O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu marcha a ré no ultimato que ele mesmo havia imposto. Em vez de atacar a infraestrutura energética do Irã no prazo de 48 horas, concedeu uma pausa de cinco dias — justificando a decisão com a afirmação de que negociações "muito fortes e produtivas" estariam em curso para encerrar um conflito que já consome quase um mês. Teerã, porém, não tardou a desmentir a narrativa. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano apontado pelos EUA como um dos supostos interlocutores, foi direto: não há nenhum diálogo direto. As declarações de Trump são, segundo ele, "notícias falsas" fabricadas para acalmar mercados nervosos e disfarçar o que chamou de "pântano" em que os EUA e Israel se afundaram. Nos bastidores, a diplomacia continua. Paquistão, Turquia, Egito e Omã movem-se discretamente para viabilizar algum acordo. O Paquistão chegou a ser sugerido como sede de negociações que poderiam envolver o vice-presidente americano, JD Vance. A guerra não pausaA trégua retórica de Washington não chegou ao front. O Irã disparou nova onda de mísseis e drones contra Israel e países do Golfo . Em Tel Aviv, um projétil iraniano com ogiva de aproximadamente 100 kg de explosivos atingiu seu alvo — uma arma que os militares israelenses admitiram "ainda não ter encontrado" neste conflito. Do outro lado, Israel avança com força crescente. O ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou a intenção de tomar o controle do sul do Líbano até o rio Litani, a cerca de 30 km da fronteira, demolindo pontes estratégicas e arrasando vilarejos inteiros. A operação levanta alertas graves: a Human Rights Watch classificou a tática de deslocamento forçado como possível crime de guerra. Mais de 1 milhão de libaneses já foram obrigados a abandonar suas casas. Crise econômica: o impacto no mundoO conflito está produzindo ondas que chegam a cada posto de gasolina do planeta. O Irã mantém um bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito consumidos globalmente. O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, disse que a crise atual já supera o impacto combinado dos choques do petróleo de 1973 e 1979. O preço do barril de petróleo do tipo Brent disparou para mais de US$ 110 após o ultimato inicial de Trump. No entanto, o valor despencou rapidamente, chegando à casa dos US$ 97, assim que o presidente americano anunciou a pausa de cinco dias para supostas negociações. Hoje, com as negativas do Irã e a retomada dos ataques, o barril já voltou a subir e ultrapassou novamente a marca de US$ 100. Essa volatilidade extrema revela o quanto a retórica e as expectativas — e não uma mudança real na infraestrutura e na oferta física de energia — estão guiando o pânico dos mercados, conforme explica Jason Bordoff, especialista em política energética da Universidade Columbia, no podcast de Ezra Klein no New York Times: "A realidade fundamental não mudou nas últimas 24 horas, mas os preços de mercado caíram fortemente porque as pessoas tinham a expectativa de que as coisas chegariam ao fim razoavelmente rápido." Para conter os preços, a administração Trump recorreu a uma manobra que gerou acusações de incoerência: o Departamento do Tesouro suspendeu temporariamente sanções sobre petróleo iraniano e russo já em alto-mar, buscando aumentar a oferta global. Críticos apontam o paradoxo: os EUA estariam, na prática, concedendo um alívio financeiro bilionário a seus próprios adversários no meio de uma guerra. Outras notíciasUcrânia sob o maior ataque recente. A Rússia parece ter dado o pontapé inicial em sua esperada ofensiva de primavera: quase 400 drones de longo alcance e dezenas de mísseis atingiram áreas civis e posições defensivas ucranianas em uma única noite — o ataque mais intenso das últimas semanas. Tragédia na Amazônia colombiana. Um avião militar C-130 Hercules caiu logo após decolar de Puerto Leguízamo. Das 121 pessoas a bordo, ao menos 66 morreram. As causas do acidente ainda estão sendo apuradas. Colisão mortal em LaGuardia. Um jato da Air Canada colidiu com um caminhão de bombeiros na pista do aeroporto de Nova York, paralisando a aviação na costa leste americana. Dois pilotos morreram e dezenas de passageiros ficaram feridos. A investigação apura possível falha do controle de tráfego aéreo. Bill Cosby condenado a pagar US$ 59 milhões. Um júri civil na Califórnia responsabilizou o ex-comediante por drogar e agredir sexualmente uma mulher em 1972. A indenização é a maior já imposta a Cosby — e um novo capítulo no caso. |