O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi submetido no domingo a uma cirurgia de quase 12h no Hospital DF Star, em Brasília. Internado com suboclusão intestinal após mal-estar em evento no Rio Grande do Norte na sexta-feira, Bolsonaro passou pela laparotomia exploradora para liberar aderências e reconstruir a parede abdominal – consequências das cirurgias após a facada de 2018. Segundo o boletim médico, o ex-presidente está estável, sob cuidados na UTI. O cirurgião Claudio Birolini, responsável pelo procedimento, afirmou que o caso atual foi mais grave do que episódios anteriores enfrentados por Bolsonaro, e a complexidade da situação exigiu uma operação prolongada. Ainda não há previsão de alta hospitalar. (g1) Antes de se submeter à cirurgia, o ex-presidente divulgou uma nota em que conclamava os deputados a votarem pela anistia aos condenados do 8 de Janeiro. Segundo Andreza Matais, aliados consideram a nota um “último comando”, caso algo mais grave acontecesse na operação. (UOL)
Enquanto isso... A pressão da Câmara para acelerar o projeto de anistia já acendeu o alerta no Supremo Tribunal Federal (STF). Ministros ouvidos pelo Blog da Andréia Sadi avaliam que, se aprovado, o texto será derrubado por inconstitucionalidade. O entendimento da Corte é que o projeto viola os incisos 43 e 44 do artigo 5º da Constituição, que proíbem anistia para crimes como terrorismo e ações armadas contra o Estado — base das condenações dos golpistas. Nos bastidores, ministros do STF já contam maioria para invalidar a medida, caso ela avance. (g1) O ministro Alexandre de Moraes adotou como procedimento para os casos do 8 de Janeiro a intimação só das testemunhas de acusação, obrigando as defesas a levar os depoentes para as audiências no tribunal. A estratégia pode inviabilizar depoimentos considerados cruciais para os acusados, frustrando planos de alguns denunciados de tumultuar o julgamento, com a inclusão de testemunhas sem relação com a trama golpista. A decisão de Moraes é considerada por outros ministros um antídoto contra defesas que arrastam processos. (Folha) O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou neste domingo que a Corte “chamou para si a missão de enfrentar” o que ele descreveu como extremismo e populismo autoritário. Ao discorrer sobre o tema em um vídeo exibido na 11ª Brazil Conference, realizada nas universidades de Harvard e MIT, em Boston, o ministro afirmou que “o populismo autoritário trouxe perdas para a população brasileira, como a captura do conservadorismo e de líderes religiosos pelo extremismo”. (Estadão)
A movimentação de aliados para a sucessão ao governo de São Paulo em 2026 irritou Tarcísio de Freitas (Republicanos), que reforçou ao secretariado que o candidato à reeleição será ele. Em reunião com o grupo, o governador disse que descarta a candidatura à Presidência, entretanto, admite que poderia disputar o Planalto se Bolsonaro o solicitasse. A enquadrada veio após articulações de Ricardo Nunes (MDB), Gilberto Kassab (PSD) e André do Prado (PL), que começaram a se colocar, nos bastidores, como alternativas ao cargo. Preocupado com a imagem que projeta ao ex-presidente, seu padrinho político, o governador evita aparecer ao lado de possíveis pré-candidatos, ainda mais com uma possível intersecção entre seu eleitorado e o de Lula. Em pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 38% dos eleitores que avaliam o governo Lula como ótimo ou bom também aprovam Tarcísio, índice próximo dos 41% de aprovação geral do governador. (Folha)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo que smartphones, laptops e outros eletrônicos de consumo não estão sendo liberados de seu tarifaço, e que o governo está analisando sua mudança apenas para uma nova categoria de tarifas, que será explicada hoje. Na última sexta, Trump havia anunciado a exclusão temporária da cadeia de eletrônicos das tarifas recíprocas impostas à China. A medida reduzia o escopo de suas tarifas de 125% sobre os produtos chineses e uma base de 10% sobre as importações da maioria dos outros países. Essa atualização, que atinge US$ 101 bilhões em importações chinesas, foi vista por Pequim como um “pequeno passo” na direção certa, mas insuficiente. O Ministério do Comércio chinês pediu, mais cedo no domingo, que os EUA eliminassem todas as tarifas recíprocas e retomassem o diálogo “com respeito mútuo”. (Globo) A guerra comercial respingou na geopolítica da América Latina. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que Washington busca recuperar influência sobre o Canal do Panamá e chamou a região de “nosso quintal”, acusando a China de avançar com investimentos e acordos estratégicos no continente. (Globo) No Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, minimizou os efeitos da escalada tarifária. Em entrevista, afirmou que o país ocupa uma posição “privilegiada”, com forte comércio com os EUA, China e União Europeia. Haddad destacou que o Brasil não deve ser alvo direto das medidas de Trump, já que “compra mais do que vende” aos americanos, e reforçou a confiança na resiliência da economia brasileira. (BandNews) Para ler com calma. A dimensão e os efeitos do tarifaço vão muito além do vaivém dos índices financeiros e da perda de trilhões de dólares em valor de mercado de empresas. O ‘divórcio litigioso’ entre EUA e China pode causar ruptura no modelo internacional construído pelos americanos no século 20. (Globo)
O presidente do Equador, Daniel Noboa, foi reeleito neste domingo. Com 90% das urnas apuradas, ele tinha 56% dos votos, contra 44% da esquerdista Luisa González. Em nota, ela disse não reconhecer o resultado e que vai pedir recontagem dos votos. (g1)
Meio em vídeo. O cientista político Christian Lynch recebe o economista Renê Garcia Júnior no programa Diálogos com a Inteligência desta semana. O atual diretor de operações e vice-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) discorre sobre os principais aspectos que movem a economia mundial, como o tarifaço de Trump e os impactos no Brasil. O Diálogos com a Inteligência é uma parceria da Insight, editora da revista Insight Inteligência, com o Meio. (YouTube) |