse influenciador precisa passar credibilidade. Ele precisa conhecer bem o mercado, conhecer bem o produto. O influenciador mais regional, por exemplo, tem uma grande importância para a gente. Também temos o lado da produção de conteúdo. Temos uma equipe própria que consegue extrair bastante coisa boa das conversas com o produtor nos eventos. Isso é fundamental. Fizemos webséries, por exemplo, com o produtor falando das histórias, da atuação, de sustentabilidade, mas sempre com o olhar próprio. A origem no interior de São Paulo ajuda na narrativa da marca? Ser uma empresa de uma cidade pequena e até meio distante dos grandes centros ajuda. De alguma forma, ficamos conectados a uma realidade do interior mesmo. Isso cria muita sinergia com o próprio produtor, com o campo. Não tenho dúvida de que isso, ao longo do tempo, molda a nossa cultura. |