O Corinthians se endivida a cada dia pelo Itaquerão. O dinheiro público está travado. A Odebrecht não quer pegar mais empréstimo e ameaça até parar a obra. É o preço de um estádio que custa sim, mais de R$ 1 bilhão.
Desde o início, os poderosos do Corinthians sabiam.
Assim como os donos da Odebrecht.
O Itaquerão custará mais de R$ 1 bilhão.
Isso foi noticiado neste blog desde agosto de 2010, quando Ricardo Teixeira confirmou o estádio.
O valor foi repetido várias vezes, com convicção.
Só que para os dirigentes corintianos, R$ 1 bilhão tinha um peso político alto demais.
O estádio já saiu de um acordo entre Andrés Sanchez, Lula e Ricardo Teixeira.
O envolvimento do dinheiro público, assustador.
Anunciando que o custo do Itaquerão seria de R$ 820 milhões, acabaria mais palatável.
Mas o que teria feito sumir da conta mais de R$ 180 milhões?
Zizao teria conseguido doações em Varginha, com seu conhecido, o ET?
Não, o segredo foi desvendado.
Vários itens fundamentais para o estádio foram omitidos do contrato.
Sistema de tecnologia, ar-condicionado e vários itens fundamentais ao funcionamento do Itaquerão.
O estádio é apenas concreto.
Lógico que foi mero esquecimento.
Não foi por mal, imagine...
Mas está claro que o custo do estádio bateu a barreira do R$ 1 bilhão.
Andrés traçou o plano de humanizar o Itaquerão.
Promoveu casamentos, churrascos, partidas de funcionários.
Travestiu Tite e jogadores de trabalhadores.
Tudo com ampla cobertura da imprensa para tentar tirar o peso do dinheiro público envolvido no estádio.
Ele tinha uma outra aposta.
Acreditava que a confirmação por parte da Fifa da abertura da Copa seria o 'abre-te Sésamo' para os cofres públicos.
O empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES e os R$ 420 milhões de incentivos fiscais seriam liberados em um piscar de olhos.
Só que a situação se complicou.
O Banco do Brasil exige garantias.
O Ministério Público resolveu também questionar Gilberto Kassab.
Quer acabar com a estranha confidencialidade que envolve a prefeitura e o Comitê Organizador Local.
Exige que todos os detalhes dos acordos com COL e Itaquerão sejam públicos.
Não ficando absolutamente nada em segredo.
O dinheiro do BNDES e o incentivo fiscal da prefeitura estão travados.
Andrés apelou até para a influência política de um ministro para ajudar na liberação das verbas.
Guido Mantega, ministro da Fazenda, está fazendo esse papel.
Só que as obras não poderiam ficar paradas.
A Odebrecht resolveu tomar dinheiro emprestado para isso.
Já foram mais de R$ 372 milhões.
Pela cláusula do contrato revelado pela Folha de S. Paulo, a cláusula é terrível para o Corinthians.
A construtora fez dois empréstimos-ponte.
Esse tipo de transação acontece quando há a certeza que o dinheiro público será liberado.
Só que o clube tem de pagar à Odebrecht 10% a mais.
Do empréstimo simples?
Não.
Do “preço fixo globalâ€, ou seja: em cima dos R$ 820 milhões da prefeitura e do BNDES.
Quando foi assinado esse contrato, a cúpula corintiana não acreditava que o dinheiro demoraria a ser liberado.
Nem aventava a possibilidade de ele ser questionado pelo Ministério Público.
Por isso aceitou essa cláusula.
A Odebrecht pegou R$ 250 milhões emprestados.
A dívida corintiana só de multa por esses empréstimos é de R$ 164 milhões.
Ou seja: 20% dos R$ 820 milhões.
E o dinheiro ainda não foi pago.
A construtora já ameaça parar as obras se não conseguir receber.
O Corinthians precisa da liberação imediata do empréstimo do BNDES e dos R$ 420 milhões de isenção fiscal da Prefeitura.
Por isso o ministro da Fazenda tenta fazer o que pode.
A presidente Dilma Rousseff não quer se envolver pessoalmente.
A sensação no Parque São Jorge é que, se Lula ainda estivesse no poder, tudo seria mais fácil.
A construtora e a direção do clube garantem que mais de 51% do estádio está pronto.
Por conta do atraso na liberação de recursos, o prazo da entrega do Itaquerão tem mudado constantemente.
De setembro de 2013, já passou para janeiro de 2014.
Agora, dizem que em março de 2014 estará prontinho.
Desde que o dinheiro público seja liberado imediatamente.
A preocupação é enorme no Parque São Jorge.
A dívida com a Odebrecht está crescendo de forma inesperada.
A construtora, porém, não quer mais pegar dinheiro emprestado no seu nome.
Quer o dinheiro.
E ameaça até paralisar as obras, o que seria uma desmoralização.
Por isso Andrés teve uma reunião desesperada com executivos da Globo.
Aceitou o que não queria, pagar 10% do que conseguir com a venda do nome do estádio à emissora.
Só assim conseguiu que a Globo citasse a empresa que decidir batizar o Itaquerão.
O ex-presidente corintiano continua sonhando com R$ 400 milhões.
Ele quer um pacote que envolve o estádio e o patrocínio master da camisa.
Andrés sabe da crise mundial e da rejeição dos investidores.
A alegação é de que o estádio já é conhecido como Itaquerão.
E a população o tratará assim para sempre, como o Maracanã, o Morumbi, o Beira-Rio.
O presidente corintiano rebate usando um argumento conhecido.
E usado pelo seu amigo Ricardo Teixeira à Piauí.
O de que a Globo é capaz de tudo, até de fazer a população deixar de chamar o estádio de Itaquerão.
É o que Andrés repete, repete, repete e repete aos seus parceiros de cúpula corintiana.
Há quase um ano, o dirigente busca uma empresa para batizar o estádio.
Primeiro ele acreditava que se o time ganhasse a Libertadores ficaria mais fácil.
Nada mudou.
Agora seu sonho é a conquista do Mundial de Clubes no Japão.
Por trás de todo sorriso de Andrés, quando fala sobre o estádio, há muita preocupação.
Os gastos para o Corinthians só crescem.
A perspectiva é que o clube leve décadas para se livrar das dívidas do Itaquerão.
É o custo de levantar um estádio de mais de R$ 1 bilhão.
Saúde, Sorte e Suce$$o: Sempre.
Sulinha _ SVO 