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As tarifas e o declínio da política externa americanaSe as tarifas não representam o declínio americano, representam pelo menos o declínio da política externa americana
Talvez o pior nas tarifas sejam as razões invocadas. Ouçam bem, que a explicação oficial dá vontade de rir: “a extraordinária ameaça colocada pela emigração ilegal e pelas drogas ilegais, incluindo o mortífero fentanil, constitui uma emergência nacional”. Ameaça e emergência nacional, dizem. É desta forma canhestra que contornam as regras do comércio pretendendo estar acima da lei internacional – a lei que eles próprios propuseram e aprovaram. Acima dos outros, basicamente Não, não são tarifas, são uma espécie de tributo imperial. Como se todo o mundo tivesse de pagar para que os Estados Unidos existam.
As tarifas não são uma decisão económica legitima, mas uma absurda imposição fundada em explicações infantis. Elas têm um duplo efeito – ambos maus para os próprios Estados Unidos. O primeiro é que afeta o prestígio americano e torna o país pouco fiável. O segundo é que as tarifas nunca foram a boa receita para melhorar a competitividade das empresas americanas – o resultado mais óbvio é que, no fim de contas, acabarão por representar mais um imposto sobre os consumidores americanos. [...]
Trecho da Coluna ICL Notícias por José Sócrates >>Leia coluna completa [...] |