Extrema direita religiosa treina jovens para ocupar cargos de poder e impor agendas ultraconservadoras, aumentando a influência do fundamentalismo cristão na estrutura do Estado laico
Eventos religiosos organizados por pastores ultraconservadores têm reunido milhares de jovens em um verdadeiro trabalho de base, de acordo com líderes evangélicos progressistas. Sob o pretexto de debater família, educação e liberdade, esses encontros promovem a ideia de que as mulheres devem deixar o mercado de trabalho para se dedicar ao lar e cuidar dos filhos, que as escolas e universidades são campos de doutrinação marxista e que os jovens cristãos devem ocupar cargos políticos para impor a "verdade do Evangelho".
O fenômeno se intensificou nos últimos anos, principalmente a partir de 2020, e ocorreu em diversas cidades do país. Segundo o pastor Filipe Gibran, de Belo Horizonte, parte da esquerda e do campo progressista da sociedade nem sabe que eles existem, ele se diz preocupado.
Meu amigo Zé Barbosa Júnior (professor de Ciências Políticas e pastor da Comunidade de Jesus em Campina Grande, PB) já fala sobre isso há muito tempo. Eventos acontecem no Brasil o tempo todo. Eles estão alugando estádios de futebol, indo às escolas, indo às igrejas, falando com crianças, com adolescentes, dizendo que têm que ocupar os espaços de poder, porque, na verdade, têm que defender o legado cristão.
Para Gibran, a revolta cristã ultraconservadora, o fascista vem todos os dias. Com financiamento externo, com financiamento indireto de emendas parlamentares. Precisamos entender que é preciso aprender, dar voz, apoiar o campo evangélico progressista. Sob pena de perder, de fato, a possibilidade democrática no Brasil, ele alerta.
O termo levante cristão usado pelo pastor mineiro é bastante apropriado, já que o II Congresso Internacional do Legado Cristão foi realizado na Memória da América Latina e em São Paulo nos dias 17 e 18 de janeiro.
O Evangelho para orientar as políticas públicas
No evento, figuras de destaque da extrema direita como a deputada Ana Carolina Campagnolo (PL/SC), Nikolas Ferreira (PL/MG) e o ex-procurador-geral da República Dallagnol (Novo) tiveram participações de destaque.
Nada foi tão impactante quanto a participação do pastor Rodrigo Mocellin, da Igreja Rederk, de Guaratinguetá. Defensor de próteses e educação domiciliar , Mocellin é um traficante de armas e afirma que o feminismo é um braço do comunismo e da esquerda.
Entre os principais organizadores do Legado Cristão estavam o Simpósio Online de Educação Domiciliar (Simeduc), um dos maiores eventos de educação domiciliar do mundo, e a Famílias Educadoras do Estado de São Paulo (Faedusp).
Dados coletados e apresentados por Gibran em vídeo mostram que o discurso de que o sistema jurídico e político brasileiro é de esquerda foi reiterado ao longo do congresso. Nesse contexto, o pastor discursou defendendo a necessidade de mudança desse sistema para que as verdades do Evangelho orientem as políticas públicas.
A grande questão é se essas verdades evangélicas são as de Jesus Cristo ou as de fundamentalistas mais preocupados em manter seu poder e riqueza, ele brinca.
Financiamento
Segundo o pastor, diversas organizações ligadas ao movimento cristão conservador estão recebendo emendas parlamentares. Ele entende que o fluxo desses recursos públicos é usado indiretamente para promover a narrativa que ele define como fundamentalista e perigosa.
Entre os patrocinadores do mais recente Christian Legacy, por exemplo, a editora evangélica cristã Aspen International está entre os editores de conteúdo que frequentemente se beneficiam de emendas parlamentares.
Segundo Gibran, a ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL) e, hoje, senadora da República Damares Alves (Republicanos/DF) é uma das principais responsáveis pelo direcionamento de verbas para a Aliança pela Evangelização da Criança (Apec), também presente indiretamente em uma série de eventos e congressos no estilo do Legado Cristão que acontecem por todo o país.
A capacidade de articulação política dela (Damares) é impressionante, exclama Gibran, ressaltando o alerta sobre o que ela chama de ataque fundamentalista à estrutura do Estado laico brasileiro.
Eventos para impor narrativa fundamentalista
Setores progressistas veem avanço da extrema direita na disputa pela narrativa cultural e ideológica no Brasil. Gibran e outros pastores reafirmam a necessidade de fortalecer o diálogo com o campo evangélico progressista para se opor a essas iniciativas e garantir um debate mais amplo dentro do segmento religioso.
Para essas lideranças, eventos como o Legado Cristão reforçam o alerta sobre o papel crescente de setores ultraconservadores na política nacional e como esses movimentos podem influenciar a próxima geração de líderes políticos no Brasil.
Outros eventos que preocupam por seu caráter fundamentalista são o Send Brasil , realizado em lugares emblemáticos como o Allianz Parque, o Estádio Nacional de Brasília e o Morumbi, o Mineral Conmigo, em Minas Gerais, e as Cruzadas do pastor André Fernandes, pregador das igrejas Laguninha, em Miami, e Alphaville Lagoinha, em São Paulo.
Conversando com o menino
Com ingressos entre R$ 29,00 e R$ 49, o culto do The Send atrai multidões. O evento aconteceu em diversas cidades, principalmente no interior de São Paulo, e teve seu auge em 2020.
Outra atividade que teve forte apoio de Damares Alves, o The Send é organizado pela Jocum (Jovens Com uma Missão), também conhecida pela sigla em inglês JOCUM. Ela já passou por diversas cidades, principalmente no interior de São Paulo, e teve seu pico em 2020.
O logotipo do Sends em si tem o formato de uma seta, apontando para a direita. Gibran brinca que a ideia é representar simbolicamente suas tendências políticas. O envio.
Em Belo Horizonte, nos anos de 2023 e 2024, foi realizado o Festival Ore Comigo, no Mineiro. É muito parecido com The Send. O Envio Os organizadores, incluindo muitos, são os mesmos. Eles o chamam de o maior festival da América Latina. Ele apresenta a banda gospel completa e o mesmo público, os jovens, nessa perspectiva de doutrinação política, registra Gibran.
As Cruzadas do pastor André Fernandes fazem parte de um projeto chamado Incendiários , que mantém um tom fortemente fundamentalista, no estilo do líder mundial da igreja, pastor André Valadáo que, entre um ou outro sermão homofóbico, tem dito aos seus seguidores para não enviarem crianças para universidades.
Somente em 2022, o projeto realizou oito cruzadas em sete cidades (Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Salvador, Fortaleza e Recife). Milhares de jovens lotaram os espaços, lembra Gibran.
Os meninos são tão espertos que nem falam mais com pessoas com mais de 30 anos, não. Este projeto das Cruzadas só está piorando. Para realmente fazer a cabeça, conclui o pastor mineiro.
Esta nota foi traduzida automaticamente por inteligência artificial.
(Os negritos no texto e as ilustrações São de Minha Responsabilidade. Na Foto abaixo, o carro para JC foi comprado em 2012...visualizem o valor hoje...)

