03 junho, 2026

Destaques de Inteligência artificial


O alerta do NYT sobre a exploração do conteúdo jornalístico pela IA

O presidente e editor do The New York Times, A.G. Sulzberger, discursando no Congresso Mundial de Mídia Noticiosa da WAN-IFRA, em Marselha, na França

Olá!

O presidente do conselho e publisher do jornal The New York Times, Arthur Gregg Sulzbergerfez um alerta sobre o que chama de "postura parasitária" das plataformas de inteligência artificial (IA) sobre o conteúdo original e de alta qualidade dos veículos de notícias.

No discurso de abertura do Congresso Mundial de Mídia Noticiosa, em Marselha, na França, na segunda-feira (1º), Sulzberger trouxe uma análise categórica sobre como as empresas de inteligência artificial estão "explorando" os sites e o valor dos veículos de comunicação, no que chamou de "um roubo descarado de propriedade intelectual que ocorreu em uma escala sem precedentes." (Veja aqui a íntegra do discurso em inglês)

Sulzberger defendeu que as empresas de mídia noticiosa ajam com cautela em acordos com empresas de IA, que pressionem seus legisladores por regras que protejam a propriedade intelectual, proíbam a coleta de dados não autorizadas por robôs de IA e exijam que as plataformas revelem como usam o trabalho das editoras de notícias para treinarem seus modelos de IA.

Em dezembro de 2023, o The New York Times decidiu processar a OpenAI e a Microsoft por violações da lei de direitos autorais dos EUA, tanto no treinamento de seus modelos de IA quanto no uso contínuo dos conmteúdo do jornal em seus produtos. Segundo Sulzberger, o jornal foi a principal fonte de dados proprietários em um conjunto de dados usado para treinar vários modelos de aprendizado de máquina, seguido por outras publicações como The Guardian e The Los Angeles Times.

O presidente do New York Times também fez um apelo aos editores, dizendo que o setor previsa se unir.

"Não podemos ficar de braços cruzados enquanto as empresas de IA tentam desmantelar permanentemente o jornalismo original", clamou Sulzberger. “Ao nos prepararmos, devemos nos lembrar: a informação é valiosa. O jornalismo é valioso”, afirmou.

O discurso de Sulzberger dominou as conversas do público participante do evento, que alcançou o recorde de mais de 1.340 participantes. O congresso reúne jornalistas, estrategistas, chefes de redação e outros executivos de mídia, incluindo executivos da OpenAI, dona do ChatGPT, que participam de painéis no evento.

Anthropic amplia acesso ao Mythos para mais de 15 países

Anthropic decidiu ampliar o acesso a seu modelo de IA que detecta e corrige de vulnerabilidades de segurança, o Mythos, a 150 organizações em mais de 15 países por meio do Projeto Glasswing, ampliando o acesso ao software além dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Entre as organizações contempladas estão empresas de tecnologia como OktaSamsungSK Hynix e SK Telecom, instituições financeiras como EuroclearIntercontinental Exchange e a plataforma Swift, além de organismos como a Otan e a agência de cibersegurança da União Europeia, Enisa. informou o Financial Times.

A expansão ocorre após o lançamento do Claude Mythos Preview em abril, que inicialmente restringiu o acesso a cerca de 50 empresas majoritariamente americanas devido ao poder do modelo em programação e ao risco de uso em ataques cibernéticos, mas gerou preocupação em organizações de todo o mundo, incluindo o Banco Central Europeu (BCE).

O anúncio veio um dia depois da Anthropic protocolarizar documento para oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), destacando a crescente importância comercial e geopolítica da IA na segurança nacional.

Nvidia contra-ataca com oferta de chip de IA dentro do PC

Nvidia está embarcando no principal mercado de empresas como IntelAMD e Qualcomm com a oferta de um chip de IA para computadores pessoais (PCs). A linha RTX Spark foi apresentada no início da semana pelo executivo-chefe (CEO) da Nvidia, Jensen Huang, no evento de tecnologia Computex, em Taiwan.

A empresa descreve o RTX Spark como “o chip para PCs mais eficiente já construído” e o posiciona para rodar agentes de inteligência artificial (IA) localmente em laptops e desktops, reduzindo dependência de serviços de nuvem em centros de dados.

A Nvidia desenvolveu o chip em colaboração com a MediaTek, usando a tecnologia licenciada da desenvolvedora de chips Arm. A empresa informou que está trabalhando com fabricantes como MicrosoftDell e HP em que, futuramente, os fabricantes lançarão 30 modelos de notebooks e 10 modelos de desktops com o novo processador.

Ações de chips de memória correm risco no jogo de oferta e demanda

supervalorização de ações de fabricantes de chips de memória como a americana Micron Tecnology e as sul-coreanas SK Hynix e Samsung Electronics é um risco para investidores, alertam analistas de mercado. Eles argumentam que a chegada destas empresas no chamado "clube do trilhão" de dólares em valor de mercado se sustenta na inflação global nos preços de memórias e não em inovação.

A migração de capacidade produtiva destas fornecedoras para memórias ultrarrápidas HBM (sigla para High Bandwidth Memory) voltadas a centros de dados de IA, resultou em uma escassez global de memórias comuns de processamento (DRAM) e armazenamento de dados (NAND), consideradas commodities, desde o fim do ano passado.

“Uma empresa como a Micron não está cobrando mais por chips de memória DRAM e NAND porque elas são melhores, mas porque há escassez. Então vemos um risco para esses papéis por conta do segmento ao qual estão expostos”, disse a analista do Global Technology Fund da gestora de investimentos São Pedro Capital, Gabriela Moraes, ao Valor.

Embora tanto a Micron como a SK Hynix e a Samsung tenham anunciado, recentemente, iniciativas para elevar suas capacidades produtivas nos próximos anos, se a China for mais rápida no suprimento da demanda global, as ações das empresas que entraram no clube do trilhão podem despencar, alerta Moraes. xxxxxxx

A crise no fornecimento de chips de memória é o principal motivo da queda de quase 14% nas vendas de celulares no mundo, este ano, projeta a Counterpoint Research.

‘Mega IPOs’ nos EUA desafiam fluxo para ações brasileiras

As mega-aberturas de capital (IPOs) das empresas de tecnologia e IA SpaceXOpenAI e Anthropic, que podem captar mais de US$ 150 bilhões juntas nos próximos meses, levantam uma preocupação de investidores no Brasil: a de que a corrida global por empresas de tecnologia possa prolongar a saída de recursos de alguns mercados, justamente em um momento em que o investidor estrangeiro já reduz exposição à bolsa brasileira.

Embora não haja consenso sobre a magnitude desse efeito, parte do mercado vê risco de pressão adicional sobre o Ibovespa no curto prazo, enquanto outra ala acredita que a demanda será absorvida sem comprometer a atratividade relativa do Brasil.

Na segunda-feira (1º), a Anthropic largou na frente ao protocolar o seu IPO confidencialmente , buscando superar a OpenAI, sua concorrente direta.

Já a SpaceX, empresa de Elon Musk, pretende lançar seu “roadshow” em 4 de junho, com a estreia das ações na Nasdaq prevista para 12 de junho, mas a empresa de análises financeiras Morningstar fixou seu valor em US$ 780 bilhões, menos da metade do que a empresa supostamente busca em seu IPO.

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Abraços,

Daniela Braun

Repórter de Tecnologia do Valor

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