Logo que passou a pandemia, quando cheguei a Pequim vindo de Taipé, era raro cruzar com um rosto estrangeiro na rua. Agora eles estão por toda parte, no metrô, nos restaurantes, nas feiras de robôs a carros elétricos. São europeus, outros asiáticos, australianos, brasileiros também, falando em português. Americanos, nem tanto. Eles ainda não ganharam a isenção chinesa do visto. Mas é entrar no RedNote (Xiaohongshu) que eles aparecem, vestindo roupas de corte chinês, comentando o que os leva ao "chinamaxxing" —a abraçar detalhes do comportamento chinês ou a cair em obsessão pelos filmes do diretor Wong Kar-wai. Para mim, começou com um desses filmes, na virada do século, "Amores Expressos" (1994). Quentin Tarantino contou ter chorado assistir ao filme, ressaltando sua paixão por Faye Wong, cantora e atriz do filme, uma instituição na China. Foi o mesmo comigo. Com outros, aconteceu com "Kung-Fusão " (2004). Diante da disparada mais recente do soft power chinês e dos esforços americanos para conter seu avanço, o fascínio parece crescer até mais. Não se restringe aos jovens tomados por TikTok, microdramas, trens e robôs. Com o bullying e as guerras dos EUA, governantes baixam em Pequim um atrás do outro. Para entender o crescente poder de influência cultural da China, fui aos estúdios de Hengdian, com cenários históricos, da dinastia Han à república. Superproduções chinesas foram desenvolvidas lá, como "Hero". Também séries românticas de TV e celular, populares aqui na China —e agora no mundo. Foram elas que levaram o casal Zhang Heng, 23, e Jin Tingting, 22, a visitar a réplica em tamanho 1:1 da Cidade Proibida, como contaram ao UOL. Os jovens chineses também estão redescobrindo seu país, muitos estão "chinamaxxing", vestindo e calçando marcas como Li-Ning e vendo filmes como "Ne Zha 2". Perto deles, no espaço do principal altar dessa cópia imensa da Cidade Proibida, um diretor, assistentes, atores e atrizes ensaiavam uma nova cena, em meio a turistas.
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