Quando você, leitor, ouviu falar sobre a polilaminina pela primeira vez? Eu esbarrei em um post no Instagram em fevereiro de 2026. Animada, compartilhei com familiares a mensagem, que dizia que a bióloga Tatiana Sampaio, coordenadora da pesquisa na UFRJ, era "a mulher mais influente do Brasil". "Tá fazendo tetraplégico andar", dizia a publicação. Lembrei desse episódio no início da apuração da reportagem que mostra os bastidores da 'febre' da polilaminina, medicamento experimental que promete devolver movimentos a pacientes com lesão na medula. Ainda não há, no entanto, segurança e eficácia comprovadas. No último mês, ouvi 22 pessoas para reconstituir como o laboratório Cristália, responsável pela fabricação da molécula, perfis virais bem remunerados e o governo Lula impulsionaram o medicamento. Foram horas de entrevistas com pessoas que tiveram contato com o tema e poderiam ajudar a explicar como a pesquisa, desconhecida do grande público até setembro do ano passado, viralizou. Cheguei a uma oferta de parceria paga, enviada a influenciadores por uma agência que trabalha para a farmacêutica, neste ano. O "projeto estratégico" previa, por exemplo, gerar "conversas qualificadas sobre o tema". A descoberta provocou, segundo o Cristália, a demissão de profissionais por violação ao código de ética da empresa.
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