16 abril, 2014

Elis Regina vai virar marca

Elis Regina vai virar marca
Filho mais velho remasteriza disco e prepara produtos

Filho de Elis Regina remasteriza disco de 1972, prepara nova exposição e anuncia venda de produtos


João Marcello Bôscoli tem estratégias até 2015, quando a cantora faria 70 anos de idade

Julio Maria - O Estado de S.Paulo


Elis Regina está viva. Canta 'Bala com Bala' com uma voz
de brilho mais intenso do que na gravação original de 1972. O baixo de
Luizão Maia vai mais à frente, deixando evidente o suingue criado com o
piano de Cesar Camargo Mariano. A bateria de Paulo Braga em 'Nada Será
Como Antes' fica mais tensa e revigorada enquanto '20 Anos Blue' tem a
marcação espaçosa do mesmo baixo gordo de Luizão trocada agora por uma
condução discreta. A ideia é valorizar a voz de Elis logo na entrada,
facilitando o trabalho das partes do cérebro que lidam com a emoção.



Elis Regina está viva na mesa de som de Carlos Freitas, um dos
engenheiros de masterização mais respeitados em atividade. É em seu
estúdio, o Classic Master, em Pinheiros, que o áudio de uma canção de
Elis pode desafiar os deuses da Física e sair melhor do que entrou.
'Elis', o álbum de 1972, o primeiro com arranjos de Cesar Camargo
Mariano, um dos repertórios mais alucinantes reunidos em disco, está
sendo preparado para ser relançado no Dia das Mães com um áudio novo,
remasterizado em novas tecnologias também para ser vendido faixa a
faixa, pela internet.




A história tem peso. Foi neste disco que Cesar Mariano, além de
iniciar uma relação conjugal com Elis, começaria a desenvolver uma
linguagem com o baixo de Luizão e a bateria de Paulinho que faria
história e escola. “A linha do tempo da música brasileira tem este
acompanhamento criado por Cesar como um marco”, disse o pianista e
professor de música Paulo Braga, homônimo ao baterista. É o disco de
'Bala com Bala', 'Casa no Campo', 'Nada Será Como Antes', '20 Anos
Blue', 'Águas de Março', 'Mucuripe', 'Atrás da Porta', 'Cais', 'Me Deixa
em Paz', 'Vida de Bailarina'.




A apuração técnica da discografia de Elis, relançada em séries
recentes mas não remasterizadas, é exigência de João Marcello Bôscoli,
filho mais velho da cantora. Além do álbum, há outras iniciativas para
2015, quando Elis faria 70 anos, no dia 17 de março. João promete
retomar a exposição de 2012 em outro formato, sob o nome 'Elis 70', com
material inédito. “Vamos mostrar, por exemplo, áudio e vídeo gravados
por ela no mundo todo, descobrimos coisas que ainda não foram
divulgadas.” Dentre elas, um show que a cantora fez no Japão, registrado
pela emissora de televisão NHK em 1979, logo depois de sua passagem
pelo Festival de Montreux, na Suíça.




João Marcello tinha 12 anos quando Elis morreu, em 1982. Desde então,
assumiu o posto de herdeiro guardião de uma obra que lança com
estratégia para que, como diz, “as notícias sobre Elis nunca terminem.”




Sua maior novidade para 2015, contudo, é uso oficial da imagem de Elis, o início dos trabalhos sobre a “marca” Elis Regina.

Por
meio da empresa de licenciamentos da qual é sócio, a BandUp!, João, que
já tem permissão exclusiva para desenvolver no Brasil lojas digitais
de artistas como Beatles, Elvis Presley, Miles Davis, Madonna, Ray
Charles e mais 130 marcas, anuncia que, agora, vai fazer o mesmo pela
mãe. “Quero que as pessoas que forem à exposição, por exemplo, possam
levar Elis para casa.” A face da cantora estará em mais de 250 artigos,
como caneca, camiseta, moletom, boné, almofada, capas de caderno, fones
de ouvido e partituras. Ele negocia com duas grandes empresas de
acessórios musicais para lançar, em breve, um microfone com a assinatura
de Elis Regina.




O empresário diz que o alvo é a perpetuação do nome de Elis e a
renovação de seu público. “Elvis Presley está grande também porque, um
dia, sua imagem foi parar no pôster, no calendário, no baralho. Queria
muito que ações como essa inspirassem outras famílias de artistas
brasileiros importantes a cuidar de suas imagens.”




Questionado se não se preocupa com a patrulha moral apontando-o como
um herdeiro a capitalizar sobre a memória de um ídolo, ele diz: “Eu não
sou um milionário para criar uma fundação, preciso de uma máquina que se
auto-sustente. Claro que dá algum dinheiro, mas o foco é a perpetuação
do nome. Peça para um jovem cantar hoje uma música de Elizeth Cardoso ou
de Nara Leão. São grandes cantoras, mas suas imagens não foram
trabalhadas. E digo mais: torço para que os herdeiros façam esse
trabalho com seus antepassados. Se preferirem delegar isso, eu posso
fazer.” As vendas dos produtos oficiais da maior cantora do País serão
feitos na loja Elisregina.com também a partir do Dia das Mães.




De: "Estadão" naoresponda@email.estadao.com.br    
Para: Sulinha SVO <sulinha.imprensalivre@gmail.com>


 
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