18 abril, 2014

19 de Abril - Belmonte, caricaturista, cartunista e ilustrador brasileiro que participou da Semana da Arte Moderna



  • 1947 - Belmonte, caricaturista, cartunista e ilustrador brasileiro que participou da Semana da Arte Moderna (n. 1896)
Belmonte, nascido Benedito Carneiro Bastos Barreto (São Paulo, 15 de maio de 1896 — São Paulo, 19 de abril de 1947) foi um caricaturista, pintor, cartunista, cronista, escritor e ilustrador brasileiro.
Belmonte foi o criador da personagem "Juca Pato": careca "por tanto levar na cabeça", cujo lema era "podia ser pior", e que encarnava as aspirações e frustrações da classe média Paulistana. Inconformado, sintetizava a figura do homem comum, trabalhador, honesto, acossado pela burocracia, pelo aumento do custo de vida e pela corrupção. Numa época pré-merchandising, Juca Pato estampou carteiras de cigarros, cadernos escolares, balas, água sanitária, marchinhas de carnaval, além do bar Juca Pato, ponto de encontro de intelectuais e artistas.
Em 1929 e 1930, o personagem "Juca Pato" fez sucesso na "Folha da Manhã", atual Folha de S. Paulo, com suas críticas a Getúlio Vargas e à Aliança Liberal. A Folha da Manhã apoiava o candidato Júlio Prestes. Com a vitória da Revolução de 1930, o jornal foi destruído (empastelado), só voltando a funcionar em 1931, com outra orientação política.
Em 10 de novembro de 1937, dia da instauração do Estado Novo, publicou uma charge em que Juca Pato lia trechos da constituição americana, tendo em segundo plano a Estátua da Liberdade. Posteriormente foi obrigado pelo DIP a tratar somente de temas internacionais. Fez as ilustrações da primeira edição do livro O Poço do Visconde, de Monteiro Lobato, publicado em 1937 e também dos demais livros escritos para o público infantil, até 1947.
Nessa época, Belmonte escreveu e ilustrou sua obra sobre São Paulo dos primeiros séculos: 'No tempo dos Bandeirantes".
Três anos após a Segunda Guerra Mundial, após seu falecimento em conseqüência de tuberculose, foi publicado o livro Caricatura dos Tempo, republicado pela Editora Melhoramentos em 1982. As caricaturas reunidas nesse livro permanecem até hoje exemplares das relações internacionais do período entre 1936 e 1946, tendo sido traduzido para diversos países da América Latina.
Em janeiro de 1945, às vésperas da rendição alemã, Joseph Goebbels, em uma das derradeiras transmissões pela Rádio de Berlim, atacava o conteúdo do livro de charges estrangeiro: Certamente, disse Goebbels, o artista foi pago pelos aliados ingleses e norte-americanos.
Além de álbuns de caricatura, escreveu também crônicas e contos humorísticos (Ideias de João Ninguém, 1935) e estudos históricos (No tempo dos Bandeirantes; Brasil de outrora; Costumes da América Latina). Foi um dos melhores ilustradores das obras infantis de Monteiro Lobato.


    Belmonte, o Bandeirante da Caricatura




    Belmonte











    Seus desenhos ganharam o país e foram publicados também em O Cruzeiro, D. Quixote, Verde e Amarelo, Kosmos, Radium, Vamos Ler, Fon-Fon, além das estrangeiras Rire (França), ABC (Portugal), Caras y Caretas (Argentina), Judge (EUA) e Kladeradtsch (Alemanha).  Foi também um atuante ilustrador de obras literárias, desenhando para o acadêmico Viriato Correia, para quem ilustrou os livros Meu Torrão, História do Brasil para Crianças e A Bandeira de Esmeraldas. Para Renato Sêneca Fleury produziu, além da capa, doze belíssimas ilustrações para o livro Santos Dumont, contando a trajetória do Pai da Aviação, com desenhos caprichosamente finalizados a bico de pena; e para Monteiro Lobato, de quem foi grande amigo, ilustrou, entre outras, toda a obra O Sítio do Pica-Pau Amarelo. Entre uma encomenda e outra, Lobato passou a se corresponder com Belmonte, comentando por meio de cartas, os desmandos políticos da época e fazendo previsões não muito otimistas sobre o futuro político do Brasil. Numa destas cartas, posteriormente cedidas por sua filha Laís Barreto, e publicadas pela Folha de São Paulo, em julho de 1972, o criador de Emília, Narizinho e Visconde, comentou sobre a cultura da impunidade já enraizada no país, e num tom quase profético quanto realista escreveu: “Teu lápis amargo terá muito que escalpelar, mas o triste é que escalpelará em vão. A caricatura entre nós não corrige, como não corrige a sátira literária, como não corrige a cadeia”.



     
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