05 novembro, 2013

A Era dos Campeões: filme conta a saga de AyrtonSenna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi - Ayrton Senna Magic Immortal

A Era dos Campeões: filme conta a saga de AyrtonSenna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi 


Diretor Cesario Mello Franco afirma que objetivo do documentário é revelar como o Brasil dominou a F-1 sem contar com automobilismo profissional


A saga dos três grandes pilotos brasileiros na Fórmula 1 é o tema do filme "Era dos Campeões", de Cesar Mello Franco e Marcos Bernstein. Com depoimentos e histórias das carreiras de Emerson FittipaldiNelson Piquet e Ayrton Senna, o documentário mostra como o Brasil dominou o esporte entre as décadas de 70 e 90, até 1991, ano do último título de Senna, que morreria três anos depois.
- O Brasil tinha um domínio parecido com o dos alemães hoje. Eu ficava intrigado sobre como o país, sem um automobilismo profissional, conseguiu fazer isso. A busca do filme é essa, tentar entender como isso aconteceu - afirmou Mello Franco no "Redação SporTV".
Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet antes da exibição com a Brabham (Foto: Alexander Grünwald / Globoesporte.com)
Fittipaldi e Piquet são retratados no filme
(Foto: Alexander Grünwald / Globoesporte.com)
Com depoimentos dos três campeões, sendo que apenas Piquet e Emerson foram entrevistados pessoalmente pelos diretores, a "Era dos Campeões" revela histórias intimistas dos pilotos, como a vez em que Emerson bateu o primeiro Porsche do irmão mais velho, Wilson. O bicampeão se emociona, no entanto, ao lembrar o dia em que tentou evitar, em vão, a morte do suíço Jo Siffert, após acidente no circuito de Brands Hatch, e conta com orgulho sobre como apresentou o então jovem Senna para a Ferrari e McLaren.
- Fittipaldi, quando o conheci, me impressionou a inteligência visual dele. Ele conta algo e faz você ver aquilo. Ele aceitou que a imagem dele chorando entrasse no filme - disse.
Mello Franco afirma que Piquet era mais lógico como piloto e um grande mecânico, interferindo na composição dos carros. O tricampeão contribui com sua personalidade irreverente ao relembrar grandes rivalidades contra Alain Prost e Nigel Mansell.
Ayrton Senna campeão Fórmula 1 1991 (Foto: Getty Images)Senna comemora título em 91 (Foto: Getty Images)
- O Piquet pegou a transformação da F-1 de algo mais amador para profissional - disse.
O diretor recorda Senna como o brasileiro que levou a preparação física para dentro dos carros de F-1.
- O Senna é o terceiro tipo de piloto. Não o conheci, mas tinha uma concentração muito grande, totalmente voltado para si.
O documentário foi exibido no Festival de Cinema do Rio, possui veiculação no Canal Brasil e pode ser adquirido na internet

Ernesto Rodrigues, biografo de Ayrton Senna fala sobre a temporada 1988



De um lado, a pressão de estar pela primeira vez em uma equipe com condições de chegar ao título, enfrentando um rival dentro do próprio time já com dois Mundiais no currículo. De outro, a cobrança pessoal por desempenho perfeito na busca frenética por vitórias. Para completar, problemas de relacionamento com o então maior vencedor brasileiro da história da F-1.

Neste cenário, Ayrton Senna viveu em 1988 o ano mais estressante de sua vida, segundo afirmou o jornalista Ernesto Rodrigues, autor do livro "Ayrton, O Herói Revelado" (Editora Objetiva), em entrevista à Folha Online. Mas fechou o Mundial com o primeiro de seus três títulos na principal categoria do automobilismo, feito que completa exatos 20 anos nesta quinta-feira (30).
Divulgação
Fora das pistas, Senna também enfrentou problemas com o rival Nelson Piquet em 88
Fora das pistas, Senna também enfrentou problemas com o rival Nelson Piquet em 88
Para Rodrigues, os problemas de Senna com Nelson Piquet, que chegou a insinuar que o piloto da McLaren era homossexual, em janeiro de 1988, causaram grande dor emocional ao piloto.

"Naquele ano, ele talvez tenha enfrentado a situação de maior estresse da vida dele, tanto no aspecto profissional quanto no pessoal", disse Ernesto Rodrigues, que trabalhava na direção do programa "Globo Repórter", da TV Globo, à época.

Somado a isso, Senna teve que superar um rival duríssimo dentro da própria McLaren. O francês Alain Prost, que então tinha dois títulos mundiais, foi o principal adversário do piloto na temporada e disputou o Mundial com o brasileiro palmo a palmo até a penúltima corrida, no Japão, no dia 30 de outubro. Senna venceu, com Prost em segundo, e garantiu o título.

"Ele [Senna] enfrentou uma tensão absoluta e um dos maiores pilotos de todos os tempos. Enfrentou também uma equipe que tinha disputa interna e o lobby que, de certa maneira, o Prost tinha na imprensa européia, que contribuiu muito para aumentar o nervosismo e o estresse de Ayrton."

"Ao mesmo tempo, ele teve pela primeira vez um carro perfeito. Foi o maior desafio da vida dele, quando se impôs finalmente como um piloto capaz de ser campeão", afirmou o biógrafo.

Briga com Piquet

Divulgação
Senna no cockpit da McLaren durante os testes da equipe em Jacarepaguá, em 88
Senna no cockpit da McLaren durante os testes da equipe em Jacarepaguá, em 88
Fora das pistas, o piloto também viveu situações tensas em 1988. A rusga entre Senna e Piquet começou quando Ayrton disse a um repórter do "Jornal do Brasil" que havia "sumido da imprensa", no início daquele ano, para que Piquet, então tricampeão da F-1, "pudesse aparecer um pouco".

O piloto carioca respondeu, em entrevista ao mesmo jornal, que Senna, na verdade, havia "desaparecido para não ter que explicar à imprensa brasileira por que não gosta de mulher".

Segundo Rodrigues, Piquet vazou desta forma para a imprensa brincadeiras e boatos que existiam no paddock da F-1. Quando soube das declarações de Piquet, o piloto da McLaren decidiu processá-lo. Depois, desistiu. "Foi o episódio que mais causou sofrimento a ele [Senna] em toda sua vida", contou o biógrafo.
Apesar da confusão, o episódio não prejudicou Senna nas pistas, segundo Rodrigues. "O Ayrton tinha uma capacidade de concentração que assombrava todo mundo. Não acredito que a atitude dele na pista tenha sido influenciada por isso."


A briga entre Nelson Piquet e Ayrton Senna em 1989


Nelson Piquet e Ayrton Senna, 1987
Para o Ernesto Rodrigues, autor do livro "Ayrton: o héroi revelado" de 2004, a briga particular entre Nelson Piquet e Ayrton Senna no início de 1989, o que fez Piquet dizer que Ayrton era homossexual, "confirmou um pouco o estilo de vida dos dois pilotos". "O fato de o Nelson ter soltado essa boataria do Ayrton não alterou muito a trajetória dos dois, tanto do Nelson, como um 'bad boy' da F-1, quanto do Ayrton, como um 'santo politicamente correto' da F-1", afirmou.

"Ele [Piquet] nunca fez questão nenhuma de manter uma boa imagem, sempre falou o que vinha na telha. O Nelson sempre foi um cara muito irreverente. E, junto com a irreverência, muitas vezes teve muita sacanagem, no sentido de fazer declarações irresponsáveis, ofensivas", disse.

"Por outro lado, o Senna foi um cara que sempre levou sua carreira de forma religiosa, meticulosa. Se preparou fisicamente, espiritualmente e comercialmente, e incluiu nessa preparação a questão de construir uma imagem boa com a imprensa", analisou.

Para Rodrigues, no entanto, não se tratou de um caso de "fabricação de imagem". "Era uma preocupação genuína que ele tinha de ter um bom comportamento, preocupado com os problemas do país. Se isso era autêntico ou não, cada um achasse o que quisesse, mas era uma atitude constante do Ayrton", afirmou o jornalista.


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