11 março, 2012

O gibi de dois milhões de dólares




Action Comics 1 é um marco. Não é só a estreia do Superman, mas o início do gênero super-herói. Mas vale milhões?



De uns tempos para cá, tenho a impressão que o mundo enlouqueceu. Eu já tinha essa teoria faz tempo, mas ela só se confirma a cada post, tweet, viral… Uma notícia me chamou bastante a atenção. No final de novembro, conseguiram leiloar um exemplar da Action Comics 1 por U$ 2,161 milhões, algo em torno de R$ 4 milhões. Cacei na net mas não encontrei quem foi o dono do lance milionário. Fiquei sabendo que essa revista já pertenceu ao ator Nicholas Cage, um cara obsessivo pelo Superman, mas foi roubada em 2000. Cage até recebeu uma indenização de sua seguradora. Recentemente, o gibi acabou recuperado e foi a leilão.

Diante de tanto bafafá, as dúvidas: vale pagar isso tudo por uma simples revista? Isso torna os quadrinhos uma arte mais respeitável? Action Comics 1 realmente é um marco. Não é só a estreia do Superman, mas o pontapé inicial do gênero super-herói e o início da Era de Ouro dos Quadrinhos. Mas, tecnicamente, não é lá uma grande HQ. Superman demoraria ainda algumas edições até ganhar boas histórias. Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do Homem de Aço, não estavam ainda no seu auge criativo.

Outra dúvida: o que o novo dono, não identificado até agora, vai fazer com essa raridade? Com certeza, ele não comprou apenas para ler a história. Basta digitar o nome e número dessa revista no Google, para encontrar diversos scans com as páginas originais. Fora que essa HQ deve ter sido uma das mais republicadas das últimas décadas, inclusive no Brasil. É possível que o novo proprietário da Action Comics 1 nem seja fã de quadrinhos. Possivelmente deve ser um investidor, que guardará a revista em um cofre e tentará revendê-la daqui um tempo. Quem sabe ela chegue a U$ 3 milhões? Mas ela será três milhões de vezes mais prazerosa de ler do que aquele gibi usado de um dólar comprado em um sebo? Existe mais alguém disposto a continuar colocando dinheiro nessa corrente de especulação? Dúvidas, muitas dúvidas…

Voltemos ao Brasil. O fim do ano foi marcado pela discussão de um projeto de lei que prega a obrigatoriedade de 20% de quadrinhos nacionais entre as empresas do ramo. Ouço falar desse projeto há anos e nunca pensei que ele iria muito adiante. Como, nos dias de hoje, pode ser viável uma lei que dite regras do que um editor deve ou não publicar? Aliás, com a atual tecnologia, os interessados em fazer quadrinhos podem entrar no mercado por conta própria. Se vão ganhar a vida com isso, é outra coisa, pois tudo depende da aceitação do público.

Cada editor deve ter liberdade de usar seu capital conforme achar mais prudente. O dinheiro é dele. O risco idem. Por que não criar uma lei que diminua a carga tributária de empresas que publicam artistas nacionais? Ou ampliar o sistema de compras de quadrinhos nacionais para distribuir nas escolas? Porque o governo não banca empréstimos com juros baixos para desenhistas interessados em abrir um estúdio ou até uma editora? Será que os leitores também serão obrigados a destinar 20% do seu dinheiro aos quadrinhos nacionais? Dúvidas, muitas dúvidas…


Sulinha

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