A Justiça da Bahia condenou, nesta terça (14), réus pela morte da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete.
Arielson da Conceição Santos (executor) recebeu 29 anos de prisão, enquanto Marílio dos Santos, o "Maquinista" (mandante), foi condenado a mais de 40 anos.
Em artigo, Glaucia Marinho, diretora executiva da ONG Justiça Global, pontuou a importância do julgamento lembrando que a punição dos executores é apenas um passo na busca por justiça:
"Outros três denunciados ainda serão submetidos a julgamento. A justiça para Mãe Bernardete também implica apuração e responsabilização pelo assassinato de Binho do Quilombo, seu filho [assassinado em 2017], bem como a titulação do território do quilombo Pitanga dos Palmares".
Mãe Bernadete era uma voz ativa na defesa do território e na luta contra o racismo. O resultado nos tribunais, porém, foi acompanhado de um clima de tensão no estado.
Prédios públicos e uma igreja no Quilombo Pitanga dos Palmares, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, foram pichados em retaliação à morte, pela polícia, de Marílio dos Santos, na madrugada de quinta (16). Ele também era um dos líderes da facção Bonde do Maluco.
Cotas no radar do Supremo
Em Brasília, o STF formou maioria (7 votos a 0 - até agora) para derrubar a lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em universidades estaduais e privadas que recebem verbas públicas.
O relator, ministro Gilmar Mendes, afirmou em seu voto que as cotas não violam a isonomia, mas a concretizam.
O ministro ressaltou que o PL catarinense foi aprovado a toque de caixa pela Alesc, no final de 2025, e ocorreu sem que a Casa legislativa tivesse "procedido à devida análise da eficácia da política pública vedada ou das consequências de sua abrupta interrupção".
O corpo negro
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram estudantes de direito utilizando um aparelho de choque em uma pessoa negra, em situação de rua, na segunda (13).
O MPF (Ministério Público Federal) abriu uma apuração para investigar o ataque. O colunista do UOL Tony Marlon abordou o assunto nesta semana: "determinadas pessoas, de determinados contextos sociais, confiam tanto no curto ciclo da memória nacional e na tradicional impunidade verde e amarela, que registram em vídeo as violências que cometem, sem qualquer constrangimento".