 | O presidente dos EUA, Donald Trump, se encontra com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 24 de fevereiro de 2025. | LUDOVIC MARIN/AFP |
| Líderes europeus tentam reduzir tensões com Trump |
| | Tensões transatlânticas. Emmanuel Macron, o presidente da França, tentou mesclar cordialidade e resistência branda com o governo Trump. Em Washington, Macron chamou Trump de "Caro Donald" diversas vezes, buscando enfatizar a história compartilhada entre França e EUA, além de destacar o progresso em direção a um acordo de paz sustentável e forte para a Ucrânia. No entanto, Macron também rebateu as alegações de Trump sobre o financiamento europeu à Ucrânia, afirmando que a Europa tem fornecido "dinheiro de verdade". Ele ainda criticou as ameaças de tarifas sobre bens de consumo europeus como contraproducentes, questionando como a Europa poderia aumentar os gastos com segurança e defesa em meio a uma guerra comercial. A visita de Macron faz parte de uma série de esforços diplomáticos europeus, com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também se reunindo com Trump e a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, circulando por Washington. A Europa enfrenta o desafio de manter os EUA engajados e ativos, dado o papel crítico do apoio militar e financeiro americano na resistência da Ucrânia e a importância dos EUA como parceiro comercial. Ucrânia busca acordo mineral com os EUA em meio a preocupações com a segurança. Kiev fechou um acordo com Washington para a exploração conjunta de recursos minerais, na esperança de melhorar as relações com o governo Trump e abrir caminho para um compromisso de segurança de longo prazo dos EUA. O acordo estabeleceria um fundo para o qual a Ucrânia contribuiria com 50% dos rendimentos da "futura monetização" de recursos minerais estatais, incluindo petróleo e gás, e logística associada. O fundo investiria em projetos na Ucrânia. Embora o acordo não contenha garantias de segurança explícitas, autoridades ucranianas argumentam que ele amplia o relacionamento com os EUA e reforça as perspectivas da Ucrânia após três anos de guerra. A versão final do acordo exclui os recursos minerais que já contribuem para os cofres do governo ucraniano. Trump enfrenta resistência interna em seu plano de corte de impostos. Republicanos na Câmara dos Representantes dos EUA enfrentam crescente oposição interna ao plano de corte de impostos de Donald Trump, no valor de US$ 4,5 trilhões. Republicanos linha-dura exigem cortes de gastos mais profundos e se opõem ao orçamento atual. Enquanto isso, parlamentares de distritos indecisos estão preocupados com o impacto em programas sociais. Dúvidas sobre a unidade dos Republicanos na Câmara levaram os Republicanos no Senado a aprovar sua própria resolução orçamentária como um plano B. O Departamento de Eficiência Governamental (Doge) está no centro de controvérsias e mudanças no governo dos EUA. Supervisão de Elon Musk: O bilionário Elon Musk supervisiona o Doge, atuando como conselheiro da Casa Branca. O Doge, que também é uma referência à criptomoeda favorita de Musk, inicialmente surgiu como uma comissão externa ao governo, mas Musk tem desempenhado um papel ativo na reformulação do governo federal. Êxodo de servidores: 21 funcionários do Doge renunciaram em protesto contra ações do departamento. Esses funcionários, anteriormente ligados ao Serviço Digital dos EUA (USDS), declararam que se recusam a utilizar suas habilidades técnicas para comprometer sistemas governamentais, colocar em risco dados de cidadãos americanos ou desmantelar serviços públicos essenciais. Preocupações com dados e segurança: Há preocupações sobre o acesso irrestrito a dados governamentais buscado por associados de Elon Musk, levantando temores de uso indevido de dados pessoais de americanos. Os funcionários que renunciaram alertaram que muitos dos contratados por Musk para reduzir o tamanho do governo federal são ideólogos políticos sem as habilidades ou experiência necessárias. Cortes e resistências: O Doge tem promovido cortes na força de trabalho federal, levando a demissões, afastamentos e licenças administrativas. Essas ações geraram protestos e desafios legais. Resposta do governo: A Casa Branca minimizou as demissões e reafirmou o compromisso de Trump em tornar o governo federal "mais eficiente e responsável". Amy Gleason foi nomeada administradora interina do US Doge Service. Legado do USDS: O Serviço Digital dos EUA (USDS), que agora está integrado ao Doge, foi estabelecido durante o governo Obama para modernizar serviços como a Previdência Social, serviços para veteranos, declaração de impostos e auxílio a estudantes.
Starmer aumenta gastos com defesa e reduz ajuda internacional. O primeiro-ministro britânitco, Keir Starmer, estabeleceu planos para aumentar os gastos com defesa para 2,5% da renda nacional até 2027, enquanto as negociações de paz para encerrar a guerra na Ucrânia ganham ritmo. Para financiar o aumento nos gastos com defesa, Starmer disse que cortaria o orçamento de ajuda internacional do Reino Unido. A medida foi elogiada pelo Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que a chamou de "um passo forte de um parceiro duradouro". Kremlin duvida da afirmação de Trump de que a Rússia aceitaria tropas europeias na Ucrânia. O Kremlin parece ter rejeitado a alegação de Donald Trump de que Vladimir Putin está aberto à presença de tropas europeias de manutenção da paz na Ucrânia, ressaltando a relutância de Moscou em se alinhar aos esforços de Trump para encerrar rapidamente a guerra, apesar de uma melhora nas relações. O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, referiu-se a uma declaração anterior de que tal medida seria inaceitável para Moscou. A rejeição do Kremlin às forças ocidentais na Ucrânia pode representar um grande teste inicial para a equipe de Trump no tratamento de uma reprimenda pública de Moscou, e também expõe a influência limitada de Washington sobre a disposição de Putin em fazer concessões.
|  | O sucesso da sociobioeconomia amazônica dependerá da escalabilidade das ações inovadoras e regenerativas | Anderson Coelho - 29. dez. 2024/Reuters Mais |
| O caminho para uma sociobioeconomia inovadora e regenerativa na Amazônia |
| A inovação na Amazônia exige o fortalecimento de sociobioeconomias regenerativas que priorizem os povos amazônicos e a conservação ambiental. Mas como avançar nessa direção? A resposta passa por criar condições habilitadoras, adotar princípios sólidos e planejar ações de curto, médio e longo prazo. Com base no estudo "Uma Rede de Centros de Ciência, Tecnologia e Inovação para Catalisar Sociobioeconomias na Região Amazônica", publicado por cientistas afiliados ao Painel Científico para a Amazônia, abordo aqui como a Amazônia pode se tornar o palco para uma sociobioeconomia tropical inovadora e inclusiva. Condições habilitadoras para a inovaçãoÉ necessário identificar e conectar as capacidades existentes na Amazônia. A região conta com centros de inovação, como o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, além de incubadoras e aceleradoras privadas. No entanto, essas iniciativas operam quase totalmente desconectadas e estão concentradas nas capitais. O desafio é integrá-las e criar novos centros no interior e em Unidades de Conservação de Uso Sustentável. É preciso estimular uma cultura empreendedora para transformar ideias em soluções práticas. A colaboração entre empreendedores, investidores, povos indígenas, comunidades locais e pesquisadores pode impulsionar negócios emergentes. Programas de inovação aberta podem estimular a criatividade e a inclusão, especialmente entre mulheres e jovens. Além disso, tecnologias avançadas, como biotecnologia, biomimética e inteligência artificial, serão cruciais para impulsionar soluções sustentáveis. O financiamento adequado, com investimentos públicos e privados, é determinante para viabilizar essa transformação. Princípios fundamentais para inovarA inovação deve priorizar a integridade e a conectividade ecológica, além da educação intercultural. Os povos indígenas e comunidades locais devem ser cocriadores das soluções, usando seus conhecimentos ancestrais e territoriais como um diferencial na criação de novidades e no aperfeiçoamento de processos. A transparência será essencial para construir confiança, autonomia e liderança local. É preciso estabelecer mecanismos de compartilhamento justo de benefícios, compensando pela proteção da biodiversidade. As parcerias públicas e privadas devem fortalecer capacidades técnicas e financeiras. Flexibilidade e aprendizado contínuo serão necessários para adaptar estruturas de governança e evitar burocracia excessiva. Planejamento em curto, médio e longo prazoPara catalisar a inovação, os centros de inovação precisam de estratégias claras de investimento, engajamento e governança. No curto prazo, entre dois e cinco anos, é fundamental estabelecer novos centros pilotos com participação local e fortalecer os centros existentes. Os investimentos iniciais devem ser moderados, na ordem de bilhões de dólares, com foco na formação de parcerias internacionais, especialmente entre os países amazônicos. No médio prazo, de cinco a sete anos, a colaboração entre governos, organizações internacionais e o setor privado precisa ser ampliada. A expansão deve alcançar áreas remotas e regiões transfronteiriças. Nessa etapa, serão necessários investimentos mais robustos e a criação de mecanismos financeiros que protejam a propriedade intelectual e garantam compensações justas às comunidades locais. No longo prazo, a partir de sete anos, a implementação de uma sociobioeconomia regenerativa se torna o objetivo principal. Isso exigirá grandes investimentos e mudanças estruturais profundas. Será essencial substituir práticas que degradam a biodiversidade, como a expansão de soja, dendê e gado, por alternativas regenerativas e sustentáveis, incluindo restauração florestal em grande escala, sistemas agroflorestais e bioindustrialização. Estruturas de governança eficazes e modelos financeiros inovadores serão indispensáveis para sustentar essa transformação. O sucesso da sociobioeconomia amazônica dependerá da escalabilidade das ações inovadoras e regenerativas, da governança eficiente e do financiamento adequado. Com esforços coordenados e inteligentes, será possível implementar a sociobioeconomia de florestas em pé e rios fluindo necessária para um futuro próspero para a Amazônia e suas populações. |
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|  | Carro alegórico da escola de samba Pérola Negra no Carnaval 2025 | Felipe Araujo/Liga-SP |
| Carnaval SP | O samba de 'Exu Mulher' |
| A escola de samba Pérola Negra é a campeã do Grupo de Acesso 2 do Carnaval de São Paulo deste ano. A agremiação apresentou o enredo "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô", desenvolvido pelo carnavalesco Rodrigo Meiners, que se inspirou no livro de mesmo título, da jornalista e pesquisadora Cláudia Alexandre. A obra aborda a masculinização e a demonização do orixá Exu, e reflete como historicamente a presença feminina de Exu foi ocultada no Brasil devido às imposições coloniais e ao racismo religioso. O livro também recebeu o Prêmio Jabuti Acadêmico 2024, maior prêmio literário brasileiro para pesquisadores. Exu, transformação A força do universo Cria de Olodumaré Faísca, evolução Que pulsa no candomblé Eu sou da ralé, ooh Você me excluiu e rejeitou Mas vou seguir a minha fé Na luta e Resistência da mulher Trecho Samba-Enredo 2025 - Pérola Negra |
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| AGENDA | | Pra aprender de graça | A Escola Fundação Itaú lançou dois cursos gratuitos para auxiliar professores sobre a cultura afro-brasileira e indígena nas escola. As inscrições são gratuitas e com certificados. | |
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| Pra visitar | O IMS Paulista (Av. Paulista, 2424, SP) traz a primeira exposição individual no Brasil de Zanele Muholi (1972, Umlazi, África do Sul), um dos nomes mais aclamados da fotografia contemporânea. | |
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| Pra assistir | O Canal Futura lançou a série Mutirão Saúde, que aborda a saúde da população negra. A apresentação é de Luana Xavier, e os episódios estão disponíveis no Globoplay. | |
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