Com vendas em alta e presença em cada vez mais países, a BYD vem demonstrado uma expansão global sólida. A marca chinesa, entretanto, ainda carece do mesmo prestígio e reconhecimento de montadoras ocidentais. Além disso, por questões políticas, está ausente dos Estados Unidos, o maior mercado automotivo do mundo depois justamente da China. Para consolidar sua presença como uma das maiores fabricantes de veículos do planeta e incrementar sua imagem como montadora consolidade, a BYD tem um plano ousado: criar sua própria equipe de Fórmula 1, segundo a agência de notícias Bloomberg. Seria uma estratégia para que os chineses não sejam vistos apenas como novatos no mercado automotivo, mas um dos grandes players do mercado automotivo global. Por que a Fórmula 1Desde sua aquisição pela Liberty Media, há uma década, a Fórmula 1 tem vivenciado uma transformação intensa, que rejuvenesceu e ampliou drasticamente o público das corridas. Nessa vitrine global, até marcas tradicionais passaram a disputar ferrenhamente um lugar no grid para ter uma equipe para chamar de sua na categoria. Só em 2026, foram duas estreantes - Cadillac e Audi -, que pagaram cerca de US$ 450 milhões apenas na 'taxa de inscrição'. Esse valor, estima-se, pode dobrar ao incluir os salários de centenas de funcionários e os gastos com o desenvolvimento dos carros. Mesmo assim, o custo se paga: a Audi, em sua estreia, citou diversas vezes um ganho de reputação com a participação na F1 - que seria muito maior para uma montadora jovem, como a BYD. No fim da cadeia, essa reputação gera mais vendas, além da percepção de mais luxo e tecnologia da marca, que se torna 'grife' e pode cobrar mais por seus modelos. A Cadillac tem demonstrado percepção semelhante à da Audi quando à sua presença na Fórmula 1, pontuando que o desenvolvimento da parte técnica dos seus monopostos, sob a pressão da disputa esportiva, também gera um ganho relevante em relação à consolidação e ao surgimento de tecnologias úteis para seus carros de rua. Nesse caso, o timing da BYD é ainda mais acertado, já que, desde 2026, a Fórmula 1 se tornou mais eletrificada. Com os motores elétricos dos carros correspondendo a quase metade da potência total dos bólidos, a expertise da chinesa no assunto seria uma vantagem competitiva importante, apontam analistas. Popularidade estratégicaSegundo a Bloomberg, outro ponto estratégico de uma possível entrada na F1 é o plano de uma 'invasão' dos EUA. Isso porque a BYD almeja o mercado estadunidense há anos e, inclusive, já sinalizou planos de construir uma fábrica de automóveis no México para exportar seus carros sob isenção tarifária para o país vizinho. Com as medidas protecionistas impostas antes mesmo do início do segundo mandato de Donald Trump, entretanto, o plano ficou mais distante, com taxas de 100% praticamente inviabilizando a venda de veículos chineses no país da América do Norte. O ingresso na F1 seria um aumento dessa pressão, criando um desejo que, idealmente, poderia forçar mudanças na regulação do mercado estadunidense. Mais uma vez, os planos da BYD se alinhariam com outros interesses: nesse caso, do chefão da FIA (Federação Internacional do Automóvel), Mohammed Ben Sulayem, que já afirmou, em entrevistas recentes, que deseja uma 12ª equipe, chinesa, no grid da Fórmula 1. Nesse caso, o interesse de Ben Sulayem é especificamente no mercado chinês, onde, mesmo com índices audiência proporcionalmente mais baixos, a F1 já tem um dos seus maiores contingentes de fãs. O Grande Prêmio do país já está firme no calendário, e o piloto Zhou Guanyu já marcou a estreia de um chinês no volante. Agora, falta apenas uma equipe conterrânea para que a audiência proporcional cresça - e a China se torne, potencialmente, o país com maior número de fãs da Fórmula 1 no mundo. Segundo dados oficiais, caso a China alcance o mesmo percentual da população interessado nas corridas do Reino Unido, seriam impressionantes 339 milhões de pessoas assistindo às provas no país asiático. Nesse casamento útil para ambos, a BYD conseguiria o prestígio de 'sentar na mesa' dos grandes, ao passo que a F1 alcançaria sua ambiciosa meta de 1 bilhão de espectadores no mundo inteiro. |