A declaração polêmica de um vereador de Biguaçu durante a sessão do último dia 21 está gerando revolta de moradores da cidade. Ao comentar sobre as manifestações populares ocorridas no Rio de Janeiro, o vereador Vilson Norberto Alves (PP), acabou mostrando sua revolta contra os “pobres”, sobrando para a categoria dos professores.
O vídeo da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Biguaçu, que também é transmitida ao vivo pela internet, está circulando nas redes sociais e tem gerado o debate. Depois de defender os policiais militares cariocas, que, segundo ele, são as vítimas nesse contexto dos protestos que ocorrem em todo o país, o vereador foi enfático:
- Os pobres é na porrada e na lambada. Professor não é pobre, (...) com todo respeito a eles, mas nós temos que tirar, deixar os direitos dos professores, mas tirar os baderneiros que tão lá simplesmente aproveitando a oportunidade dos nossos professores”, disse.
Durante a mesma manifestação, Vilson Norberto salientou que nos confrontos ocorridos contra manifestantes no Rio de Janeiro, “os mais perseguidos são os policiais”. Além disso, o vereador também se manifestou contrário à realização da Copa do Mundo no Brasil.
Presidente diz que vai analisar o caso
O presidente da Câmara, vereador Manoel Airton, o Bilico, preferiu não se manifestar sobre o assunto, já que não estava na sessão na noite em que Vilson se manifestou dessa forma.
- Talvez ele não tenha sabido se expressar. Vou analisar essa fala, até agora não tinha tomado conhecimento disso, e mais tarde vou me manifestar -, salientou o Presidente, que é filiado ao mesmo partido do vereador Vilson, o PP.
Vilson Roberto não foi localizado para falar sobre o assunto. Natural da cidade de Leoberto Leal, Vilson Norberto Alves veio para Florianópolis em 1970 para estudar. Formou-se técnico em contabilidade e, atualmente conclui o curso de Direito. Além de vereador, ele é funcionário do Grupo Philippi S/A, constituído por uma concessionária de veículos, madeireira, alimentação e locação de automóveis, além de ser proprietário de um escritório de contabilidade. Há 30 anos adotou o Município de Biguaçu, onde reside no Bairro Bom Viver. Vilson é membro da Executiva do PP há 31 anos. Nesse período, o partido trocou de nome várias vezes, desde Arena, PDS e PR.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte), se manifestou, através de sua diretora de Comunicação, Claudete Mittmann.
- As pessoas fazem uma avaliação rasteira do que acontece, sem noção da profundidade do que ocorre. Não só no Rio de Janeiro, mas também aqui. Os professores são pobres sim, têm que trabalhar 70 horas, e almoçar no ônibus, no trajeto entre uma escola e outra. Professor não é rico não, recebe baixos salários e ainda enfrenta o estresse emocional, os problemas de buling, assédio moral e a violência nas escolas.
Claudete também comentou sobre os protestos e a violência nos confrontos contra policias, no Rio de Janeiro.
- Sobre os protestos, infelizmente tem havido excessos, de um lado e de outro. Mas é preciso ler a história dos Black Klocks, que iniciou na Europa, para se compreender a situação. Mas a essência do protesto acabou se perdendo. Eu pediria a esse vereador para tentar sobreviver com o salário de um professor, dando aula em três turnos. Porque certamente um professor no lugar dele faria o trabalho de vereador muito bem.
Veja o vídeo com a declaração do vereador: