Fevereiro de 1997. Revista Margarida nº 257. |
Já fazia um ano que a revista tinha passado de quinzenal para mensal. Sinal de que estava perdendo fôlego nas bancas? Bom, lá no final da revista veio a resposta: um anúncio todo empolgado, prometendo novas seções, receitas, dicas de beleza, seção de cartas repaginada. O prazo para isso? Dois meses. A partir da edição 259, tudo iria mudar pra melhor. A revista continuava um sucesso! Não é? Bem… |
Infelizmente tudo isso virou promessa de político: Nunca foi cumprida. kkk O motivo? A edição 257 foi a última revista Margarida lançada em bancas. Do nada, sem aviso, a revista acabou. As novidades nunca viram a luz do dia. |
Hoje a gente reclama que cancelam nossa série favorita. Na infância, cancelavam nossos gibis! E não tinha o que fazer. Acabou, acabou. Decisões corporativas que as crianças não entendiam. |
Tá, mas e as lost medias? |
Concordam que a Editora Abril, no caso, sempre tem algumas edições futuras prontas? Podiam não estar impressas, mas já estavam compiladas e prontas. |
Pergunta: Será que existiam historinhas de desenhistas brasileiros que foram engavetadas junto com essas edições não lançadas? Pois é… |
A gente sabe que a revista Margarida teve uma “segunda série”, muitos anos depois, mas isso é outra coisa. Não tem nada a ver com “continuar de onde parou.” Então, podemos estamos falando de trabalho inédito de artistas brasileiros, roteiros e desenhos que talvez nunca tenham sido publicados. |
É curioso pensar nisso como um tipo de lost media, não é? Geralmente associamos esse termo a programas de TV ou coisas assim, mas um gibi que prometeu existir e nunca existiu, bem… E se essas páginas ainda estiverem guardadas em algum arquivo da Abril, esquecidas há quase trinta anos? Eu confesso que morro de curiosidade de saber. |
Uma despedida que nunca foi escrita |
O mais irônico de tudo é que a revista termina com um clima de recomeço. A Margarida convida os leitores a mandarem cartas, receitas, piadinhas… e tudo isso se perde. Não há despedida, nem aviso. Foi um fim triste para uma revista que já estava nas bancas há quase 11 anos. Um registro de algo que quase aconteceu. |
Acho que estou tendo um “Djavan”… |
Cancelar uma publicação parece nunca ter sido um problema nas editoras. Afinal, se não deu lucro, por que manter? As promessas e o engajamento com o público na seção de cartas era só uma forma de tentar fidelizar o cliente. |
A gente já viu a mesma coisa acontecer no gibi do Roger Rabbit. Surfando no sucesso do filme, a Editora Abril lançou 3 edições no ano de 1991. |
Eis que na seção de cartas desta edição, temos essa pérola aqui: |
No fim as contas, nunca existiu uma edição número 04. A revista foi encerrada no número 03. E desta vez, temos a total confirmação que material inédito de desenhistas brasileiros ficaram arquivados. Outra lost media… |
Quantas mais devem existir nos longos anos em que as editoras mais famosas publicaram quadrinhos no Brasil? Fica aí o questionamento. A resposta, infelizmente, nunca saberemos. Só nos resta imaginar. |
Publicado em Margarida 257 – Ed. Abril – Fevereiro de 1997 – R$ 2,10 |
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