Refém do uso intensivo de mão de obra até pouco tempo atrás, o agronegócio já passou por uma transformação radical com a chegada de máquinas. Tratores e colheitadeiras conectados vieram para, ao mesmo tempo, executar o trabalho e avaliar sua eficiência. Colocam na mão de agrônomos e outros profissionais quantidades vastas e ricas de dados. Compreender esse quebra-cabeça é tarefa árdua, mas ocupa apenas parte do dia de gente com diversas atribuições. Agentes de IA surgem para descomplicar esse cenário. Ainda assim, Arroyo conta que a reação de gestores de fazendas ao tomar contato com a IA não é bem de alívio. "Mostrei a um diretor agrícola e, na hora, em que ele olhou para tudo isso, a primeira leitura dele foi: 'Vou perder meu emprego'. Aí eu falei: 'É o contrário, você vai refinar seu trabalho agora'", conta. Não é que, hoje em dia, seja coisa rara a telemetria de equipamentos agrícolas (esse é o nome chique do uso de sensores). Nas contas da Solinftec, são suas clientes 90% das usinas sucroalcoleiras, algo em torno de metade dos plantadores de soja e parte de que cultiva papel e celulose. Ainda assim, a automatização dá aquele frio na espinha. Algumas pesquisas, no entanto, apontam pouca probabilidade de empregos no campo terem funções substituídas pela IA. A mais recente delas, feita pela Anthropic ("Impactos da IA no mercado de trabalho: uma nova métrica e evidências iniciais"), indica que os robôs autônomos poderiam cobrir menos de 20% das atividades agrícolas. Fora isso, o setor tem uma carência crônica de mão de obra. Nada a ver com a bobagem de falar que o filho do pedreiro não quer ser pedreiro. Acontece que q qualificação exigida para trabalhar no campo ficou tão alta que o profissional nesse nível ora é disputado a tapa por fazendas, ora abre caminho para atuar em outras áreas. Se isso está acontecendo no Brasil, nos EUA a situação é bem mais drástica. Arroyo conta que os robôs têm tido maior adoção por lá justamente pela ausência de operadores humanos. Um fazendeiro até pediu a criação de um repositor automático de agrotóxico, já que não há funcionário nem para isso. Agora, algumas das máquinas da Solinftech funcionam como um aspirador-robô: quando precisa ser abastecida, volta sozinha para a estação de refil. |