(...) Por causa do marco de Roger Ackroyd — e também pelos 50 anos de sua morte, em 12 de janeiro de 1976, aos 85 anos—, editoras no mundo inteiro preparam ações para alguns dos quase cem livros que ela escreveu, entre histórias de detetives, contos e romances sob o pseudônimo de Mary Westmacott. A British Library, em Londres, também organiza uma grande exposição para outubro, com material, como objetos pessoais e gravações da autora, que ajuda a dimensionar seu legado na ficção policial e a explicar por que ela permanece uma das autoras que mais despertam interesse no mundo.
A máquina de escrever modelo Remington, de 1937, usada por Agatha Christe e que será exposta na British Library — Foto: The Christie Archive Trust
Um exemplo: a Netflix acaba de adaptar em forma de minissérie o livro “O mistério dos sete relógios”, de 1929. Outro: em “Marty Supreme”, longa que concorre ao Oscar 2026 de melhor filme e se passa nos anos 1950, o nome dela é citado como sinônimo de sucesso.
— As histórias de Agatha Christie funcionam porque ela pega um mundo aparentemente seguro e rompe-o com um assassinato, por exemplo — diz ao GLOBO, por Zoom, a professora Gill Plain, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e pesquisadora de ficção policial há 30 anos, sobre o sucesso atemporal da autora. — Justamente quando as coisas parecem desmoronar, surge a figura do detetive que, de alguma forma, organiza tudo, identifica um único culpado, um bode expiatório, e restaura a estabilidade da sociedade. Traz uma ilusão agradável, mesmo depois de ler muito desses livros. Isso, de alguma forma, toca nas nossas ansiedades e tenta remendá-las ao mesmo tempo. (...)