Acuado pela força das novas mídias, cercado por jornais gratuitos e magro em anúncios, o Jornal da Tarde não Resiste e deve fechar as portas; ícone da imprensa brasileira, o jornal, revolucionário na forma e no conteúdo, mudou o panorama da mídia no final dos anos 1960

Um ícone da imprensa brasileira, jornal revolucionário na forma e no conteúdo, que mudou o panorama da mídia no final dos anos 1960 e início da década seguinte, está com os dias contados. O Jornal da Tarde, publicação da S.A. O Estado de S. Paulo, vai parar de circular em novembro. A informação já circula entre jornalistas.
A decisão estava sendo estudada há pelo menos dois anos dentro do "Estadão", mas sempre havia ponderações quanto à perda de imagem que isso iria significar. Agora, os prejuízos falaram mais alto. Acuado pela força das novas mídias, especialmente as eletrônicas, cercado por jornais gratuitos, distribuídos nas ruas, e magro em anúncios, o JT não resistiu.
Ainda não há definição sobre o destino dos cerca de 100 jornalistas que trabalham atualmente na publicação, que fez história na imprensa brasileira. Concebido e idealizado por Mino Carta, o JT espelhou o intenso movimento cultural e as mudanças de comportamento que marcaram a segunda metade da década de 1960.
A ousadia e irreverência do jornal causariam incômodo já em seu primeiro ano de vida, devido à manchete 23 de dezembro de 1966 ("Ditador quer calar a Imprensa"), que anteciparia o recrudescimento do regime militar. A censura, que de fato passou a vigorar no ano seguinte, levou o diretor Ruy Mesquita a substituir o material barrado por receitas que não funcionavam.â€
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