À tardinha, eu brincava no chão da varanda. O papai estava em pé no parapeito com o tio Abílio ao seu lado, que disse:
— Sei o porquê das garrafas de pinga estarem vazias.
O papai prestou atenção nele, à espera da explicação. Então o tio Abílio comentou:
— Na certa, foram os gambás que beberam a pinga.
O papai ficou certo tempo sem falar nada, observando a estrada que passava a uns 200 metros da varanda. Eu gostava de vê-lo observando a estrada. Depois, ele virou-se e disse:
— Amanhã, coloque no paiol armadilhas para pegar os gambás, mas não é para matar os bichos.
O tio Abílio perguntou:
— Por que não é para matar os animais?
O papai continuou olhando a estrada e, depois, respondeu:
— Primeiro quero conhecer estes gambás que pegam as garrafas, tiram as tampas, bebem a pinga e depois recolocam a tampa e a garrafa vazia no engradado.
No meu canto, no chão, entendi que não havia gambá nenhum: tinha sido o próprio tio Abílio quem tinha enxugado as garrafas. |