15 abril, 2025

Bem-vindos ao RE-SEE, a nova newsletter semanal da ELLE Brasil.

 

Material Boys
Herchcovitch;Alexandre.
Foto: Agência Fotostie


Toda terça-feira, vamos rever, comentar e tentar dar sentido às principais notícias de moda dos últimos sete dias. Nesta carta de estreia, falamos sobre o interesse e a qualidade técnicos das melhores coleções da São Paulo Fashion Week, a queda nas vendas da LVMH, a compra da Versace pelo grupo Prada e a nova loja do designer de acessórios Carlos Penn

SPFW N59 começou no domingo (06.04) e terminou na noite de sexta-feira (11.04), no gramado do estádio do Pacaembu – uma cortesia da Piet (e do Mercado Livre). Foi uma edição enxuta, com cerca de quatro desfiles por dia (17 no total), a maioria no shopping JK Iguatemi.

O formato reduzido tem justificativas. A economia é uma delas. Há uma grande incerteza sobre como 2025 irá se desenrolar. Sem falar na carestia. Em outubro, tem ainda a celebração dos 30 anos do evento. Ao que tudo indica, organização e marcas (diz que 50 já confirmaram presença) preferiram poupar esforços, custos e investimentos para a ocasião.

As adversidades, no entanto, dão ainda mais destaque às duas melhores coleções da temporada: Herchcovitch;Alexandre e João Pimenta. Em entrevistas, eles disseram estar mais interessados na construção e no design das roupas do que em qualquer temática. Os resultados são excepcionais. Dispensam explicações ou narrativas para serem apreciados.

João Pimenta.
Foto: Agência Fotosite

Em um mercado saturado e homogêneo, é raro encontrar tamanho cuidado e qualidade em um produto. Até porque eles custam caro e demandam tempo. E tempo é uma questão importante aqui. Não só pelas horas, dias, semanas que cada item leva para ser feito. Nem pela durabilidade prolongada, tipo peça-investimento. Tem a ver com uma certa suspensão ou resistência ao imediatismo desmemoriado.

É possível identificar influências do passado nas roupas de ambos os estilistas. O estudo de trajes de outras décadas, séculos até, está no centro dos seus processos criativos. As referências aparecem como memórias registradas sobre silhuetas e peças contemporâneas. Sem nostalgia alguma. É tudo atualíssimo.


Tava bom, não tava muito bom, tava meio ruim, tava ruim, agora parece que piorou
Os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025 da LVMH ficaram abaixo do esperado. A expectativa era de baixa entre 1% e 2% nas vendas de moda e acessórios de couro. A queda, contudo, foi de 5%. Entre as regiões mais impactadas, a Ásia foi a que apresentou redução mais acentuada, 11% (com exceção do Japão). Nem os Estados Unidos, mercado que se provava resiliente ao consumo desacelerado dos últimos anos, resistiu, registrando uma retração de 3%.

Pelo tamanho e poder do grupo, os resultados deixaram todo mundo apreensivo. Se está ruim até para os grandões, imagina para os menores. E os cenários de recuperação são improváveis. O mercado de luxo estava em baixa há algum tempo. Deu uma leve melhorada no fim do ano passado, mas as perspectivas futuras se complicaram com as tarifas de importação implementadas (e por ora parcialmente suspensas) por Donald Trump, a guerra comercial dos EUA com a China e uma possível recessão global.

Se os custos das operações aumentarem, caso as taxas alfandegárias estadunidenses entrem em vigor, empresas grandes como a LVMH têm mais margem de manobra para controlar os preços. Contudo, as incertezas e inseguranças sobre a carestia afetam diretamente o humor e a confiança dos consumidores, que já não andavam lá essas coisas. E com a água bem além da bunda (perdão pelo linguajar), as mudanças nas direções criativas das principais marcas do conglomerado (Dior e Fendi estão com vagas abertas) devem ganhar ainda mais atenção.

Pradace, Versada?
Miuccia Prada e Donatella Versace.
Foto: Getty Images
A tão especulada compra da Versace pelo grupo Prada foi oficializada na última quinta-feira (10.04) por 1,4 bilhão de dólares. As negociações estavam em andamento há algum tempo, mas o caos financeiro desencadeado pelas novas tarifas de importação dos Estados Unidos deu uma acelerada no processo. A transação era necessária para um lado – o da Capri Holdings, a empresa dona da Michael Kors e Jimmy Choo, que comprou a Versace em 2018 por 2,1 bilhões de dólares – e desejada para o outro. Aqui, o editor Gabriel Monteiro explica por quê.
De casa nova
Foto: Breno da Matta
O designer de acessórios Carlos Penna inaugurou um segundo ponto de vendas em São Paulo. O novo endereço fica no Conjunto Zarvos, na Av. São Luís, 258, no centro da cidade. São três andares, divididos entre ateliê, loja e uma área ampla para exposições de arte, designs, decoração e colaborações assinadas por ele e outros criativos. A primeira delas, prevista para maio, é com a estilista Karoline Vitto. Na sequência, uma parceria com seu conterrâneo Luiz Claudio Silva, da Apartamento 03, será lançada no segundo semestre.
@luigitorre é diretor de reportagem de moda da ELLE Brasil.
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