Pode-se dizer que o ovo está em alta desde o ano passado —desde quando a fisiculturista e influenciadora digital Gracyanne Barbosa virou a 'rainha da granja'.
Primeiro, no Big Brother Brasil 25, ela voltou a falar que consumia cerca de 40 ovos por dia (e brigou por eles enquanto esteve no reality). Depois, no final do ano, 'enganou' a internet ao lançar uma marca do produto, em uma campanha publicitária da plataforma de comunicação visual Canva.
Agora, na semana passada, o meme virou realidade: em parceria com a Granja Faria, uma das maiores do país no setor, Gracyanne anunciou o lançamento da GracIANA Ovos.
A linha possui um mix de ovos especiais da marca, incluindo versões com Ômega 3, Selênio, Gourmet, Caipira, Orgânico e Extra. O objetivo é reforçar o posicionamento do produto como 'proteína essencial para saúde, rotina e performance'.
57 bilhões de ovos por ano
O que parece ser uma brincadeira (ou um exagero), envolve um mercado extremamente relevante no Brasil. Apesar da sua aparência simples, o produto envolve uma complexa cadeia de produção e alcança os quatro cantos do país.
Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o Brasil é o quinto maior produtor de ovos do mundo. Em 2024, o país fabricou nada menos do que 57 bilhões de ovos —uma média de 1.800 por segundo. O consumo per capita supera a marca de 300 unidades por ano.
Mas como mostrar ao consumidor que ovo 'não é tudo igual'?
'O ovo sempre esteve em 99% dos lares, mas nunca teve marca. Foi aí que resolvemos trazer as várias personalidades da Gracyanne, justamente para mostrar que você pode exercer sua 'skin' de acordo com a sua necessidade de consumo', explica Renata Grahl, gerente de marketing da Granja Faria.
Não é a primeira vez que uma marca de ovos investe pesado em publicidade para mostrar os benefícios do produto. Em 2022, a Ovos Mantiqueira fez um grande rebranding de sua marca, com assinatura da agência Ana Couto. Hoje, a marca possui e-commerce, lojas próprias e até um clube de benefícios.
Agora é a vez da Granja Faria, que completa 20 anos em 2026, mostrar suas armas. A campanha com Gracyanne, por exemplo, terá a presença de influenciadores, conteúdos em vídeo e iniciativas de relações públicas voltadas aos universos de saúde, fitness e marketing.
'Estamos na época do ano em que mais se vendem ovos', completa Renata, ao lembrar da Quaresma, período entre o Carnaval e a Páscoa em que os católicos diminuem o consumo de carne.
Para entender um pouco mais sobre a estratégia, a reportagem de UOL Mídia e Marketing conversou com a executiva. Confira:
A parceria com Gracyanne nasceu de um meme e virou produto real. Qual foi a estratégia por trás disso?
A gente entendeu que ali existia uma oportunidade rara: um símbolo cultural já associado ao ovo. A Gracyanne, provavelmente, é a maior influenciadora da categoria no Brasil. Então usamos essa força para mostrar algo que o consumidor ainda não percebe: ovo não é tudo igual. A campanha brinca com isso, mostrando diferentes versões dela, diferentes 'skins', para explicar que existem ovos com funções e benefícios diferentes.
O ovo é commodity. Como transformar isso em marca?
Esse é o principal desafio. O ovo já está presente em praticamente todos os lares, então não precisamos gerar conhecimento da categoria. O que precisamos é educar o consumidor. Mostrar que há ovos com ômega-3, com selênio, ovos especiais para cozinhar, ovos com mais proteína e embalagens para custo-benefício, por exemplo. Existe um portfólio enorme. Nosso objetivo é diferenciar a categoria.
A empresa completa 20 anos em 2026. O que mudou ao longo dessa trajetória?
A Granja Faria nasceu no ovo fértil, aquele que vira pintinho. Cresceu ao comprar outras granjas e hoje temos 13 operações comerciais espalhadas pelo Brasil, com distribuição nacional. Mas tínhamos várias marcas regionais e nenhuma marca relevante nacionalmente. A entrada mais forte em marketing vem para resolver isso: construir marca e diferenciação em uma categoria pouco trabalhada.
O que sustenta o posicionamento de qualidade da empresa?
A base é a alimentação das galinhas. O Ricardo (Faria, proprietário da companhia) sempre fala isso: se você trata bem a galinha, ela te devolve ovos melhores. Nossa alimentação é de altíssimo padrão e isso se reflete na qualidade, como a cor da gema, por exemplo. A gente tem orgulho do produto em todas as faixas.
Depois do lançamento, qual é a próxima fase da estratégia com a Gracyanne?
Agora entramos na fase de explicação. Mostrar na prática a diferença entre os ovos, o motivo de o preço variar, o benefício de cada tipo. É construção de marca. Pela primeira vez temos uma estratégia nacional integrada, com embalagens mais chamativas e comunicação consistente.
A Granja Faria vem apostando em iniciativas além da gôndola. Como isso se conecta com a marca?
Temos a rede de restaurantes Eggy, focada em pratos com ovos, e o 'Ovo de Novo', que é um grande hub de receitas. Isso ajuda a ampliar o consumo e mostrar versatilidade. Nosso objetivo é sair da casca: transformar o ovo em base para novos produtos, conveniência e valor agregado.
Estamos trabalhando com o departamento de Engenharia de Alimentos da Unicamp (universidade paulista) para desenvolver produtos transformados a partir do ovo —novas formas de consumo, mais conveniência e maior valor nutricional. A categoria tem um potencial enorme, especialmente com o crescimento da demanda por proteína.