Horários de trabalho impossíveis, perfeccionismo sem limites, esgotamento, vício em telas, síndrome de urgência, síndrome do “medo de perder”, imediatismo sem pausa, exibicionismo nas redes 24 horas por dia, hiperconsumo de conteúdo vazio, viagens à repetição, cursos de formação, mais , mais, mais… A gama de atitudes, situações, dispositivos tecnológicos e autoexigências com ou sem causa é infinita no reino das galinhas sem cabeça. Não há nada que nos pare aqui... ou há? O ritmo frenético das nossas sociedades, tanto na vertente laboral como na de lazer, tem como denominador comum a aparente dificuldade, senão a impossibilidade, de - no jargão taurino - parar e acalmar-se. Há quem se sinta satisfeito e orgulhoso desses ritmos. Há quem esteja no limite, mas não queira ou não consiga. Parar. E há até quem pense em parar e de fato para. A galeria de personagens e situações que exploramos nesta edição pretende ser apenas uma reflexão sobre o turbilhão e a inércia do nosso tempo.
BORJA BONITA |