Muito tem sido falado sobre Elon Musk ao longo dos últimos anos: da genialidade de criar empresas e serviços inovadores, das declarações polémicas, do cada vez maior envolvimento político, da forma como gere o calendário pessoal, das façanhas nos videojogos, da riqueza desmedida, das promessas não cumpridas. O sul-africano é uma das figuras mais poderosas, influentes e incontornáveis do mundo atual. Justamente por ser uma pessoa tão falada e escrutinada é que achei fascinante a reportagem publicada pelo The Washington Post esta semana sobre a vida parental e amorosa de Musk. Mostra-nos, com um detalhe quase sórdido, um outro lado de pensamento do multimilionário – o de alguém que quer deixar o maior número de sementes no planeta antes de morrer. Elon Musk já tem 14 filhos (que se saiba), de quatro mulheres diferentes, e ao que tudo indica não pretende ficar por aqui. A reportagem arranca com o caso de Ashley St. Clair, a mais recente mulher que Musk escolheu para ser mãe de um dos seus filhos. Romulus St. Clair é o mais novo descendente do clã Musk (uma nota pessoal: o nome desta criança é bastante aceitável, mas o meu filho preferido de Musk, em termos de nome, continua a ser o Techno Mechanicus.). De forma resumida, Musk queria firmar um acordo com a mãe da criança (no valor de 15 milhões de dólares, mais 100.000 dólares mensais até fazer 21 anos) para que tanto ela como a criança mantivessem o anonimato sobre quem é o pai. Ashley St. Clair não aceitou os termos e iniciou uma batalha legal contra Elon Musk. E como é habitual em casos judiciais, zangam-se as comadres, sabem-se as verdades. É aqui que entramos no mundo louco da parentalidade e da teoria da natalidade de Elon Musk. Vejamos: • O WSJ diz que Elon Musk está “motivado” em povoar a Terra com mais pessoas de elevada inteligência. “Ele quer mesmo que as pessoas inteligentes tenham filhos, por isso encorajou-me a fazê-lo”, contou uma das mães dos seus filhos, Shivon Zilis, ao biógrafo de Musk, Walter Isaacson; • Elon Musk refere-se aos seus 14 filhos como a “legião”, recuperando o conceito de batalhão de soldados da era romana. “Para atingir o patamar de legião antes do apocalipse vamos precisar de usar barrigas de aluguer”, terá dito, numa mensagem enviada a Ashley St. Clair. “Durante a gravidez de St. Clair, Musk sugeriu que envolvessem outras mulheres para terem ainda mais filhos mais rapidamente”, revela o WSJ; • Jared Birchall é o ‘intermediário’ entre Elon Musk e as mães dos seus filhos. Birchall esteve também envolvido na compra de uma propriedade em Austin, nos EUA, na qual Elon Musk queria que todas as mulheres e os seus filhos vivessem; • O WSJ também diz que Musk usa a rede social X, da qual é dono, para entrar em contacto com mulheres com quem quer ter filhos. O jornal dá inclusive um exemplo de uma influenciadora digital, com quem Elon Musk nunca tinha estado na vida, mas a quem perguntou, através de mensagens na plataforma, se estaria interessada em “ter um filho” seu. Recomendo – muito – a leitura na íntegra de toda a reportagem sobre as táticas que Elon Musk usa para gerir a sua ‘legião’ de bebés — e as suas mães. É uma visão única sobre a mentalidade pró-natalidade, levada quase ao extremo, de um homem que tem muito amor (e dinheiro) para dar. Boas leituras. |