06 março, 2014

Musical de Elis Regina chega a São Paulo após sucesso no Rio


Mesmo com imprecisões biográficas, montagem emociona com a interpretação de Laila Garin


Julio Maria - O Estado de S. Paulo
A vida da cantora Elis Regina, dramatizada no palco em forma de musical, chega a São Paulo no próximo dia 14, no Teatro Alfa. A montagem já foi vista no Rio de Janeiro por 80 mil pessoas e teve críticas das mais favoráveis desde sua estreia. A novidade no elenco é a substituição de Felipe Camargo por Tuca Andrada no papel de Ronaldo Bôscoli, segundo marido da cantora. Elis, A Musical tem roteiro de Nelson Motta e direção de Dennis Carvalho.
Laila Garin em cena - Divulgação
Divulgação
Laila Garin em cena
O primeiro foi produtor e amante de Elis nos anos 70, quando ela ainda era casada com Bôscoli. O segundo foi amigo e confidente. A previsão de temporada é até dia 13 de julho e os ingressos, que vão de R$ 40 a R$ 160, já estão à venda pelo site do Ingresso Rápido (informações pelo telefone 5693-4000).
Os episódios mais desconfortáveis da vida da cantora não são mostrados no musical. Seu envolvimento com drogas nos últimos dez meses de vida e casos extraconjugais que determinaram períodos importantes de sua carreira, incluindo o período ao lado de Motta que lhe rendeu três discos, não têm espaço na montagem. Personagens aparecem também em lugares trocados, em sequências sem fidelidade à biografia.
Na montagem, quem a leva do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro em 1964 é o produtor Carlos Imperial, o que não condiz com a realidade. E quem aparece como produtor do emblemático show Dois na Bossa, no Teatro Paramount, é o empresário Marcos Lázaro, e não o produtor Walter Silva, o Pica Pau. O espetáculo tem a seu favor, no entanto, momentos comoventes e bem coreografados, além de uma atuação da atriz Laila Garin no papel de Elis que chega a incomodar tamanho a semelhança sobretudo com a fala da cantora.


Musical sobre Elis Regina não mostra seu lado mais sombrio

Autor e diretor optaram por não mencionar abuso de álcool e de cocaína, provável causa da morte da cantora em 1982

Elis - A Musical, peça autorizada pelos três filhos da cantora, não é uma biografia chapa-branca, afirma o autor, Nelson Motta. Não é sequer uma biografia, e sim uma recorte de breve vida de Elis Regina de Carvalho Costa (1945-1982), da chegada ao Rio, menina de 18 anos de Porto Alegre, à sagração como a maior cantora do país das cantoras.
Responsável também pelo texto do musical sobre Tim Maia, em que são explícitos os vícios em drogas e álcool, ele explica que, desta vez, optou por deixar o lado sombrio de fora. “Não era uma característica da Elis, um aspecto marcante. No Tim Maia, isso entrava no contexto da personalidade dele”, contava ele anteontem, pouco antes do início de um ensaio. 
Elis, defendida em seu jeito camicase de ser e de cantar pela atriz/cantora Laila Garin, aparece bebendo bem, mas não cheirando cocaína. Sua morte, provavelmente por esses abusos, não está em cena.

Com o filho de Tim, Carmelo Maia, Nelson precisou entrar em acordo antes da estreia – não por causa da questão das drogas, mas por conta de seu litígio com a última mulher do pai, que tem papel grande no musical, e detalhes da encenação. Com João Marcelo Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita, não houve problemas.
A peça estará no próximo dia 8 no Oi Casa Grande, no Rio, e em março em São Paulo. Em sua primeira direção teatral, Dennis Carvalho lembra que não se trata de um documentário, daí não ser necessário dar cabo de Elis em todas as suas dimensões. “É uma trupe de atores contando uma história, fazendo uma homenagem. Não tenho nada contra quem usa drogas, eu usei por muitos anos, mas, se fôssemos entrar nessas coisas, a peça teria quatro horas”.
Dennis foi amigo de Elis, como Nelson (com quem ela teve um romance por um ano). Ambos foram às lágrimas no ensaio ao ouvir Laila como Elis. “Precisamos do patrocínio de uma fábrica de lenços de papel, porque muita gente vai chorar!”, brincava Dennis, findaRedescobrir, a última das 26 músicas selecionadas.
Fisicamente, Laila, escolhida entre 200 candidatas a Elis, não poderia ser mais diferente da Pimentinha – a não ser pelo fato de ser baixinha. Vai usar perucas sobre os cabelos ruivos e crespos e lentes de contato para esconder os olhos absurdamente azuis. A voz ganhou mais graves; o sotaque baiano, já amainado pelos dez anos no Sudeste, sumiu.
O que a aproxima de Elis é a entrega à música e à emoção que ela traz. “Assisti a muitos vídeos dela, peguei o gestual para cantar, os braços. Mas não faço concessões: o movimento sai apenas quando é de verdade. Mais do que os trejeitos, eu quis a interpretação”, explica.
Laila contracena principalmente com Felipe Camargo, que faz o primeiro marido de Elis, o compositor Ronaldo Bôscoli, cafajeste na medida certa, sempre depreciando a mulher – “filha de lavadeira”, “sem classe”, “cafona”, “jeca”, ele xinga –, e Claudio Lins, o segundo, o músico César Camargo Mariano.
Entraram na narrativa as brigas conjugais, o gênio ruim, a soberba de quem se sabia especial – “Elis se achava o máximo, e era”, conta Nelson – e os encontros com artistas como Milton Nascimento, Tom Jobim e Henfil. Tudo pontilhado por clássicos de um repertório único, como ArrastãoCasa no Campo, Fascinação, Como Nossos Pais, Madalena, O Bêbado e o Equilibrista. São canções de que Elis se apropriou de tal maneira que poucos artistas tiveram a desfaçatez de regravá-las.


A nova Elis Regina

Laila Garrin foi eleita para viver a cantora em musical


Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo
Bastou ouvir as primeiras notas de Fascinação para que o júri tivesse seu veredicto: aquela baiana de olhos claros e sorriso aberto era perfeita para o papel principal de um dos mais esperados espetáculos da próxima temporada: Elis – A Musical, que deve estrear em março, no Rio, sobre uma das maiores cantoras do Brasil.
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Laila Garrin. Ao cantar 'Fascinação', ela emocionou a equipe - Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão
Laila Garrin. Ao cantar 'Fascinação', ela emocionou a equipe
“Quando essa moça começou a cantar, todos ficamos arrepiados”, lembra-se o diretor Dennis Carvalho, que vai comandar o projeto, estreando como encenador de um musical. Ao seu lado, entre outros, estavam o crítico e escritor Nelson Motta, autor do texto escrito em parceria com Patrícia Andrade, uma das principais roteiristas da produção nacional, e também a produtora Aniela Jordan, sócia da Aventura Entretenimento, empresa que vem apostando na criação de musicais brasileiros.
Todos ficaram encantados com Laila Garrin, a atriz filha de mãe baiana e pai francês (daí o sobrenome ler-se ‘garrã’) que, como várias outras, passou por uma série de exigentes audições (“A mais demorada já organizada pela Aventura”, atesta Aniela) até ser escolhida para viver um mito da MPB. Elis – A Musical pretende mostrar não apenas a coleção de sucessos lançados pela cantora morta em 1982, pouco antes de completar 37 anos, mas também a vida da mulher que amou intensamente, deixando rastros profundos na trajetória daqueles com quem conviveu.
“Fui seu amigo nos dois últimos anos de sua vida, falávamos por telefone uma vez por semana, e Elis é o que hoje chamaríamos de uma pessoa ciclotímica, ou seja, dona de um humor que variava com muita intensidade”, comenta Dennis Carvalho, que desenhou para seu grupo criativo a linha de trabalho que pretende seguir ao exibir, em sua casa, o trecho de um programa gravado pela TV Globo em 1980: Elis chega às lágrimas ao cantar Atrás da Porta (Chico Buarque), reflexo da crise conjugal que passava com Cesar Camargo Mariano. “ É emocionante.”


De: "Estadão" naoresponda@email.estadao.com.br    
Para: Sulinha SVO <sulinha.imprensalivre@gmail.com>