06 janeiro, 2013

Megaphone|Entrevista: Sylvio Passos, o guardião do Baú do Raul

Quem conhece ao menos um pouco da obra de Raul Seixas certamente já ouviu falar de Sylvio Passos. Seu nome aparece em livros, materiais, entrevistas, discos. Sua história, em alguns pontos, chega a se confundir com a própria história de Raul Seixas.
O paulistano fundou em 1981 o conhecido ‘Raul Rock Club’, considerado o fã-clube oficial de Raul Seixas e que ganhou a aprovação do próprio protagonista. Sylvio conviveu quase 10 anos com Raul e guarda não só as lembranças de uma relação intensa, mas também um enorme acervo de onde já saíram muitas coisas boas para os fãs. E de onde ainda pode sair muito mais.
Inclusive, foi Sylvio o responsável pelo lançamento do LP ‘Let Me Sing My Rock n’ Roll’ (1985), hoje uma preciosidade entre os fãs e primeiro disco independente lançado por um fã-clube no país. Também é autor e co-autor de livros sobre o gênio baiano, ícone do Rock nacional.
Na edição de número 7 da publicação ‘Shopping Music Especial’, em maio de 1998, o músico, compositor, jornalista e escritor Ayrton Mugnaini Junior bem conta um pouco da vida de Sylvio e sua relação com Raul Seixas: “Curiosamente, Sylvio é um raulseixista temporão. Nascido no bairro paulistano de Vila Maria em 1963, passou a adolescência comandando fãs-clubes de Led Zeppelin, Jethro Tull e King Crimson, antes de gostar de Raul ou de qualquer outro artista brasileiro. No fim dos anos 70 veio o estalo e o grande interesse por rock brasileiro, incluindo o grupo Terreno Baldio e, claro, Raul. ‘Ouvi o LP Krig-Ha, Bandolo!, aí veio como uma porrada’, resume Sylvio, que passou a tirar o atraso. Em 1981, Sylvio publicou em alguns jornais um anúncio pelo qual procurava tudo o que se referisse a seu novo herói, inclusive contato pessoal com o próprio. E funcionou: Luis Antônio, presidente do Beatles Cavern Club, passou-lhe o telefone e endereço de Raul, no bairro paulistano do Brooklin. ‘Liguei, ele estava bêbado, pensou que eu fosse o Silvio Santos e disse que topava aparecer no programa.’ A confusão de Raul deu lugar ao espanto de Sylvio, quando descobriu que o cantor, além de morar num sobrado algo modesto, era pessoa das mais simples convidando Sylvio para almoçar e lhe servindo pessoalmente macarrão – com as mãos. Desde então Raul manteria contato com Sylvio até dois dias antes do ídolo falecer”.
Sylvio Passos guarda relíquias de Raul Seixas
Chamado carinhosamente de Sylvícola por Raul, o presidente do fã-clube, que hoje também atua como músico na Putos Brothers Band, conversou com o editor do PortalMegaphone. E um pouco desse papo está abaixo, onde fala sobre o fã-clube, sobre sua história com Raul, sobre sacanagens e coisas bacanas de toda essa trajetória. E faz mistério, afirmando que novidades podem pintar a qualquer momento. Boa leitura!

Megaphone|Entrevista: Sylvio Passos

Se estivesse vivo, Raul Seixas teria completado 67 anos de idade no dia 28 deste ano. Já imaginou como seria isso?
Imagino que seria como os outros aniversários, ou seja, ele curtiria em casa, numa boa e com poucas pessoas.
A título de comparação, os 70 anos de Caetano Veloso foram amplamente noticiados pela mídia. Acha que esse aniversário, se o Raul estivesse vivo, seria tão comemorado?
Acredito que não pela grande mídia, mas pelo imenso público de Raul, sem sombra de dúvida.
O que você diria a ele?
[Pensativo. Risos]. Ocorreram-me mil coisas na cabeça, mas, certamente diria: “Raul, vamos matar um litrão de Jack e compor uns blues”?
O filme ‘O Início, O Fim e o Meio’ vem sendo considerado a primeira obra cinematográfica à altura da importância de Raul Seixas. Você concorda com isso? O que acha que muda com a chegada deste filme?
Boa pergunta. O que venho notando desde os pré-lançamentos em festivais de cinema e sessões fechadas é que Raul já não está no escanteio do cenário artístico brasileiro. Cada vez mais o reconhecimento e respeito por sua obra e por quem ele foi vem sendo olhado com outros olhos e ouvidos e isso é muito bom. O filme, para mim, se mostra como uma fratura exposta, com sangue correndo mesmo. Cheio de verdades. Não diria que é definitivo, mas, sim, o pontapé inicial para outras abordagens cinematográficas de quem foi Raul Seixas, sejam elas no campo das ficções, com atores, ou documentários. Afinal, é impossível retratar em poucas horas 44 anos de vida, né?
Mais de duas décadas após a morte de Raul, você concorda com ele que a solução é alugar o Brasil?
Não. O Brasil já foi alugado, o problema é que não pagaram os aluguéis. A solução hoje é reinventar o Brasil. Afinal, como venho afirmando e vivenciando ultimamente: reinventar-se é preciso.

“Só é criticado aquele que faz alguma coisa. Quem não quer ser criticado, que não faça nada, nem sequer exista”

Hoje, olhando para trás, com tudo o que você já viveu e já passou em prol de Raul (ao menos nos últimos 12 anos eu acompanho essa trajetória quase que de perto), eu lhe pergunto: valeu à pena?
Valeu e continua valendo, sem sombra de dúvida. Por vezes paro pra pensar nesses meus 31 anos de dedicação abnegada e, apesar de todas as dificuldades e sacanagens, tenho a certeza que eu sempre estive no caminho certo, acreditando nos meus sonhos, mesmo quando se tornaram pesadelos. Quando iniciei o Raul Rock Club, em 1981, a proposta era não ser um fã-clube convencional e o tempo só veio provar que acertei em cheio. Se eu não estiver equivocado, o Raul Rock Club é único em todo o mundo, um fã-clube paradoxalmente iconoclasta, se é que me entende. Talvez daí que venha toda essa aura de importância de meu trabalho e, conseqüentemente, do Raul Rock Club. Sempre fui muito assertivo nas minhas decisões, afinal de contas, além de brasileiro, sou Sylviopassista e não desisto nunca, porra (gargalhadas).
Resumindo: qual foi o melhor momento, qual foi o pior momento e qual foi a maior sacanagem dessa história toda?
Nesses 31 anos de Raul Rock Club acredito que foram vários “melhores momentos”, entre eles posso citar os lançamentos de discos como o ‘Let Me Sing My Rock And Roll’, em 1985; ‘O Baú do Raul’, em 1992; ‘Se o Rádio Não Toca’, em 1994; ‘Anarkilópolis’, em 2003, entre outros que fui convidado a dar consultoria. Os livros ‘Raul Seixas Por Ele Mesmo’ (1990) e ‘Raul Seixas, Uma Antologia’ (1992), respectivamente, que foram as duas primeiras publicações sobre Raul Seixas. Também a participação em todas as outras publicações sobre Raul, principalmente em ‘O Baú do Raul Revirado’ (2005), onde fui responsável por quase toda a parte iconográfica e pela produção do CD que acompanha o livro com material de meu acervo pessoal. Mas os grandes e inesquecíveis momentos foram a realização do ‘Palco Toca Raul’ na Virada Cultural de 2009 e o convite pra eu trabalhar no documentário ‘Raul – O Início, o Fim e o Meio’ que, depois do grande sucesso nos cinemas, agora está chegando ao público em DVD e blu-ray, onde também trabalhei em ambos os formatos. Já sobre “o pior momento”, está justamente ligado à maior sacanagem, ou seja, quando um novo advogado passou a representar uma das três herdeiras e ao invés de colaborar para mantermos a memória de Raul Seixas (o que acreditávamos que iria acontecer) e acabou prestando foi um grande desserviço à memória de Raulzito atingindo diretamente o Raul Rock Club e todo meu trabalho além, evidentemente, de minha vida pessoal. Foram tempos difíceis de muita covardia, maldade e perseguição, mas, ao mesmo tempo, depois de algum tempo em depressão, acabei usando toda aquela atitude insana em meu favor e acabei por abrir outras portas como músico e ator. E no final as ações injustas fizeram com que todas as partes ligadas diretamente ao Raul se unissem muito mais, fortalecendo assim os elos, fossem eles profissionais, familiares ou de amizade.
Vamos falar disso. Em dezembro de 2009 você paralisou as atividades do Raul Rock Club e, por conseqüência, do projeto Expo Raul Seixas. Mesmo tendo afirmado que a decisão nada tinha a ver com questões envolvendo as herdeiras do espólio, aquela historia parece não ter ficado muito clara. O que, realmente, aconteceu?
Realmente nada tinha a ver com as herdeiras, mas com um representante legal de uma delas que resolveu me perseguir, caluniar e difamar por motivos que desconheço, chegando à insana ação de exigir relatórios de quanto o fã-clube ganhava (sic). Fala sério, né? Todo mundo sempre soube das minhas dificuldades em manter o fã-clube ativo. Mas recentemente esse representante dançou justamente por usar o seu suposto poder de forma escusa, sem ética profissional alguma e em beneficio próprio.
O Raul Rock Club está morto?
O Raul Rock Club não morreu e nunca morrerá, como dizem por aí: virou uma entidade, uma coisa que não há mais como acabar. Como sempre pautei o trabalho do fã-clube de uma maneira atípica, assim permanecerá para todo o sempre, ou seja, sem uma forma definida. Vai se adequando aos valores e conceitos, sem nunca perder a essência anárquica e atemporal conforme foi concebido. Hoje, com todo o aparato tecnológico existente, estou estudando formas de retomar as atividades de uma forma mais moderna, afinal não se usa mais maquina de escrever, mimeógrafos e outras tecnologias que eram usadas época em que o mesmo foi fundado. Aos poucos vamos colocar tudo aí para aqueles que desejarem se juntar ao RRC. Tudo é questão de tempo e como diz aquele velho deitado: Time is money, honey!
O que pensa sobre as constantes críticas a Kika e Vivian Seixas? A pergunta se estende, também, às demais mulheres, filhas e, lá vai, vamos bater na tecla: ao Marcelo Nova?
Um monte de bobagens infundadas baseadas nas frustrações e projeções dos críticos. Digo isso com propriedade, afinal estou no alvo dos críticos também. Mas isso já não me preocupa e nem a elas e ao Marcelo também. Só é criticado aquele que faz alguma coisa. Quem não quer ser criticado, que não faça nada, nem sequer exista. O simples fato de existir já dá motivo para críticas, seja por inveja, por falta do que fazer ou por despeito. Postei um áudio do Paulo Coelho no meu canal no YouTube onde ele discorre sobre críticos e concordo em número, gênero e grau com tudo que Paulo diz.
Aliás, foi bom você falar em Paulo Coelho. Hoje existe muita controvérsia nessa história toda entre Paulo e Raul. É inegável a importância de Paulo para Raul e vice e versa, mas muita gente diz que Paulo mais prejudicou o Raul que o ajudou. Entretanto, o próprio Paulo vive reafirmando a importância de Raul em sua vida e carreira (inclusive nesse vídeo que você destacou). O que você pensa sobre essa relação? Aquele lance de ‘inimigos íntimos’ queria dizer o quê exatamente?
Se formos olhar com imparcialidade pra toda a história de Raul com Paulo iremos enxergar ali uma verdadeira parceria, assim como a de Raul com Cláudio Roberto. Há uma cumplicidade em ambas as parcerias, mas com parceiros de personalidade totalmente opostas. Não vejo com maus olhos a parceria Raul/Paulo. Eu sempre afirmei que a parceria de Raul com Paulo funcionava como um casamento, ambos tinham suas diferenças e justamente essas diferenças que completavam ambos. Quando as diferenças acabaram, o casamento acabou. Sacou? Complicado falar sobre uma coisa complexa como essa. O mesmo atribui-se ao que ambos concordaram em afirmar a vida toda: “Somos Inimigos íntimos.”. Me parece tão óbvia essa definição de amizade que quando vejo pessoas dizendo que Paulo traiu Raul me lembro imediatamente daquela situação patética do Dado Dolabella quebrando tudo no programa do João Gordo dizendo que ele havia traído o movimento (sic). Só rolando de rir mesmo.
Também em de 2009, você foi responsável por coordenar o Palco Toca Raul na Virada Cultural, do qual você já falou. Particularmente, foi uma das edições que mais curti da Virada, e onde passei momentos realmente fantásticos com os artistas, amigos e toda aquela trupe que você conhece muito bem. Felizmente, graças ao guitarrista Caverna, tive a oportunidade de percorrer os bastidores daquilo tudo, e foi inesquecível. Como foi produzir o palco?
Realmente dirigir e produzir aquele palco foi o maior dos trabalhos que já fiz nos últimos 31 anos. Conseguir reunir num mesmo palco, por 24 horas, todas aquelas atrações, de Os Panteras a Marcelo Nova não foi tarefa fácil. Foram praticamente cinco meses de trabalhos, contatos, ligações e mais ligações para acertar tudo. Conseguir trazer o Edy Star da Espanha pro Brasil foi outro desafio que deu certo. Tanto que Edy, depois da fantástica apresentação resolveu se fixar aqui em São Paulo.
Como surgiu a ideia do Palco?
A idéia surgiu na mente do “maestro da Virada Cultural”, o Zé Mauro [José Mauro Gnaspiri], que ligou um dia me convidando para uma reunião na Secretaria de Cultura, e me ofereceu o palco pra eu dirigir e produzir e, principalmente, me deu total liberdade de criação em todo o processo sem me preocupar em quanto custaria aquela loucura. Voltei pra casa com milhões de idéias na cabeça e aos poucos tudo foi se encaixando e criando forma. Lembro-me que dentro de tudo que foi apresentado naquele palco, aquele boneco de Raul e seu manipulador foi o mais inesperado. Explico: Estava eu perambulando pela Praça Dom José Gaspar quando reencontro um velho amigo, Gilberto Pedrosa, o Giba, que não via há tempos. Ele é contador de histórias infantis. Então naquele reencontro falei que estava com um palco na Virada Cultural 2009 e que queria algo de diferente no palco além das bandas e músicos e se ele não topava participar. Ele estava com o cara que manipula bonecos e sugeriu o cara que de imediato não quis fazer por questões ideológicas. Levei alguns dias ligando pra ele para convencê-lo de levar seu trabalho pro palco e naquela noite ele era a pessoa mais feliz que eu vi no palco e no backstage.
Teremos algo parecido?
Não diria que é impossível. Talvez role algo semelhante em breve. Vamos aguardar. Quem viver, verá.
Não faça mistério, Mr. Steps. Abre essa história aí…
É por hábito no meio artístico e, acredito, em outros meios que envolva público, não se falar de projetos que ainda não estão em andamento, com data certa de execução, por dois motivos básicos: não criar expectativa no público e, caso o projeto não venha a se concretizar, acabar gerando frustrações; e evitar os terríveis olhos-gordos, ziquiziras, urucubacas e similares.
Sylvio e Raul nos anos 1980
O que você acha do trabalho de covers de Raul. Mais que isso, o que pensa sobre sósias – pessoas que se vestem e se parecem fisicamente com Raul?
Sempre deixei bem claro que respeito e apoio o trabalho de todos os covers embora eu não curta covers bands, prefiro as tribute bands pela autenticidade. Atualmente Raul Seixas é o artista brasileiro que mais tem covers e sósias em todo o Brasil e até em outros países. Me relaciono muito bem com a maioria dos covers e sósias de Raul, sou amigo, inclusive, de alguns deles. São pessoas bacanas, honestas e que sabem distinguir o trabalho que fazem sem misturar as bolas como acontece com alguns deles, sabe? Em resumo: Os covers e sósias de Raul Seixas são, de alguma forma, importantes para a preservação da memória do grande artista que Raulzito foi e a crescente quantidade de artistas que se propõem em imitá-lo corrobora isso.
Segura essa agora: explique ‘Raulseixismo’, ‘Raulchatismo’ e ‘Raulxiitismo’ [gargalhadas]!
[Gargalhadas] Tá de sacanagem, né? Pois bem, lá vai. Raulseixismo: conceitos de Raul Seixas. Defendo o Raulseixismo, mas não sou Raulseixista, sou Sylviopassista. Raulchatismo: idéia fixa só em Raul Seixas como se nada mais existisse no universo. Raulxiitismo: tentativa patética de transformar Raul Seixas num ser supremo, ignorando a importância de todos aqueles que com ele conviveram e trabalharam. Respondi ou ficou alguma dúvida?
Respondido (risos). Agora, seguindo a mesma toada, o que você pensa a respeito de músicas como ‘Vampiro Doidão’ e ‘Um Lugar do Caralho’?
Que o Vampiro Doidão deveria ir para Um Lugar do Caralho e deixar Raul Seixas e seu público em paz.
[Gargalhadas] Vamos mais fundo nessa história, por favor. Você acha que ainda existe um desconhecimento, uma confusão ou é pura e simples ignorância sobre essas canções que são atribuídas a Raul Seixas?
Isso é igual ao “Toca Raul!”, que hoje já tomou conta de eventos em todo o mundo. Ninguém sabe onde começou e muito menos onde vai acabar. Houve uma época em que eu vivia gritando aos quatro ventos que ambas as gravações nada tinham a ver com Raul, que Raul jamais havia composta, grava e/ou cantado tais músicas e mesmo assim diziam que eu não sabia nada sobre Raul. Então resolvi deixar pra lá, afinal, eu nada sei sobre Raul, né? (risos).
O que acha que Raul te diria, hoje?
Sylvícola, que porra é essa?
Qual sua visão sobre da Passeata Raul Seixas [evento que ocorre anualmente, todo dia 21 de agosto, data da morte de Raul, no Centro Velho de São Paulo]? Ainda hoje, ela não recebe nenhum tipo de apoio e/ou atenção das autoridades do Estado e do município? Tudo ainda acontece de forma espontânea?
A Passeata Raulseixísticka continua acontecendo de forma espontânea, não existem ‘donos’ e/ou organizadores deste evento singular, único no mundo. Há alguns anos fui convocado pela Prefeitura para dar outro brilho à manifestação com direito a entrar no calendário oficial da cidade, palco e toda infra que se faz necessária, mas a proposta foi tão indecente que pulei fora.
Sylvio na Virada Cultural de  2009, na coordenação do Palco ‘Toca Raul’
Mas, em 2007 foi aprovado um projeto de lei de autoria do então vereador Carlos Giannazi (PSOL), que institui o ‘Dia Para Sempre Raulzito’ em SP. Essa lei foi promulgada? O texto dizia que a Secretaria Municipal de Cultura deveria promover eventos/homenagens, mas acredito que isso não tenha ocorrido até hoje, ou estou boiando?
Nunca mais ouvi falar nada. Talvez [a lei] tenha sido promulgada mas ficou nisso mesmo. Nunca nada aconteceu por conta disso.
O que ainda tem guardado n’O Baú do Raul que os fãs desconhecem?
[Risos] Ótima pergunta, Pinna’s. Para ser franco; muita coisa. Mas, muita coisa mesmo, levando-se em consideração os 44 anos de material coletado e guardado no famoso ‘Baú do Raul’, embora o conteúdo como um todo esteja dividido entre amigos, familiares e pessoas ainda desconhecidas. Só comigo, que até segunda ordem, sou o que mais material possui, tenho material suficiente para desenvolver projetos (alguns já esboçados) para mais uns dois ou três livros e uns 10 discos, mais ou menos. Se juntar o meu acervo com o da Kika (estive com ela esses dias e até falamos sobre isso), aí poderíamos considerar uma boa quantidade de itens inéditos a serem lançados nos próximos anos, décadas.
Que projetos seriam esses? Pode detalhar?
Um dos meus projetos, envolvendo ou não o acervo da Kika, seria a série ‘Raul Seixas Somente Para Fãs ‘- com edições limitadas e numeradas, uma espécie de ‘Raul Seixas Collectors’ Club’, como a feita pela ‘Discipline Global Mobile’ com material raro e/ou inédito do King Crimson. Esse, na verdade, é um velho sonho meu que venho colocando em prática dentro do possível e já rendeu alguns discos com material inédito como ‘O Baú do Raul’ (1992), ‘Se o Rádio Não Toca’ (1994) e ‘O Baú do Raul Revirado’ (2005), além do que acompanha a edição especial sobre Raul da ‘Revista Shopping Music’, de 1998. Aos poucos venho colocando esse velho projeto em prática de acordo com o interesse de gravadoras e editoras. A partir de 2013, pretendo disponibilizar mais material inédito. 2012 foi o ano do filme, 2013 será o ano de outros lançamentos e já estou trabalhando neles. Boas surpresas estão por vir por aí.
Parafraseando Abujamra: o que eu perguntei que você gostaria que eu não tivesse perguntado; e o que não perguntei que gostaria que tivesse perguntado?
Gostei de todas as perguntas, só não gostei das minhas respostas [risos]. Embora a entrevista toda esteja voltada à Raulzito, senti que poderíamos ter falado sobre a Putos BRothers Band e sobre o musical ‘Meu Amigo Raul’.
Não seja por isso. Você mantém esse projeto musical desde 2010. Como está sendo essa experiência agora como músico?
Antes de mais nada, se faz necessário dizer que a Putos BRothers Band não é uma banda cover de Raul Seixas e nem uma banda de Blues. Trata-se de uma banda autoral com diversidade musical, ou seja, optamos por tocar estilos musicas que gostamos, inclusive Blues e Rock and Roll compostos por mim e/ou em parceria com Agnaldo Araújo, velho amigo cantor e compositor de Indaiatuba/Campinas com dois discos autorais já lançados. Quanto a experiência como músico está sendo muito prazeirosa. Desde garoto que estou envolvido com música, mas sempre nos bastidores. Como também desde garoto escrevo e arranho na gaita e na flauta, aceitei o convite do meu brother Agnaldo Araújo para fundar uma banda. E o resultado está nos levando a gravar um álbum agora em 2013. Já fomos procurados por dois selos.
A Putos BRothers Band
O nome ‘Putos Brothers’, diga-se de passagem, possivelmente já foi lido por quem conhece a obra de Raul um pouco mais a fundo, não é?
Sim. A expressão aparece nos créditos de produção do álbum “A Panela do Diabo”. Nos apropriamos do nome já que nos créditos do Panela trata-se apenas de uma expressão com um certo ar de brincadeira. Quando nos perguntam o porquê do nome da banda sempre nos referimos a expressão no “Panela”, e completamos dizendo que não há um só brasileiro que não esteja puto seja lá com o que for. Nosso hino, assim como Sociedade Alternativa, de Raul Seixas ou Free Bird, do Lynyrd Skynyrd, chama-se ‘Tá todo mundo puto, brother!’ – música que eu e o Agnaldo compomos num domingo às 11h tomando água de coco pra curar ressaca depois de um show em São Paulo onde fomos sacaneados. Esse também será o título do nosso primeiro disco.
Qual é esse lance de musical que está sendo produzido sobre Raul?
Outra novidade na minha vida. Ou seja, eu como ator interpretando a mim mesmo. O musical “Meu Amigo Raul” é baseado na minha amizade com Raulzito e em sua biografia. Convidamos o Dylan Seixas, cantor, compositor, ator e cover de Bob Dylan e Raul Seixas para integrar o elenco junto com a Putos BRothers Band e a atriz Bete Bastos. Em 1983 conheci o então jornalista Ton Crivelaro nos bastidores do show que Raul apresentava, no Palmeiras, e alí o Ton, que já tinha em mente fazer algo sobre Raul no teatro, me convidou para trabalharmos juntos mas nunca mais nos encontramos. Décadas depois nos encontramos por acaso num show do Agnaldo Araújo em Campinas e, além da surpresa do reencontro no show de um amigo em comum, resolvemos tirar a poeira do velho projeto, reformular e levar pros palcos. A resposta do público em todas as apresentações que fizemos até agora tem sido fantástica. O público, chora, ri, reflete e aplaude muito. Gratificante essas reações.
Obrigado, Sylvio, até a próxima!
Yeah, man! Nos encontramos por aí, com Jack e muito mais.
Sylvio e Raul Seixas: última foto antes da morte do ícone do Rock brasileiro
Redação Megaphone / FP
 
 
 
De: "Raul Seixas Oficial Fã-Clube" <donotreply@wordpress.com>
Assunto: Daily digest for 5 de January de 2013
Para:
sulinha3@yahoo.com.br
 
 
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