Agatha Christie sabia como poucos se esconder à vista de todos.
Ela se apresentava como uma senhora mais velha e afável, com casaco de pele, amante da jardinagem, da boa comida, da família e dos cães. Por trás dessa aparência gentil, divertia-se tramando histórias de envenenamentos, traições e sangue — sucessos de venda.
E oferecia poucas pistas sobre o funcionamento interno de sua mente engenhosa.
Christie era cronicamente tímida, mas, em 1955, foi convencida a conceder uma entrevista incomum em seu apartamento em Londres para uma reportagem de rádio da BBC.
Nela, a autora revelou como uma infância pouco convencional despertou sua imaginação, por que escrever peças de teatro era mais fácil do que escrever romances e como conseguia terminar um livro em três meses.
Nascida em 1890, em uma família próspera, Agatha Miller teve sobretudo educação domiciliar.
Quando perguntada sobre por que se dedicou à escrita, Christie respondeu: "Atribuo isso ao fato de nunca ter tido uma educação formal".
"Talvez seja melhor esclarecer admitindo que acabei indo à escola em Paris quando tinha cerca de 16 anos."