Deputado alerta para perda de soberania após acordo de US$ 2,8 bilhões e defende nova política mineral com controle nacional e agregação de valor |
A venda da mineradora brasileira Serra Verde para a empresa americana USA Rare Earth, em uma operação avaliada em US$ 2,8 bilhões, provocou forte reação no meio político e reacendeu o debate sobre soberania nacional e controle de recursos estratégicos. O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) classificou o negócio como um “crime de lesa-pátria”, ao criticar a transferência de um ativo considerado vital para a indústria de alta tecnologia e a transição energética. |
A operação prevê que os atuais controladores da Serra Verde se tornem os principais acionistas da USA Rare Earth, por meio de uma combinação de pagamento em dinheiro — cerca de US$ 300 milhões — e emissão de ações. A transação envolve a mina de Pela Ema, em Goiás, uma das poucas fora da Ásia com capacidade de produção em escala comercial de terras raras pesadas. |
Zarattini foi direto ao apontar os riscos estratégicos da operação. “A venda da única mina de terras raras em operação no Brasil acende o alerta. Minerais estratégicos não podem ser tratados como mercadoria comum. Estamos falando de recursos ligados à indústria, à tecnologia e à soberania nacional”, afirmou. |
Em tom ainda mais contundente, o parlamentar classificou o negócio como uma entrega de ativos estratégicos em meio à disputa global por minerais críticos. “Isso é um crime de lesa-pátria!”, disse, ao destacar que o Brasil estaria abrindo mão de um recurso essencial para o desenvolvimento tecnológico e industrial. |
Um dos pontos mais sensíveis do acordo é a previsão de que 100% da produção da Serra Verde seja destinada aos Estados Unidos. Na prática, isso significa que a totalidade das terras raras extraídas no Brasil abastecerá cadeias produtivas e agências ligadas à indústria norte-americana, sem garantia de fornecimento ao mercado interno. |
Esse modelo reforça um padrão histórico da economia brasileira, baseado na exportação de commodities com baixo valor agregado, ao mesmo tempo em que limita o desenvolvimento de uma indústria nacional capaz de processar e utilizar esses insumos estratégicos. |
As terras raras — como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — são fundamentais para a produção de tecnologias avançadas, incluindo carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares. Atualmente, a China domina a cadeia global desses minerais, o que levou os Estados Unidos a intensificarem esforços para diversificar suas fontes de suprimento. |
Nesse contexto, a aquisição da Serra Verde é vista como peça-chave na estratégia norte-americana de construção de uma cadeia produtiva independente da China, abrangendo mineração, processamento e fabricação de ímãs permanentes. |
Diante desse cenário, Zarattini destacou que a bancada do PT já apresentou o Projeto de Lei 1754/2026, que propõe uma reestruturação da política mineral brasileira. “Por isso, a bancada do PT apresentou o PL 1754/2026, que propõe uma nova política para o setor, com participação direta da União, criação da TerraBras, conteúdo nacional, transferência de tecnologia e agregação de valor no país. Não é só economia, é soberania”, afirmou. |
ALVO ESTRATÉGICO EM GOIÁS |
A mina de Pela Ema, localizada em Goiás, é considerada um dos ativos mais relevantes fora da Ásia na produção de terras raras pesadas. Sua capacidade de extrair quatro dos 17 elementos conhecidos como terras raras em escala comercial a torna um ponto estratégico na cadeia global desses minerais. |
Especialistas apontam que o Brasil possui reservas significativas, mas ainda carece de uma política industrial robusta para transformar esse potencial em desenvolvimento tecnológico e geração de valor agregado. |
A venda da Serra Verde ocorre em um momento de reorganização das cadeias produtivas globais, impulsionada pela transição energética e pela crescente demanda por tecnologias limpas. Para críticos da operação, como Zarattini, o Brasil corre o risco de aprofundar sua dependência externa ao abrir mão do controle sobre recursos essenciais. |
O episódio reforça a necessidade de um debate mais amplo sobre o papel do país na geopolítica dos minerais estratégicos e sobre os caminhos para garantir que suas riquezas naturais contribuam efetivamente para o desenvolvimento nacional. |
(Com informações de Brasil247)
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