Nas últimas quatro semanas o Bereia produziu cinco checagens de conteúdo e três reportagens. Um destaque foi o tema do ódio e da aversão a mulheres. A Lei contra a Misoginia (que pune atos e práticas que representem expressões de ódio e estímulo a ataques contra mulheres) aprovada no Senado em março, Mês da Mulher, foi alvo de muitas publicações. Um grande número delas em oposição à lei, com mentiras sobre os objetos de punições (como, por exemplo, proferir uma piada sobre mulheres, ou o sermão numa igreja sobre deveres das mulheres) e foram publicadas por líderes religiosos e políticos com identidade cristã. Bereia checou e chamou a atenção sobre a necessidade de se conhecer o teor das leis aprovadas antes de falar ou compartilhar conteúdo sobre elas.
Outra checagem referente ao ódio e a aversão a mulheres tem relação com o processo eleitoral. Bereia mostrou como vídeos criados por inteligência artificial, em circulação nas mídias sociais, simulam uma situação de pastores disciplinando mulheres vestidas com uma camiseta vermelha com a marca do Partido dos Trabalhadores (PT). Na cena inventada, os pastores vestidos com camisetas verde-amarelas, da seleção brasileira de futebol, exorcizavam as mulheres com tapas no rosto e gritos. Além de ser um ataque simbólico às mulheres (não havia um homem sequer representado no ato de exorcismo a não ser o pastor) e um incentivo à violência, a peça expressa a demonização de um partido político alinhado à esquerda, hoje no poder da República, e que tentará a reeleição em outubro.
Este tipo de conteúdo tem relação com outro checado pelo Bereia: um corte da gravação de uma pregação da apóstola Valnice Milhomens, celebridade pentecostal de várias décadas. Na fala proferida em evento da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, presidida pelo pastor Silas Malafaia, Milhomens convoca evangélicos a “tomarem o poder do país”. Bereia confirma como verdadeira a peça de vídeo e explica como tal manifestação corresponde a outras já expressas por Valnice Milhomens em períodos eleitorais anteriores.
Ainda sobre o tema das mulheres, Bereia confrontou a mentira de que o ataque militar dos Estados Unidos e Israel ao Irã estaria ocorrendo para libertar as mulheres iranianas da opressão do regime islâmico dos Aiatolás. Esta afirmação falsa circulou fartamente em espaços digitais religiosos como justificativa para a guerra que já matou milhares de pessoas e segue sem perspectiva de fim.
Outras matérias do Bereia trazem temas importantes como a propagação de intolerância religiosa contra religiões de matriz africana e de xenofobia contra o Nordeste do Brasil por um jovem missionário, que viralizou nas redes; a confrontação de notícias que circularam em espaços religiosos sobre um falso atentado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pastor André Mendonça; a discussão em curso no STF para o veto ao uso de religião como técnica na psicologia; as cinco mentiras que mais circulam em ambientes digitais religiosos a propósito do Dia da Mentira, 1º de abril.
Vale à pena conhecer estes conteúdos, divulgá-los e se aliar ao Bereia no chamado público ao enfrentamento da desinformação, em especial em tempo de processo eleitoral, quando a mentira se tornou uma estratégia de convencimento das pessoas, em especial as religiosas.