A reunião ministerial do Grupo de Trabalho de Agricultura do Brics, realizada nesta quinta-feira, 17, em Brasília, resultou na ratificação de uma declaração entre os 11 países que participam do bloco. Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, conversou comigo logo em seguida, por 15 minutos, ao telefone.
"Este foi o culminar de dois meses de trabalho intenso das equipes técnicas do Ministério da Agricultura, que desde segunda estavam em Brasília", esclarece o secretário, ao comentar que a sala de reunião acomodou mais de 100 pessoas entre ministros, vice-ministros, secretários, embaixadores, técnicos e outros representantes de cada nação.
Para ele, a ratificação consensual entre os ministros mostra o interesse dos países em melhorias de processo burocrático e redução de custos, visando ampliar o comércio agropecuária. Entre os assuntos, Rua destaca a certificação eletrônica.
O secretário conta que são emitidos cerca de 80 mil certificados internacionais para a China por ano, tudo em papel. Na prática, correm-se riscos comoextravio de documentação, cargas que chegam ao destino sem a papelada e taxas aplicadas por conta da falta dos documentos impressos.
"A certificação eletrônica é um tema que está no centro dos avanços tecnológicos que queremos no Brics. Essa é uma facilitação do comércio que estamos fomentando entre países do bloco", afirma.
Ele cita que o Brasil trabalha em algumas plataformas digitais e países como Rússia, Índia e China têm avanços significativos nesta temática. A ideia, portanto, é unir esforços para avanços concretos em intercâmbio internacional. No entanto, esclarece o secretário, a certificação eletrônica será para negócios bilaterais e não entre todos os integrantes do Brics.
Na declaração ministerial ratificada, também constam cooperações para recuperação de áreas degradadas e a aliança global contra fome e pobreza.
Em relação à guerra tarifária, Luis Rua diz que isso "não entrou abertamente nas discussões e não há qualquer posição do grupo todo ou do Brasil contra qualquer país".
O secretário do Mapa fala em "geopolítica da paz", postura que o governo do presidente Lula quer imprimir, em tom de cooperação e "um caminho que visa entendimentos e não afastamentos".
"O que deixamos claro, sob a liderança do ministro Carlos Fávaro, é que o Brasil é um parceiro estável e confiável. Somos uma das poucas geografias do mundo que pode ajudar com segurança alimentar, climática e energética, pois temos qualidade, sanidade, escala e competitividade."
Questionado se a China utilizou a reunião para falar de mais embarques de produtos agropecuários, ele indicou que não tinha esta informação. Ainda assim, deixou claro que o Brasil está no páreo.
"Nós reforçamos, nas oportunidades que tivemos, que qualquer apoio adicional que os países precisarem, o Brasil está pronto para ajudar", encerrou o secretário, antes de seguir para a próxima agenda do dia.