24 março, 2026

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Jules Gabriel Verne, conhecido nos países de língua portuguesa como Júlio Verne (NantesFrança8 de fevereiro de 1828 – AmiensFrança24 de março de 1905), foi um escritor francês considerado por críticos literários o inventor do gênero de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1869) . Wikipédia
Nascimento: 8 de fevereiro de 1828, Nantes, França
Falecimento: 24 de março de 1905 (idade 77 anos), Amiens, França
















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Em um novo cargo há menos de 2 meses, ele optou por se desligar e passou a expor sucatamento do jornalismo do conglomerado em suas redes sociais

Por Gabriel de Oliveira, no site TVPop

Há menos de dois meses em um novo cargo na estrutura organizacional da Globo, Fabrício Marta decidiu pedir demissão da emissora depois de quase três décadas dedicadas ao conglomerado. O jornalista, que teve sua promoção anunciada com alarde por um dos diretores de Jornalismo no final de janeiro, decidiu se desligar do maior canal do Brasil por não concordar com o processo de sucateamento vivido pela rede há vários anos. Em suas redes sociais, ele decidiu denunciar o caos nos bastidores da empresa, com decisões editoriais controversas e até corte de horas extras.

Em uma de suas publicações, Fabrício Marta diz que teve um infarto pouco antes do Carnaval, em plena Redação do Jornal Nacional. “Foram dois infartos: um sem cura e outro tratável, ao sabor da resiliência. A fisio cardíaca começará em três meses. Por enquanto, estamos tentando liquidar os trombos na área necrosada do coração. E tudo se deu às vésperas do Carnaval, na redação do Jornal Nacional. Foram duas semanas de CTI, e um turbilhão de pensamentos de gente que não morre”, explicou o ex-executivo da Globo.

“O meu pedido de demissão foi feito aos meus chefes (por WhatsApp) ainda no hospital e não está atrelado aos infartos, mas a conjunturas internas que não ornavam mais com quem eu sou. A minha missão, na Globo, foi encerrada por escolhas mal dimensionadas. Os que já trabalharam e/ou conviveram comigo profissionalmente sabem quem eu sou: movimento, seriedade, lealdade, verdade e alegria. São semeaduras de vida inteira. E ninguém, além de mim, tem o direito de abraçar a minha colheita”, continuou ele, antes de expor algumas das mudanças feitas pela Globo.

Em uma de suas publicações, Fabrício Marta diz que o comando do Jornalismo do Rio de Janeiro lhe incumbiu da missão de alertar produtores de que a rede não pagaria mais horas extras para seus colaboradores. A mudança, vista por ele como uma decisão “perversa”, aconteceu no final de 2025. “Um dos pedidos mais perversos, data do fim do ano passado, quando ‘fui convidado’ a convocar produtores que ganhavam horas-extras e avisá-los sobre o corte, no facão, já no mês corrente”, iniciou o jornalista.

“Esse mal ajambrado foi lavrado e validado pela antiga direção regional de Jornalismo, mas coube a mim anunciar a nova condição salarial da garotada. Um produtor tinha 5 horas extras por dia, apalavradas de boca. O menino quase passou mal, ao saber do corte: ele estava pagando a faculdade da mãe. A mim, me coube aquietá-lo, mas também incentivá-lo a alternativas profissionais e dignas. E esse produtor trabalha, viu?! Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem!”, sentenciou.

Em outra publicação, o agora ex-chefe de produção expõe uma situação enfrentada por outro funcionário da Globo: Helton Setta, produtor da rede há 25 anos. O jornalista foi o responsável por acompanhar as pesquisas de uso da polialilamina, proteína descoberta pela UFRJ que pode recuperar movimentos depois de lesões na medula. Ele se dedicou ao assunto por 7 anos, mas acabou não sendo creditado pelo seu trabalho, que rendeu uma extensa reportagem no Fantástico.

“Muita gente ainda me pergunta, no privado, se pedir demissão da Globo foi, de fato, a decisão mais acertada. Sim, foi. Esse meu amigo está de férias e, talvez, fique puto com essa postagem, mas ele é o somatório da minha desesperança naquele lugar. Vou dizer o nome, qualquer coisa me processa. Helton Setta, produtor do Jornal Nacional: 25 anos de Globo. Você já ouviu falar na polilalamina?! Pois então, Setta acompanhou essa pesquisa por 7 anos. O Fantástico exibiria uma reportagem especial sem sequer creditá-lo”, iniciou Marta.

“O tema ganhou notoriedade na imprensa mundial, mas as chefias do Jornalismo Globo foram incapazes de redigir um e-mail, que fosse, celebrando o colega. Além de Jornalista (UERJ); Setta é graduado em Ciências Sociais (UFRJ); e agora retornou à UERJ para integrar a primeira turma de Arqueologia. Setta fala inglês, espanhol, alemão e italiano. E nunca fora convidado para qualquer função nos escritórios internacionais da Globo e, agora, a cereja: Setta está há 10 anos sem uma promoção. Repetindo: 10 anos”, reportou o jornalista.

Na sequência, Fabrício Marta diz que pediu para sair da Globo porque “se cansou de injustiças” e por acreditar que a emissora entrou em um “abismo”. “Eu, como chefe de produção, jamais assinaria esse recibo. Ah, sabe por que o Setta não vai embora? Porque ama o que faz. Eu também amava, tenho filho, pago aluguel, mas não trabalho com injustiças. Saí por essas e outras e quantas vezes fosse preciso. Há outros muitos Settas no estoque. Daí vem a Globo e publica anúncio pra caçar talentos fora. Suco de abismo”, ironizou.

Um dos temas mais delicados expostos por Fabrício Marta diz respeito a uma das bandeiras mais defendidas pela Globo na atualidade: a diversidade em seu quadro de funcionários. Criadora de uma ferrenha política de ESG, a emissora praticamente implodiu o programa Estagiar, que era a porta de entrada de jovens de baixa renda para o staff da maior emissora do país. Agora, o canal só dará espaço para estudantes selecionados pela PUC do Rio de Janeiro, uma instituição privada, escanteando estudantes das instituções públicas cariocas.

“Roberto Marinho ainda não havia criado a Globo, mas já estava lá o Projeto Estagiar. Um progama exclusivamente dedicado a garimpar estudantes de diferentes nichos. No Jornalismo, não havia perfumaria: entravam os que tinham parafusos soltos e sangue na boca. Quanta gente fabulosa avançou na firma, ocupando cargos de chefia, via Estagiar. Agora (por mim é agora, porque fora informado pouco antes de pedir demissão), a Globo fechou uma parceria com a PUC/RJ, em busca de novos estagiários: 100 pessoas entraram nessa primeira leva”, revelou o jornalista.

“São pessoas afáveis, dedicadas, comuns. Mas o questionamento é: a PUC não trará o rapaz do Quitungo; a mocinha de Rocha Miranda; o carinha de Realengo; o cria da Maré. O Estagiar cansou de pescar estagiários na PUC, porque eram tão maravilhosos quanto os cotistas da UERJ, UFRJ, UFF, UFRRJ e por aí vai. Os tempos mudam, mas não há nota em pingo d’água. Sabe aquela tal diversidade? Pois é!”, prosseguiu ele, que recebeu comentários de outros jornalistas que também tiveram passagem pela Globo.

Fernando David, um dos beneficiados pelo Estagiar e que foi um dos principais nomes da Band no Rio de Janeiro, disse que a nova iniciativa é “uma pena”. “Eu não teria tido a oportunidade de aprender com você”, lamentou o jornalista, que atualmente é repórter do jornal esportivo Lance!. Juarez Passos, que também ocupou o cargo de chefe de Produção dos telejornais nacionais da Globo, também apontou os problemas na mudança de seleção de estagiários.

“Acompanhei o Estagiar por mais de 20 anos, na busca por talentos, que passavam por um longo processo, até a entrada na Redação. Sem priorizar a universidade de onde vinham. E ao longo destes anos tive o prazer e orgulho de abrir a porta para muitos, que hoje estão em posições de destaque no time da Editoria (repórteres de vídeo, editores, editores-chefe, produtores, âncoras), além de outros que buscaram espaço em outras TVs. Neste grupo de profissionais vindos do projeto, além de diverso, a universidade de onde vinham nunca foi a prioridade”, apontou Passos.

Ex-executivo faz oração por Roberto Marinho
Depois de quase três décadas na Globo, Fabrício Marta reafirma ser grato ao conglomerado e ao empresário Roberto Marinho (1904-2003). A sua gratidão é tamanha que, logo após terminar o seu processo de demissão, o executivo foi até uma igreja para rezar pela alma do fundador do Grupo Globo. Segundo ele, a oração é uma forma de alertar que o seu legado estaria “virando pó” por conta da má-administração da empresa nos últimos anos.

“Quando fiz a minha homologação, em seguida rezei uma missa, na Igreja de São José, na Lagoa, em intenção ao Roberto Marinho. Sou grato. Muito grato. Não fosse ele, eu não seria quem sou hoje. A missa era mais um jeito de dar um ‘pedala, Robinho!’ no Dr: amistosamente disse a ele que o patrimônio está virando pó”, concluiu Fabrício Marta. A TV Globo, que foi procurada pelo TV Pop para falar sobre as declarações do ex-executivo, não se manifestou até a publicação deste texto.














Gerson Brenner (1959‑2026)


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