De um lado, figuras centrais do atual governo, como o próprio Lula, cuja política externa tem buscado autonomia em relação a Washington e aproximação com países do Sul Global.
De outro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, que se tornou um dos principais alvos da direita global por sua atuação contra redes de desinformação e por decisões que impactam diretamente plataformas e aliados do trumpismo.
E há ainda o próprio Jair Bolsonaro — cuja prisão e inelegibilidade são vistas por setores da extrema direita internacional como resultado de perseguição política e que, paradoxalmente, também poderia ser interpretado como peça a ser “resgatada” ou reposicionada em um tabuleiro mais amplo.
Não há evidência concreta de qualquer operação nesse sentido. Mas o ponto central não é a literalidade da mensagem, e sim o tipo de imaginação política que ela revela.
É verdade que, se houvesse, de fato, um plano concreto para remover algum personagem político brasileiro do país, não seria anunciado de forma explícita em uma rede social.
Ainda assim, o uso desse tipo de linguagem, ainda que em tom jocoso, não é irrelevante — especialmente quando parte de uma autoridade encarregada justamente de moldar percepções e narrativas no exterior.
Falei sobre o episódio com uma fonte do Itamaraty. Ela me disse o seguinte: em diplomacia, o que se diz importa, mas o que se sugere ou insinua acaba sendo ainda mais revelador.
Seguiremos acompanhando de perto os próximos movimentos — porque, se há algo que esse episódio sugere, ainda que de forma indireta, é que os sinais mais importantes nem sempre vêm nos canais oficiais, mas nos gestos aparentemente banais.
Em um cenário cada vez mais instável, talvez valha prestar atenção não só ao que é dito de forma explícita, mas também ao que circula nas entrelinhas.