Elaborarei um breve texto para contextualizar a situação registrada nestas fotos antigas. Para tal, é necessário salientar, inicialmente, que situações como esta ainda podem ser vistas muito perto de você. A seguir, trago fotos que retratam negros que resistiam às políticas e atitudes racistas dos Estados Unidos, principalmente durante a década de 50.
Todos nós sabemos que a discriminação racial está presente hoje em dia (mesmo que escondida e velada) nos mais diversos tipos de discurso e que essa prática insiste em florescer nos meios mais conservadores – desde os meios de comunicação ao singelo almoço de família. Essa atitude não desapareceu totalmente de nossa vida cotidiana, mas somos obrigados a reconhecer que diminui paulatinamente com o passar dos anos. No entanto, para se chegar a este ponto foi necessária muita resistência: que permanece simbolizada – e sobretudo eternizada – pela vida de um sem número de pessoas que deram suas vidas em nome de um ideal. É preciso lembrar que alguns destes insurgentes ficaram famosos e se tornaram mártires, ao passo que outros sequer são mencionados em livros de História ou conhecidos pelo grande público.
O tempo passa e as atitudes não mudam muito. Na época retratada, era um absurdo um negro tomar água num bebedor de um branco. Esse tipo de atitude era considerada uma afronta passível de punição. Contudo, será que hoje em dia essa conduta se modificou? Olhemos para os movimentos de resistência. Certas atitudes parecem ofensivas, mas será que daqui a alguns anos ainda serão? Claro que podem surgir situações lamentáveis marcadas por atitudes mais radicais (lembremo-nos, neste ponto, das paródias surgidas no Facebook em julho durante as manifestações que mostravam que era permitido se manifestar, mas que indicavam que certos atos dentro do próprio protesto eram sintomatizados como sinônimo de vandalismo). Veremos, a seguir, atitudes que certamente foram consideradas vandalismo e que foram extremamente necessárias para se construir um movimento.
Ruby Bridges, escoltada em seu primeiro dia de aula.
Antes disso, no entanto, gostaria de comparar a luta contra a segregação racial com a atual luta dos homossexuais em busca dos seus direitos – visto que os negros também eram condenados por setores cristãos, não podiam se casar com pessoas brancas, eram segregados, motivos de chacota e recebiam diversos apelidos ofensivos. Quando Ruby Bridges, aos 6 anos, entrou numa escola branca pela primeira vez, teve de ser escoltada. Os pais dos outros alunos, por sua vez, retiraram seus filhos do colégio. Hoje ouvimos: “como será a vida na escola dessa criança quando as outras souberem que seus pais são gays?”. Pode ser que sofram. Mas as coisas se mantém estagnadas se não há a resistência ou se não há nenhum tipo de movimento que as empurra para frente.
Abaixo temos – note, em pleno 2013! – duas imagens que muito se assemelham com essa descrição factual do passado. Dessa forma, acredito que estas imagens sejam capazes de transmitir melhor o que pretendo falar. À esquerda, um atleta vencedor da Olimpíada faz o sinal do movimento Pantera Negra – que defendia a resistência armada e violenta contra a discriminação, ao contrário do movimento liderado por Martin Luther King – e à direita, atletas russas se beijam para protestar contra as leis “anti-gays” do seu país.
Bem, vemos que a resistência tem que ser feita e todo apoio à causa é bem-vindo. Nem que esse apoio seja mínimo: um cruzar de braços ou um balançar de cabeça (quem sabe parar á frente de um tanque, como na Praça Celestial). As mudanças são construídas por pessoas que são oprimidas e que, por sua vez, são ajudadas por quem já tem sua liberdade. Lembre-se que você deve muitos dos direitos que possui às pessoas que se importaram e que cruzaram os braços quando perceberam que esse era o movimento e o momento necessários. Como foi dito no início: hoje estes indivíduos podem ser condenados, mas e no futuro? Sabemos que por diversas vezes na história o rebelde e o bandido se tornaram heróis.
Enfim, vamos às fotos.
Para finalizar, deixo um pequeno poema de Bertold Brecht que acredito que possa se encaixar perfeitamente nesta discussão:
[one_half]
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável
[/one_half]
[one_half_last]
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo
[/one_half_last]
De: CausasPerdidas < donotreply@wordpress.com > Para: sulinhacidad3@zipmail.com.br Assunto: [Novo artigo] A Resistência através de imagens |
Sabedoria, Saúde e $uce$$o: Sempre.
http://br.groups.yahoo.com/group/Cidad3_ImprensaLivre/
http://br.groups.yahoo.com/group/Cidad3_ImprensaLivre/