Quase metade das crianças grávidas após estupro chega tarde ao pré-natal no Brasil
[Folha de S.Paulo] Quatro em cada dez crianças brasileiras com até 14 anos que engravidam após sofrer violência sexual não conseguem acessar o pré-natal no período considerado ideal pelos profissionais de saúde. Entre meninas com até 12 anos, apenas 44,4% iniciam o acompanhamento no primeiro trimestre da gestação. O atraso é ainda mais alarmante quando se observa a parcela que chega aos serviços de saúde após 22 semanas de gravidez. Isso ocorre com 28,3% das crianças de até 12 anos — o dobro da proporção observada entre as adolescentes em geral. Os dados constam em estudos da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), baseados em mais de 1 milhão de gestações registradas no país. Os resultados foram divulgados após o Senado anular uma norma do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) que trata do atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e da garantia de seus direitos, entre eles, o aborto legal. Foto: Freepik. Mais » |
Suspensão de norma sobre aborto para meninas estupradas não muda direito ao procedimento, mas cria barreiras [Gênero e Número] O Congresso brasileiro suspendeu a resolução n°258, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que organizava o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual em serviços de aborto legal. A sustação da resolução do Conanda não altera o direito das meninas ao aborto legal, mas pode gerar incertezas para quem realiza o atendimento e criar mais barreiras de acesso para quem precisa fazer o procedimento. Em 2024, último ano com dados consolidados, mais de 12 mil crianças de até 14 anos deram à luz no Brasil, e somente 158 tiveram acesso ao aborto legal, segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), respectivamente. Mais » |
| [g1] Dados do “Panorama da Violência contra a Mulher no Distrito Federal”, do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), apontam que 77% das mulheres entrevistadas já passaram por alguma situação de violência cometida por seus parceiros. Desde 2015, a capital registrou 242 vítimas de feminicídio, segundo dados do Governo do DF. Outros indicadores mostram que 93,5% das vítimas sentem alguma consequência da violência, como depressão, ansiedade, estresse e outras condições relacionadas à saúde mental; 58,3% informaram que seus filhos ou enteados presenciaram as agressões; e 78,5% das pessoas entrevistadas conhecem ao menos uma amiga ou familiar que vivenciou violência doméstica. Os três tipos de violência mais comuns são a psicológica, a física e a sexual. Já as violências moral e patrimonial estão entre as menos reconhecidas. Mais » |
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Agenda Curso AMPARA promove formação sobre saúde e o direito ao abortamento legal
As inscrições para o curso de extensão “Formação em saúde e o direito ao abortamento legal: AMPARA – Acolhimento de pessoas em situação de abortamento e pós aborto” seguem abertas. A iniciativa é promovida pelo Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal de Pernambuco (CCM/UFPE) e pela organização Bloco A. O curso tem como objetivo qualificar estudantes e profissionais de saúde para um cuidado humanizado, ético e garantidor dos direitos sexuais e direitos reprodutivos, com foco na redução de danos e no respeito aos direitos humanos. As atividades têm início previsto para o dia 29 de junho de 2026, em formato remoto. Mais »
Violência contra as Mulheres em Dados 77% das mulheres apontam segurança e violência como as maiores preocupações das brasileiras O relatório “Mulheres em Diálogo”, lançado em março de 2025 pelo Instituto Update, em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, entrevistou 668 mulheres com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país. A pesquisa foi estruturada em duas etapas: a primeira, de caráter qualitativo, foi realizada no segundo semestre de 2023; e a segunda, de abordagem quantitativa, ocorreu entre os dias 6 e 16 de dezembro de 2024. O estudo teve como objetivo captar as percepções das mulheres brasileiras sobre temas políticos, morais e sociais, com foco em uma perspectiva de gênero. Mais » |
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