Bom dia!
Superquartas, o alinhamento de calendário que sincroniza as decisões de política monetária dos EUA e do Brasil, são incontestavelmente importantes para o mercado financeiro. Acontece que, via de regra, essa coincidência vem cercada de bastante previsibilidade: baseados nas condições macroeconômicas de cada país e nas sinalizações dadas pelos bancos centrais nas reuniões anteriores, investidores e economistas mais ou menos sabem o que esperar do anúncio.
Esta superquarta tende a ser diferente. A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã desenha um choque inflacionário de proporções importantes, mudando completamente as expectativas do mercado para a trajetória de juros. E não é preciso ir longe para estimar as consequências: basta lembrar do primeiro ano da guerra na Ucrânia.
No caso do Fed, a manutenção dos juros em 3,5% (na faixa superior) ainda é a decisão esperada. O que muda por lá é a sinalização de direção ante a incerteza. Na reunião de janeiro, os dirigentes do Fed divergiam sobre os próximos passos, com alguns deles indicando que poderiam trabalhar com aumentos de juros, isso porque eles estavam vendo um repique de preços.
No Brasil, investidores trabalhavam com um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Nos últimos dias, as apostas viraram para 0,25 p.p. ou mesmo a manutenção, o que levou a um desarranjo no mercado de juros dos títulos públicos. A decisão do Copom, como sempre, sai após o fechamento.
Talvez o maior problema da atual crise seja o fato de que inflação via petróleo é o exemplo mais básico de choque de oferta. E, nesse cenário, o aumento na taxa de juros é usado menos porque é eficiente e mais por ser o remédio disponível, ainda que com efeitos colaterais caros. Isso porque elevações de juros são mais adequadas para conter a inflação de demanda, quando se consome mais bens do que a economia é capaz de produzir. Quando a taxa sobe por problemas de oferta, ela tende a causar uma desaceleração mais pronunciada da economia. O fenômeno será testado mais uma vez na prática, a depender da duração da guerra no Oriente Médio.
Ainda assim, investidores têm tentado uma abordagem mais serena. Os futuros das bolsas americanas começam a quarta em alta, e o EWZ, fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, vai pelo mesmo caminho. O petróleo tem leve queda, negociado na faixa de US$ 103. Bons negócios