Teerã e Washington trocaram acusações hoje sobre os termos do acordo de cessar-fogo assinado na semana passada. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o Irã concordou em permitir inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em suas instalações nucleares — mas Teerã negou qualquer compromisso novo. "Não há procedimento estabelecido para isso", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano. Trump respondeu no Truth Social: "Se não concordaram, não há mais negociações."
A disputa se estende a outros pontos do acordo. Os EUA afirmam que ativos iranianos descongelados serão usados para comprar produtos agrícolas americanos; o Irã diz que decidirá sozinho como gastar o dinheiro. Washington defende que o Estreito de Hormuz será "livre de pedágios" para sempre; Teerã já sinalizou a cobrança de taxas para certos serviços.
O documento assinado na semana passada dá 60 dias para que os dois países resolvam os pontos mais difíceis, incluindo o destino do estoque de urânio iraniano e o futuro do estreito, por onde passa um quinto do petróleo mundial. As negociações técnicas continuam na Suíça; o presidente iraniano Masoud Pezeshkian visitou o Paquistão, um dos mediadores do acordo.
No Líbano, soldados israelenses mataram dois homens perto de Nabatieh — o primeiro incidente letal desde o cessar-fogo de sábado. Israel, que não assinou o acordo, mantém uma "zona de segurança" no sul do país e diz que continuará a "neutralizar ameaças".
Petróleo: China segura os preços — por enquanto
Com o avanço das negociações entre EUA e Irã, o petróleo Brent caiu abaixo de US$ 78 o barril nesta terça-feira — longe do pico de US$ 114 registrado em maio, no auge do conflito. Analistas atribuem a estabilidade relativa dos preços ao papel da China: o país reduziu importações em cerca de 3 milhões de barris por dia, passou a usar seus estoques estratégicos e expandiu o uso de veículos elétricos, hoje metade dos carros novos vendidos no país.
A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta que, se o Estreito de Hormuz for reaberto rapidamente, o mercado pode enfrentar excesso de oferta em 2027 — com produção superando a demanda em quase 5 milhões de barris por dia.
Reino Unido: Brexit faz dez anos — e a conta continua chegando
Na data em que se completam dez anos do referendo que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia, economistas fazem um balanço sombrio: a economia britânica é entre 4% e 6% menor do que seria se o país tivesse permanecido no bloco. As exportações de bens e serviços para a Europa caíram cerca de 12%; no setor de alimentos e agricultura, a queda foi de quase 30%.
O Brexit também deixou rastro político. O país terá em breve seu sétimo primeiro-ministro desde o voto de 2016 — Keir Starmer anunciou a renúncia na segunda-feira, após rebelião interna no Partido Trabalhista. O favorito para sucedê-lo é Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, que deve assumir o cargo em meados de julho. Nenhum grande partido defende o retorno à UE — mas pesquisas indicam que 48% dos britânicos votariam pelo reingresso se houvesse um novo referendo, ante apenas 28% que preferem ficar de fora.
Nigel Farage e o fim do bipartidarismo
A crise do governo Starmer não acontece no vácuo. O Reform UK, partido anti-imigração de Nigel Farage, lidera as pesquisas nacionais com cerca de 30% das intenções de voto — feito inédito para uma legenda fora do eixo trabalhista-conservador desde a Segunda Guerra. O partido venceu eleições locais em maio e elegeu Burnham no seu próprio reduto, expondo a fragilidade trabalhista.
Farage, que ajudou a arquitetar o Brexit em 2016, atribui os problemas atuais à "má implementação" — e se coloca como a solução. Seus críticos, porém, apontam que ele contribuiu para criar a instabilidade que agora explora.
Onda de calor mata 40 pessoas na França
A França registrou nesta terça-feira o dia mais quente de sua história desde que as medições começaram, em 1947: 44,3°C em Pissos, na região de Landes. Bordeaux bateu seu recorde absoluto, com 42,1°C. Quarenta pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentar se refrescar em rios e reservatórios sem supervisão — a maioria jovens. Paris emitiu alertas pedindo que moradores trabalhem em casa e evitem o transporte público, cuja infraestrutura não suporta temperaturas acima de 50°C nos trilhos. A Torre Eiffel e o Louvre fecharam mais cedo. Em Espanha, Itália e Alemanha, a onda também bate recordes e já causou mortes.
Ultradireta chega ao poder na Colômbia
Abelardo de la Espriella, conhecido como "El Tigre", venceu o segundo turno das eleições presidenciais colombianas, consolidando uma tendência regional: em 12 países da América Latina, governos de direita ou ultradireta estão no poder. De la Espriella chegou à campanha prometendo "verdade total" e "fim dos políticos de sempre" — retórica familiar no ciclo populista que se espalha pelo continente.
Messi, o maior artilheiro da história dos mundiais
Com dois gols contra a Áustria nesta segunda-feira, em Dallas, Lionel Messi chegou a 18 tentos em Copas do Mundo e ultrapassou o alemão Miroslav Klose para se tornar o maior artilheiro da história do torneio. A Argentina garantiu antecipadamente a classificação às oitavas de final. O capitão errou um pênalti no primeiro tempo, mas marcou nos acréscimos para selar a vitória. Amanhã, Messi completa 39 anos concentrado no Mundial — pela quinta vez na carreira.