A Conferência Nacional com 50 pessoas que Querem Separar o Sul do Brasil
O restaurante de um hotel sem estrelas em Passo Fundo, no norte do Rio
Grande do Sul, se transformou em auditório por um fim de semana. Entre
mesas cobertas com toalhas listradas e cadeiras de madeira com estofado
xadrez, cerca de 50 pessoas acompanham a discussão entre o presidente do
movimento O Sul é Meu País, Celso Deucher, e um dos membros do grupo:

Fotos são da própria autora. - O MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) obriga que tenha a bandeira do Brasil. Está no estatuto deles - diz o integrante, que veste bombacha e camisa pólo.
- São entidades que foram cooptadas. Ainda vamos ter de bater de frente com eles. Os CTGs (Centros de Tradições Gaúchas) serão nossas sedes no futuro, mas ainda vamos ter de aprender a falar com esses caras - afirma Deucher. É dia 20 de setembro, um sábado frio e de céu azul na cidade de 180 mil habitantes. Desde 1845, a data marcao fim o
início da Guerra dos Farrapos e a rendição às tropas imperiais. Desde
algum tempo depois disso, virou a época em que o Rio Grande do Sul se
transforma em uma pátria à parte. A mesma rua que treze dias antes era
verde e amarela pela independência do Brasil, hoje recebe uma parada com
fileiras de cavalos, cidadãos pilchados com roupa típica e carros
decorados lembrando façanhas que sirvam de modelo a toda terra. Na
reunião ocorrida na tarde desse mesmo dia, Celso Deucher, um catarinense
de cerca de 50 anos, conhecido por ser o autor do livro que serve como
guia para o movimento, havia desabafado em sua fala de abertura do XXII
Congresso Nacional, desencadeando o debate:
- Apesar de respeitar a bandeira nacional, fico indignado de ver um
gaúcho carregando a bandeira do Brasil nessa data! A bandeira que matou
tantos irmãos, responsável por derramar sangue nessa terra!
No dia seguinte, quando se senta à frente de um gravador para uma
entrevista sobre os ideais do movimento separatista que preside há
quatro anos pela segunda vez, Deucher não quer falar sobre o MTG.
-Não temos nenhum problema (faz uma pausa). É que, assim, cara, nós não
podemos ficar ligando as duas coisas, não é...estrategicamente, não é
negócio. (Coloca a mão sobre o telefone que grava a entrevista) Desliga
aí que eu te conto.
- Não, não. Mas aí eu não posso colocar na entrevista.
-Mas é para ti (sic) não botar.
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O Movimento O Sul é Meu País surgiu em 1992 na cidade de Laguna, Santa Catarina, com a proposta de separar Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do resto do Brasil. Segundo Celso Deucher, contabilizando os simpatizantes nos três Estados, atualmente há 6 milhões de pessoas em torno da ideia. A página oficial no Facebook registra pouco mais de 16 mil curtidas. São mais um, talvez o maior, entre os 53 movimentos separatistas que já apareceram na região. No site oficial, a organização se apresenta como "a consequência, de cujas causas não podemos ser acusados".
No encontro, quando os separatistas do grupo falam das óbvias razões
que possuem para se separar do Brasil, volta e meia recaem sobre a
crítica à corrupção e à política nacional. Dizem aceitar pessoas de
todos os credos, raças e tendências políticas, desde que o indivíduo
esteja “imbuído do desejo separatista”. Na fala dos líderes e
palestrantes, “tudo que está errado” é traduzido em repulsa ao Bolsa
Família, às cotas raciais, ao processo do Mensalão.
“A gente vê o governo abrindo mais vagas no Bolsa Família, mas não vê
postos de trabalho”, reclama Deucher. “Nós queremos nos livrar, porque
esse Estado, Brasília, não nos representa. Ele não diz nada para nós, o
que ele diz é só coisa ruim”, conclui. A rejeição a Brasília é o mote
dos panfletos que os membros imprimem com dinheiro do próprio bolso e
distribuem em suas cidades. O mais recente lembrava que, em 2013, os
três Estados do sul arrecadaram 152 bilhões de reais, mas tiveram
“retorno” de apenas 29,3 bilhões. Em letras amarelas, o movimento faz a
conta: 80% “do total arrecadado não retornou aos estados”.
Eles acreditam que a distribuição das contas desencadeou um processo de
“favelamento do sul”. Fundador do movimento separatista paranaense
República das Araucárias, Helio Ribas Micheleto chegou a ser demitido do
emprego em 1993 por sua ligação com a causa. Nem por isso se afastou do
movimento ou deixou de usar na lapela do paletó o broche que carrega o
símbolo dos três Estados. “Hoje, os dez maiores municípios do Paraná, de
Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, municípios com mais de cem mil
habitantes, estão cheios de favelas. (...) De onde é que veio isso aí?
Gerado pela pobreza, pela falta de investimento federal, deixando os
governadores sem dinheiro e, consequentemente, os municípios”, afirma.
Os separatistas também se creem injustiçados na representação
parlamentar. Deucher reconhece que algumas das “oligarquias que tomaram
conta do Estado nacional” são do sul. Ainda assim, acredita que o
cálculo do quociente eleitoral - que divide o número de eleitores pelo
número de cadeiras disponíveis - faz com que o sul nunca seja ouvido.
“Como eu preciso de 17 catarinenses para valer um voto de um cara, sei
lá, do Acre? De onde que saiu essa conta tão louca que um tem que ter
poder econômico e outro tem que ter poder político? Num tempo em que o
voto universal é um voto, como que isso continua acontecendo no Brasil,
né? Essa questão aí, ela é seríssima. Por quê? Porque ela tira o valor
como cidadãos que nós temos, como brasileiros. Tira a nossa força de
lutar por aquilo que nós queremos”, frisa.
Na conferência, as “oportunidades” de expansão do movimento e formas de
se espalhar a ideia são discutidas durante uma Oficina de Planejamento
Estratégico. Um dos participantes sugere que o movimento utilize a mesma
estrutura do marketing multinível - o polêmico esquema de pirâmide no
qual se baseiam empresas como a Telexfree e a BBom
-, esclarecendo que aqui não entraria dinheiro. Ele explica que uma
pessoa seria responsável por integrar outras três à organização; essas
três, outras três; e assim por diante. Outro integrante reconheceu na
ideia uma estratégia também utilizada por igrejas evangélicas para
arrebanhar mais fiéis: “Ah, sim, na igreja chamamos isso de igreja em
células. Pode funcionar!”, exclama.
Mas a polêmica maior é o ter ou não ter participação ativa na política
brasileira. Um dos participantes, Hermes Aloisio, vice-presidente do
movimento em Passo Fundo, foi também candidato a vice-governador do Rio
Grande do Sul pelo PRTB, o partido de Levy Fidelix. No programa de
governo de sua coligação, o plebiscito pela “autodeterminação política e
econômica” é uma promessa. Deucher tenta se afastar disso. Fala que
alguns políticos já demonstraram interesse em apoiá-los: “Só que nós não
queremos esses apoios, entendes? Porque os caras são sujos, pô”.
O último apoio, indireto, veio no dia 23 de setembro. O senador do PMDB
de Santa Catarina, Luiz Henrique Silveira, publicou um artigo a
respeito do plebiscito pela separação da Escócia do Reino Unido, em que
escreve: “O que diziam os eslovacos? É o mesmo que dizem milhares de
pessoas nas ruas e nas praças de Edimburgo e Barcelona: os escoceses e
os catalães produzem a riqueza e Londres e Madri ficam com a parte do
leão. É a mesma causa defendida por Bento Gonçalves e Giusepe Garibaldi,
na Revolução Farroupilha. É o mesmo motivo que leva muitos brasileiros
do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul a sonharem com a
criação de um país independente”.
Mas há muito mais do que economia por trás dos sonhos separatistas.
Na mesma época em que os catarinenses tentavam reunir os três Estados
sulistas em torno da causa com a fundação de O Sul é Meu País, em Porto
Alegre, a República Federativa dos Pampas virava notícia nacional. Em
1993, Irton Marx, presidente da organização que defendia um território
independente só para os gaúchos, protagonizou uma reportagem no Jornal
Nacional da Rede Globo defendendo um país que falasse alemão. Acabou
sendo acusado de nazista e processado pelo Estado. Uma imagem que -
mesmo com a absolvição de Marx - ainda assombra os separatistas de hoje.
“O cara (Marx) criou um país inteiro. Ele sentou numa mesa e - com o
perdão da palavra - se masturbou com a ideia e botou tudo ali. (...) Ele
era radical, personalista, era ele que era o gostosão do negócio. Era
ele que ditava as ordens, e isso começou a desagradar todo mundo”,
critica Deucher. Depois da secessão sulista, o movimento representado
por ele decidiu se legalizar, registrando inclusive um CNPJ, se
formalizando como pessoa jurídica.
O presidente alega que, na década de 1990, o grupo foi espionado pelo
governo. Pessoas que se apresentavam como interessados na causa
participavam das reuniões, gravavam conversas e, um tempo depois,
aparecia um processo contra os separatistas. Outras vezes,
recém-chegados pediam a palavra e revelavam um discurso fascista.
Deucher conta que isso ainda se repete vez ou outra. Há oito meses, um
militar da reserva gravou um dos encontros e registrou representação
contra ele no Ministério Público com base na Lei de Segurança Nacional.
Ainda que Deucher critique o personalismo de Irton Marx, é difícil
separar sua figura de O Sul é Meu País. Ele mesmo admite ser procurado
para palestras dentro dos movimentos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de
Janeiro e Amapá como referência do assunto. “Durante os anos, eu me
especializei em Direito de Autodeterminação dos Povos. Talvez, assim,
como professor, eu seja um dos maiores especialistas sobre isso na
América Latina. Que é o quê? O estudo do significado desse direito”,
conta. Um dos 27 livros que publicou (O Sul é Meu País), que
estava à venda sobre uma mesa durante o encontro por R$ 25 reais, serve
como referência constante nas falas dos integrantes. Na discussão sobre
estratégias de disseminação da causa, impulsionar a venda da obra foi
uma das questões apontadas. Um dos presentes chegou a brincar: “Bota uma
Polar junto que vai vender rapidinho”, se referindo à cerveja gaúcha
que usa a hipérbole do orgulho sulista em suas peças publicitárias.
Para o jornalista, professor e empresário Celso Deucher, o separatismo é
pessoal. Vem daí sua terceira razão para a criação de um novo país: “É
tu te sentir parte de um país. Nós não nos sentimos brasileiros. Não sei
o porquê. Não sei o que é que houve. Cara, como é que tu vai me obrigar
a me sentir brasileiro? Entendeste? Não tem outra nacionalidade que eu
me sinta mais. Eu não me sinto alemão, não me sinto italiano, não me
sinto nada: eu me sinto sulista”, revela. Assim como a maioria dos
separatistas reunidos na conferência, além da geografia e mesmo a neve
que, para eles, “respeita os limites geográficos” e não cai em São
Paulo, o que os afasta da ideia do Brasil como nação é que o país passou
a representar vergonha moral.
Celso Deucher.
- Esse sentimento interno, essa coisa dentro de mim, dentro de milhões
de outras pessoas, de não se sentirem brasileiros, de terem vergonha de
serem brasileiros, de quando perguntada ‘De que país tu é?’,
‘Cara...meu, eu sou do Brasil, bicho. Desculpa’. Entendeste? Tu implorar
desculpas pras pessoas por ser do Brasil. Cara, eu não sou daquele país
lá da bunda grande, da mulata puta, do não sei o quê – eu não sou.
Peraí, cara. Não é isso. Sabe, essa imagem que o Brasil faz questão de
passar. Sabe, do tráfico humano, do tráfico sexual. Sabe, esse país
erótico em que as menininhas com doze anos colocam os peitinhos para
fora e chamam os gringos pra virem comer elas (sic). Esse país não é o
meu, cara - destaca.
“Mas tu não achas que exploração sexual acontece no sul também?”,
perguntei. - Acontece, acontece muito, justamente por quê? Porque nós
temos lá inclusive uma sulista, uma Xuxa da vida, que erotizou a
mulheradinha desde pequenininha. Qual é o negócio? Mostra a bundinha,
filha. Mostra os peitinhos, filha. Diz que tu é gostosa, filha. Tu me
entendeu? Quem é que fez isso, onde é que tá a mística desse troço aí?
TV e outros meios de comunicação que sempre trabalharam isso como
produto nacional. Nós somos um povo querido, alegre, e nossas mulheres
são as mais gostosas. Não é isso? É isso que nós vendemos lá fora”.
Rebati: ‘Tu não achas que isso também é cultura do sul, de certa
forma?” -Não, não é. Aqui, o pai olha para a filha e diz: ‘Filha, tu vai
te formar’. (...) Não que os outros povos sejam: ‘Ah, os outros são
vadio (sic) e nós somos trabalhador (sic)’, não é essa a questão. (...)
Nós reconhecemos, o sul reconhece, que tu só pode prosperar via
trabalho. Tu não vai prosperar ficando deitadinho na rede ou se ficar
coçando as partes como a gente diz, deitadinho, esperando que o governo
dê alguma coisa para ti. Uma Bolsa Família, uma Bolsa-não-sei-o-quê,
esse paternalismo estatal.
A Constituição de 1988 estabelece em seus princípios fundamentais, no
Artigo 1º, que a República brasileira é “formada pela união indissolúvel
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”. No entanto, também
garante “a livre expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação” e concede a “liberdade de associação para
fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar”. Os separatistas do sul
se inspiram nos movimentos da Escócia, de Québec e da Catalunha. A
região anexada pela Espanha no século XVIII,
aliás, teve seu pedido de plebiscito negado pelo Parlamento Espanhol,
mas aprovado dentro do Parlamento catalão. No dia 19 de novembro, as
urnas vão revelar a vontade da maioria.
Casos assim levam os separatistas brasileiros a acreditar que, tendo
representação parlamentar, podem conseguir seu plebiscito: “Temos
bancada evangélica, pecuarista, de direitos dos homossexuais; é disso
que precisamos: uma bancada separatista”, explana Emerson Leme,
professor de Londrina responsável pela Oficina de Planejamento
Estratégico da conferência.
Pouca gente sabe que os movimentos separatistas do sul continuam ativos
e operantes. Ou que exista o Nordeste Independente. Ou que o Rio de
Janeiro também tenha começado o seu próprio, sob os dizeres: “Covardia
tem limite. Se a federação se voltou contra nós, hora de nos voltarmos
contra a federação”. Mas os membros não se importam, usam como mote de
motivação.
Anidria da Rocha, mãe de cinco filhos, se uniu ao movimento há dez
meses e já se transformou em uma de suas maiores forças de trabalho. Em
oito meses, ela recrutou mais de três mil pessoas em sua cidade, São
Jerônimo, município de 22 mil habitantes na região metropolitana de
Porto Alegre. Segundo Anidria, todos os filhos - exceto a caçula de dois
anos - militam pela causa. Ela conta, orgulhosa, que a filha do meio,
de 14 anos, chega a passar horas no telefone conversando sobre a ideia
com amigos: “Eu digo pra ela: isso aí é uma independência que a gente
vai buscar e que vocês vão viver. Eu e o pai de vocês não vamos viver
isso aí. Vai demorar um pouco para acontecer, e a gente não vai viver.
Vai ser para vocês”, salienta.
Rafael Sardá.
Os jovens são parcela representativa no movimento. Em uma das
discussões, Deucher chega a se emocionar falando sobre isso: “Os pais
nos chamam de nazistas e os filhos nos apoiam...Isso é o que vale, tirar
essa ideia do chão”, destaca com a fala embargada e sendo abraçado por
companheiros. Entre os jovens, está o catarinense natural de
Florianópolis, Rafael Sardá, 19 anos.
Sardá começou a militar pela causa ainda com 16 anos. Descobriu o
movimento pela internet, depois de uma conversa com o pai sobre por que o
sul era diferente do Brasil. O pai, no entanto, não é separatista nem
participa dos eventos com o filho. Ainda na escola, Rafael enfrentava
discussões com professores e colegas, alguns favoráveis, outros nem
tanto. “Muitos acham que eu sou um bandido, que eu tenho que ser preso,
sendo que eu não cometi nenhum crime. A gente age de acordo com a
Constituição; a gente tem liberdade de pensamento, de expressão. Mas
eles acham que eu sou um câncer no país, que é falta de nacionalismo
meu”, conta. O lado contrário não o intimida: “Eu mandei costurar uma
bandeira e carrego para os lugares. Peguei um cano de pvc, amarrei a
bandeira e saí com ela pela cidade, as pessoas me perguntavam. Acho isso
legal”.
E ele entrou de cabeça na causa. Na Conferência, Sardá apresentou o
hino que compôs para o futuro novo país que sonha conquistar, intitulado
“Um Grito no Sul do Mundo”. Segundo ele, a inspiração veio da
Marselhesa e do Hino da URSS. “Eu não sou comunista, mas, durante aquele
curto período de tempo, eu me torno comunista, eu quero ser comunista.
Depois, eu volto ao normal”, explica para a plateia enquanto passa
slides explicando a letra de sua obra. Deucher, porém, avisa que o hino
não é oficial, é apenas a colaboração de um companheiro. Ele não quer
que nada pareça apressado.
Deucher é um norte para os sulistas reunidos na bandeira celeste de seu
grupo. Na hora em que discutem a redação dos valores e da missão,
inspirados em empresas como a Coca-Cola e a Unilever, é para ele que
olham, buscando uma referência. Ele calcula cada passo. Agora, diz,
estão na fase de recrutar pessoas para ter força quando o momento do
plebiscito chegar. Para isso, não se opõe explicitamente a nenhuma
causa, a nenhum partido, a nenhuma ideia. A posição sobre as demarcações
de terras indígenas, por exemplo, um dos conflitos mais negligenciados
pelo poder público no sul do país, é prova disso.
Vários integrantes desfilaram na conferência com a frase “Esta terra
tem dono” estampada no lado esquerdo do peito. Alguns dizem que ela foi
proclamada por Sepé Tiarajú enquanto ele era assassinado pelos
espanhóis, em São Gabriel, no Rio Grande do sul. Outros, que era o grito
de guerra usado pelo Cacique Guairacá em batalhas nas terras de Santa
Catarina. Concordam que os índios são os donos da terra, mas chegam a
dizer que a história do povo do sul começa com a fundação dos Sete Povos
das Missões. Deucher lembra que fala por si, não pelo movimento, e diz
acreditar que um possível país independente saberia lidar melhor com a
questão do que o Estado brasileiro atual:
“Nós temos de achar um meio de que o índio possa manter sua cultura e
suas terras tradicionais. Agora, ele também tem de saber que nós estamos
em um outro mundo e que, hoje, ninguém mais caça para sobreviver. Você
tem o trigo, você tem o arroz, você tem o feijão. O índio do sul
praticamente se aculturou. ‘Ih, cara, só porque ele se aculturou, nós
vamos deixar o cara à margem da sociedade? Vamos jogar o cara na beirada
da estrada e ele vai passar o resto da vida dele ali?’. Que tipo de ser
humano nós somos, então? Então, nós temos de achar um meio, e isso os
governantes não gostam de enfrentar, porque depende de criar ambientes
que essas pessoas possam voltar a ser aquilo que elas são ou a fazer
aquilo que o Cacique, aquele Cacique Mimbiá de Florianópolis, fez. Ele
foi pra universidade, estudou, é advogado e está aí concorrendo como
qualquer cidadão comum. Eu convivo, tenho muitos alunos indígenas. Não
indígena que anda pelado por aí. Indígenas, em que tu olha para ele
etnicamente e: ‘Cara, tu é um índio’. Os antepassados deles viviam no
mato ali; no entanto, eles estão lá, estão estudando como qualquer outro
ser humano”, frisa.
Odilon Xavier, o novo presidente do MTG e Deucher.
O movimento, de fato, é bastante democrático para ouvir ideias. Enquanto defende ser uma organização horizontal, elege a nova diretoria executiva - que trocou o presidente por Odilon Xavier, um gaúcho, respeitando o revezamento entre os três Estados - e acompanha a palestra “Líderes para um Sul Livre”, baseada em ensinamentos de Gandhi e Abraham Lincoln. Nela, o palestrante Ozinil Martins de Souza, também professor, abordou desde a arte de falar em público à ameaça do crescimento muçulmano no mundo. “Eu sou politicamente incorreto, tá, gente? Eu odeio o politicamente correto, é uma coisa que me agride”, esclarece entre suas considerações.
Na semana em que a Escócia votou seu plebiscito, uma rádio do Rio Grande do Sul promoveu uma enquete pedindo a opinião dos gaúchos sobre o separatismo. O resultado: 12.834 votos para o sim (74%) contra 4.487 para o não (26%). Uma petição no Avaaz pedindo o plebiscito já passou das cinco mil assinaturas. Na hora de reunir pessoas, número é prioridade. Por isso, não convém fazer inimigos.
Fotos são da própria autora. - O MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) obriga que tenha a bandeira do Brasil. Está no estatuto deles - diz o integrante, que veste bombacha e camisa pólo.
- São entidades que foram cooptadas. Ainda vamos ter de bater de frente com eles. Os CTGs (Centros de Tradições Gaúchas) serão nossas sedes no futuro, mas ainda vamos ter de aprender a falar com esses caras - afirma Deucher. É dia 20 de setembro, um sábado frio e de céu azul na cidade de 180 mil habitantes. Desde 1845, a data marca
O Movimento O Sul é Meu País surgiu em 1992 na cidade de Laguna, Santa Catarina, com a proposta de separar Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do resto do Brasil. Segundo Celso Deucher, contabilizando os simpatizantes nos três Estados, atualmente há 6 milhões de pessoas em torno da ideia. A página oficial no Facebook registra pouco mais de 16 mil curtidas. São mais um, talvez o maior, entre os 53 movimentos separatistas que já apareceram na região. No site oficial, a organização se apresenta como "a consequência, de cujas causas não podemos ser acusados".
O movimento, de fato, é bastante democrático para ouvir ideias. Enquanto defende ser uma organização horizontal, elege a nova diretoria executiva - que trocou o presidente por Odilon Xavier, um gaúcho, respeitando o revezamento entre os três Estados - e acompanha a palestra “Líderes para um Sul Livre”, baseada em ensinamentos de Gandhi e Abraham Lincoln. Nela, o palestrante Ozinil Martins de Souza, também professor, abordou desde a arte de falar em público à ameaça do crescimento muçulmano no mundo. “Eu sou politicamente incorreto, tá, gente? Eu odeio o politicamente correto, é uma coisa que me agride”, esclarece entre suas considerações.
Na semana em que a Escócia votou seu plebiscito, uma rádio do Rio Grande do Sul promoveu uma enquete pedindo a opinião dos gaúchos sobre o separatismo. O resultado: 12.834 votos para o sim (74%) contra 4.487 para o não (26%). Uma petição no Avaaz pedindo o plebiscito já passou das cinco mil assinaturas. Na hora de reunir pessoas, número é prioridade. Por isso, não convém fazer inimigos.
Querem Separar o Sul do Brasil
Movimento O Sul é o Meu País
Saúde, Sorte e $uce$$o: Sempre.
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